sábado 5 de abril de 2025

Abandono transforma Casa Museu Graciliano Ramos em moradia de mendigos e sem teto

15 de março de 2020 1:57 por Thania Valença

Um patrimônio de Alagoas e do Brasil, a Casa Museu Graciliano Ramos, no município de Palmeira dos Índios, onde viveu um dos maiores nomes da literatura nacional e do mundo, está abandonada e sendo utilizada por mendigos e moradores de rua. São pessoas em situação de vulnerabilidade, que tem usado o espaço externo do museu para dormir e fazer necessidades fisiológicas.

Patrimônio cultural e histórico de Palmeira dos Índios e do Brasil, está sujeito à destruição

A denúncia foi feita na cidade de Palmeira, pelo jornal Tribuna do Sertão, que flagrou pessoas no interior do imóvel, entre a casa e o auditório. O imóvel “não tem portas em sua entrada principal, iluminação adequada, vigilantes ou seguranças ou guarda municipal” – diz o texto da reportagem.

Maria, palmerense sem teto que ocupa o prédio histórico para dormir. Foto: reprodução

Indagado sobre a denúncia, o secretário de Infraestrutura de Palmeira dos Índios, engenheiro Marcos Parreco, disse ao 082noticias.com que a prefeitura tem um convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para gerenciar a Casa Museu, sendo responsável pela obra de recuperação.

“O que a prefeitura realizou foi à reforma do auditório, que é um prédio separado da Casa Museu, e concluiu a obra em 2017” – afirmou o secretário. Segundo ele, a paralisação das etapas seguintes deve-se aos cortes orçamentários ocorridos no Ministério da Cultura, a quem o Iphan é subordinado.
O gerenciamento da Casa Museu Graciliano Ramos inclui a segurança patrimonial e a gestão do acervo que “encontra-se acondicionado sob a responsabilidade da prefeitura”, segundo informação prestada pelo secretário Marcos Parreco.

O 082noticias.com procurou a representação do Iphan em Alagoas, que informou sobre um acordo entre a Prefeitura de Palmeira dos índios e o Instituto, firmado numa reunião entre o prefeito do município, Júlio César Silva, e a então presidente do Iphan, Kátia Bogéa.

Pelo acordo, aproveitando que possuía o projeto que atualizaria a exposição do Museu, o Iphan faria as obras civis de restauração no edifício, o que foi feito.
O Iphan doaria o projeto da nova expografia ao município, que ficara com a obrigação de contratar e pagar sua implantação. O município, por igual falta de recursos, não o fez;
No ano passado, o iphan, ciente de que o prédio precisa ter uso que garanta sua conservação, retomou o projeto, foi publicado edital de licitação para implantar o novo projeto expográfico, com licitações desertas de empresas interessadas;
Ainda no final do ano foram iniciadas tratativas à formalização de um convênio entre Iphan e Município, o que deverá ser formalizado até o início do próximo mês. O município poderá contratar a execução pretendida entre as partes.
Na resposta encaminhada ao 082noticias.com, o representante do Instituto esclarece ainda “que a atuação do Iphan ocorreu apesar de não ser necessariamente sua função constitucional – que é simplesmente a de fiscalizar a conservação de Bens acautelados a nível Federal”. E diz que ”o fez enquanto ação de fomento, enquanto formatação de um instrumento que pode ser o de auto sustentabilidade econômica do edifício, por atrativo turístico”.

Importância histórica

A Casa Museu Graciliano Ramos em Palmeira dos índios (AL), a 130 quilômetros de Maceió, foi fundada em 5 de outubro de 1973 Nesta casa o escritor e ex-prefeito Graciliano Ramos residiu.
A Casa Museu é um bem tombado pelo patrimônio histórico nacional. O processo que originou o tombamento é de 1963, tem o número 713, sendo concluído em junho de 1965. A Casa Museu Graciliano Ramos faz parte da lista de bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), na categoria municipal, o prédio é tombado pelo IPHAN e o acervo é municipal.

(Veja aqui) http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Alagoas_bens_tombados_novembro_2017.pdf
O acervo, segundo uma fonte do 082noticias.com, encontra-se em condições precárias de conservação. É composto por fotos pessoais, originais de algumas obras, roupas, documentos, máquina de escrever, objetos utilizados no filme Vidas Secas, o manuscrito da carta que o romancista enviaria a Getúlio Vargas, após ser preso por razões políticas, em 1937, entre muitas outras raridades.

 

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