terça-feira 31 de janeiro de 2023

IBAD e CIA financiaram candidaturas em Alagoas

6 de março de 2020 3:14 por Marcos Berillo

 

O historiador uruguaio René Armand Dreifuss, em 1987, publicou 1964: A Conquista do Estado – Ação Política, Poder e Golpe de Classe. Logo se tornou uma referência para os estudiosos do golpe civil-militar brasileiro. As revelações contidas nas 814 páginas desnudaram os golpistas brasileiros, civis e militares e os norte-americanos estimuladores e mantenedores do golpe.

Dreifuss mosta os caminhos, veredas e as veias que irrigaram as redações de jornais e rádios, as campanhas eleitorais, os militares, num mergulho profundo em  fontes documentais até então inéditas. O centro de financiamento da conspiração foi exposto como nunca havia sido antes. O que se sabia eram apenas indicativos. Dreifuss disponibiliza com suas pesquisas as comprovações.

Em seu livro constam a contabilidade e as atividades do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), organização anticomunista fundada em maio de 1959 por Ivan Hasslocher. O IBAD contava com inúmeros empresários brasileiros e estrangeiros como membros, apoiadores, contribuintes e outros como ativistas full time.

O publicitário Ivan Hasslocher

O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), fundado em novembro de 1961, dois anos e meio depois do IBAD, por  Antônio Gallotti e Augusto Trajano de Azevedo Antunes e outros, serviu como um dos principais catalisadores do pensamento anti-Goulart e principalmente como intrumento de financiamento do governo dos EUA,  de empresarios brasileiros e estadunidenses. A finalidade inicial era combater o estilo populista de JK e possíveis vestígios da influência do comunismo no Brasil.

O general Hélio Ibiapina revelou anos depois o que todos já sabiam: que o IBAD possuía ligações com a CIA. Em Alagoas o IBAD foi dirigido por um colegiado − pelo menos oficialmente − constituído pelos intelectuais Ib Gatto Falcão, Everaldo Macedo de Oliveira, Hélio Ramalho Ferreira e Japson Macedo de Almeida (Dreifuss: 1987:648).

As ações coordenadas pelo IBAD e pelo IPES são abrangentes e chegam até ao financiamento de campanhas eleitorais de candidatos a governadores, deputados estaduais e federais de vários partidos, como PDC, PRP, PSD, PTB, PR, mas é notória a vinculação com a União Democrática Nacional – UDN.

O IBAD/IPES contava em 1962 com aproximadamente duzentos parlamentares, ou seja, quase a metade da Câmara dos Deputados. Esse contingente de deputados se abrigava num bloco denominado de amigos da Ação Democrática Parlamentar, todos patrocinados pelo financiamento de campanhas eleitorais e publicidade na grande mídia pelas duas organizações.

Em Alagoas, o complexo IPES/IBAD, para as eleições de 07 de outubro de 1962, escolhe três candidaturas a deputado federal, dois a reeleição, o padre Luiz Medeiros Netto (PSD) e o advogado Segismundo Andrade (UDN), e a do deputado Oseas Cardoso (UDN), eleito para a primeira legislatura, para financiar as suas campanhas (DREIFUSS, 1987, p. 334).

Deputado federal Ari Pitombo (PTB-AL)

O deputado federal Ari Pitombo (1909-1991), denunciou na câmara federal a ação do IBAD, durante a campanha eleitoral em Alagoas:

No meu estado, o dinheiro campeou livremente, os carros do IBAD funcionaram em todos os municípios carregando candidatos, a maioria da UDN […] é uma vergonha, é uma canalhice um político querer arranjar mandato a custa de dólar americano. (DIÁRIO DO CONGRESSO NACIONAL, 1963, p. 6463)

Os objetivos foram sendo concretizados, financiamentos de campanhas eleitorais, mais financiamentos, em forma de auxílio, de material escolar, construções de escolas, ações que criaram visibilidade e emulação interna no governo, e externa junto aos aliados e a sociedade de que o Complexo IPES/IBAD, contribuía para o desenvolvimento de Alagoas.

A estratégia para bloquear as ações políticas do presidente João Goulart no Congresso Nacional, visando implantar as reformas de bases, forçava o presidente a utilizar os decretos presidenciais como instrumento de ação legislativa, fato gerador de impasse no Congresso Nacional. As crises oriundas dos bloqueios processuais nasciam de uma maioria parlamentar vinculada aos financiamentos norte-americanos e do empresariado brasileiro e estrangeiro no Parlamento; eram amplificadas na grande mídia, também financiada pelos golpistas, como sinais de crises de governabilidade.

Fonte:

Diário do Congresso Nacional,1963, p. 6463

Dreifuss, René Armand, 1964: A Conquista do Estado – Ação Política, Poder e Golpe de Classe.Editora Vozes, 1987.

 

 

 

 

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