João Menezes e Marvin Vieira, dois jovens talentos da música alagoana

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10 de julho de 2020 por Redação

João Menezes e Marvin Vieira, dois jovens talentos da música alagoana, que apesar da pouca idade, ambos com 21 anos, já contribuem bastante para as artes alagoanas por meio de canções que variam entre os mais diversos ritmos e influências da música brasileira e internacional.

Eles nos contam que desde pequenos já tinham contato com distintas influências musicais, que iam do samba ao rock, o que fez com que logo cedo desenvolvessem apreço e familiaridade pela música.

Joao, Marvin e Leonardo

João diz que, desde criança, sempre esteve rodeado por artistas de sua família e diferentes instrumentos musicais, contudo, o mesmo só veio a ter seu primeiro violão em 2014, quando sua avó lhe deu o instrumento para que tocasse na banda da igreja que frequentava

Embora, mesmo já tocando na banda da igreja, ele diz que ainda não havia se descoberto enquanto artista e que isso só viria a acontecer posteriormente, quando conhece outros dois artistas alagoanos,  Bruno Berle e Leonardo Acioli, carinhosamente apelidado de Batata Boy.

Enquanto que Marvin ganha seu primeiro violão em 2011, mas só aprende a tocar  instrumentos quando ganha uma guitarra de seu pai em 2013. Mais tarde, em 2016, ele ingressa no grupo de música Rogério Dyaz e a Trincheira, com o qual ele viaja para se apresentar no Teatro da UFF (Universidade Federal Fluminense) no Rio de Janeiro. Após  retornar a Maceió, ele renega a monotonia de suas aulas no curso de Eletrônica  no IFAL (Instituto Federal de Alagoas) e decide iniciar de vez sua carreira na música como profissional.

Marvin e o Grupo Trincheiras

Em 2017, os dois se conhecem através do Batata, Leonardo Acioli, e fazem amizade com um outro artista chamado Phylype Nunes, que estudava Filosofia na UFAL (Universidade Federal de Alagoas). João e Marvin revelam que a química para fazer  o álbum foi muito espontânea, que surgiu naturalmente ao passo que eles interagiam em reuniões na casa de amigos, nas quais vários jovens músicos se reuniam para fazer arte e gravar canções.

Eles contam que a produção do primeiro álbum deles só aconteceu devido ao grande apoio que receberam dos amigos para produzi-lo. Contando com o amparo de Phylype Nunes e Bruno Berle na parte técnica e musical e de Geoneide Brandão com a fotografia do álbum.

Capa do disco Areia e Mar por Geoineide Brandão

Em dezembro de 2018 é lançado Areia e Mar, o primeiro álbum conjunto de João e Marvin, que conta com 9 faixas, disponível no Youtube e em disco. Sendo lançando durante uma série de shows promovidos pelo selo de música Batata Records no Complexo Cultural Teatro Deodoro.

O selo Batata Records trouxe e reuniu diversos jovens talentos alagoanos para essa sequência de shows no Teatro Deodoro, incluindo nomes como Bruno Berle, Leonardo Acioli, Gaby Girl, Phylype Nunes, o único de outro estado, e os próprios Joao Menezes e Marvin Vieira.

Phylype Nunes, Leonardo Acioli, Bruno Berle, Marvin Viera, Gaby Girl e João Menezes

O álbum em si é uma amostra do talento e musicalidade  dos dois. A obra conta com influências que variam desde o tropicalismo até o baião e afro-música, contando também com a presença de referências à bossa nova, samba, entre outros.

Com as duas primeiras músicas do álbum “Manhã” e “Até Meu Violão”, podemos sentir a paixão, amor e a pureza, que eles tentam nos passar.

Em “Areia e Mar”, que também é o nome de uma das faixas do álbum, o sangue do baião corre vivo com seu ritmo dançante e altamente cativante, com uma grande mistura de instrumentos, que nos fazem querer dançar e deixam o peito quentinho.

Não somente com essa faixa, mas com outras também, como por exemplo “Ondas do mar” e “Fim de Tarde”, ambas as músicas contam com melodias suaves, calmas e dançantes ao mesmo tempo que trazem à tona as grandes influências que inspiraram os dois a produzir o álbum.

Na faixa “Eu queria Ter Dinheiro”, vemos a narrativa agridoce de amor juvenil e a crítica à falta de condições materiais para a perpetuação do amor, já em “Ipiranga” “Dora” e “Terra Molhada”, as três últimas canções da obra, sentimos uma pura instrumentalidade e uma mansidão, que nos trazem calmaria e sossego.

O fato é que essa produção reúne o que estava faltando no ambiente musical tanto de Alagoas quanto do Brasil, trazendo consigo faixas das mais diversas complexidades e sensações.

João Menezes no Teatro Deodoro

Recentemente, João também lançou uma música solo intitulada de “Eu Te Amo”, que havia escrita há um certo tempo, porém só foi lançada no fim de 2019.

A canção, que está disponível no Youtube e foi gravada na sala de música do Complexo Cultural Teatro Deodoro e produzida por Batata Records e Always Busy Culture, é a manifestação máxima dos sentimentos do músico, onde podemos ver João Menezes em sua totalidade tanto artística quanto poética, além de constatar o seu romantismo lírico.

Marvin e João moram na parte alta maceioense e relatam que esse álbum também é uma criação da periferia, que carregam consigo suas vivências nos arrabaldes de Maceió e que  ele está intrinsecamente ligado ao que se produz lá. Os dois nos confidenciam que a obra é uma produção que reúne o amor, a doçura e a serenidade, que também representam o que é a periferia, que não pode ser resumida apenas a homicídios, violência e tráfico de drogas.

Decerto, João Menezes e Marvin Vieira merecem o título de grandes jovens talentos da música brasileira, mas não somente isso, eles também são o futuro dela!

Todas as postagens são de inteira responsabilidade do blogueiro.

13 Comentários

  1. Fernando G. S. Ayres em

    Parabéns. Tão necessário mostrar jovens talentos que demonstrem que, apesar do rolo compressor da mídia do comum, a inteligência e a sensibilidade ainda insiste e persiste mesmo em tempos sombrios.

  2. é sempre bom falar sobre a arte, principalmente a música que lava a alma! e é muito melhor quando ela é daqui de maceió. parabéns!

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