sábado 3 de dezembro de 2022

A jovem arte visual de Elizangela Santos

10 de julho de 2020 8:05 por Redação

Definir a arte e sua função é uma tarefa confusa, artistas utilizam-na com uma serie de complexidades distintas, executadas com técnica e estética, que, assim, representam toda subjetividade interior e exterior do mundo que os cerca.  O fato é que a arte é uma das formas de representar a realidade através de perspectivas diferentes, que variam entre tendências conservadoras, objetivas e experimentalistas.

Pode-se dizer que é uma grande dialética de negação do anterior, o de antes é substituído pelo renovado, o novo pelo antigo. Podemos claramente ver essa dicotomia nas renegações presentes no começo do século XX com suas vanguardas experimentalistas, que propunham o rompimento com as tradições do passado e o escancaramento da terrível realidade em que o mundo se encontrava na época, enquanto que, posteriormente, veríamos o advento do “Retorno à Ordem”, termo cunhado por Jean Cocteau, poeta e artista francês, em seu livro de ensaios “Le Rappel à l’ordre”, publicado em 1926.

A grande variedade de técnicas, formas e estéticas é o que nos possibilitou ver as diferentes representações da realidade através  dos séculos, destacando-se o começo do século 20, onde podíamos ver o mundo retratado em fragmentos com o cubismo de Picasso, com a expressão dos sentimentos interiores e do inconsciente com as estéticas expressionistas e surrealistas de  Edvard Munch e Salvador Dalí.

Elizangela Santos é uma artista de influências realistas e renascentistas, que surge dessa dialética artística e histórica. Uma jovem artista visual de 20 anos de idade, maceioense, que reside no bairro do Village 2, e atualmente estuda Design na Ufal (Universidade Federal de Alagoas).

Sua iniciação nas artes remete à sua infância e ao período que teve acesso à internet, quando conheceu grupos de desenho e começou a seguir artistas nas redes sociais, o que a influenciou profundamente a estudar e treinar técnicas realistas.

De acordo com a artista, ela sempre tratou sua aptidão para as artes como um passatempo até que fez sua primeira escolha em relação à vida adulta em 2015, o que a distanciou e, ao mesmo tempo, aproximou da arte. Nessa época, tinha iniciado seu curso de Edificações no Ifal (Instituto Federal de Alagoas), mas que viria a largar em 2018 para se dedicar, quase que integralmente, à sua produção artística, participando de ateliês abertos e feiras que ofereciam espaços para artistas.

“Foi o ano que acabei descobrindo estilos e sendo influenciada por movimentos artísticos, que apresentavam a arte como forma de expressão” — diz Elizangela.

Em 2019, entra no curso de Design na Ufal, onde conseguiu associar as duas coisas, enquanto se descobria fascinada pelo o que estudava. Nesse mesmo ano, participou do “Beco dos Artistas” na 9° Bienal Internacional do Livro de Alagoas, posteriormente, também participou da Urbano Grafia, exposição de arte feita na Galeria Gama.

Elizangela diz que é uma artista autodidata, porque, desde cedo, foi atrás do que queria aprender na tentativa, erro e acerto. Ela também elucida a importância da internet nisso tudo, que, de acordo com ela, “é quase um curso completo com uma comunidade se ajudando”.

Lá, ela conheceu artistas clássicos que a inspiravam a praticar pintura, mas não somente isso, do mesmo modo, conheceu movimentos modernos como o expressionismo, impressionismo e surrealismo. Suas influências são amplas e vem de expoentes como Monet, Van Gogh, Edgar Degas, Edvard Munch, Frida Kahlo, Picasso, Dali, Botticelli e da Vinci, os quais ela tentava fazer releitura de suas obras.

“Me afirmar como artista foi muito importante e os frutos dessa escolha começaram a surgir, participei expondo ilustrações no primeiro “Beco dos Artistas” e na exposição “Urbano Grafia”” — diz ela.

Além de expor em galerias, Elizangela também participa de eventos com enfoque na ocupação artística e cultural de espaços públicos esquecidos, como, por exemplo, praças. Expôs em três edições consecutivas do “Deriva”, evento proposto por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Unit (Universidade Tiradentes), cujo o objetivo é valorizar mais os espaços públicos que não recebem muita atenção para, assim, movimentar e intervir nesses espaços com música, exposição de arte, dança, poesia, entre outros.

As vivências nos arrabaldes da cidade também a influenciaram, todas as emoções que expressa em suas obras são retiradas de suas vivências. Toda a matéria interiorizada no seu inconsciente se materializa durante o seu processo criativo.

“Eu pinto influenciada por todas as minhas vivências” — Elizangela

Ela, além de trabalhar com desenho e pintura, também trabalha com cyber-arte e ilustração sob encomenda ou apenas para ilustrar os elementos que deseja expressar. Grande parte de sua produção está exposta em seu Instagram, Art.elzngla. No universo de seus trabalhos, é visto o uso de cores quentes, uma certa estética tropical até certo ponto, com retratações cotidianas como uma laranja cortada ou maçãs, cebolas e bananas entorno de um abacaxi.

Paisagens urbanas, cenários domésticos e pontos turísticos tipicamente maceioenses também são temas de sua produção. Em contraste com isso, também vemos uma forte predominância de obras que retratam pessoas e momentos pessoais, ao mesmo tempo que há uma leve variação entre cores quentes e frias em alguns trabalhos.

Seus traços são um contraste à deglutição, ao rompimento com o uso do quadro e conceitualização difundidos por escolas da arte contemporânea, como, por exemplo, o neodadaísmo, a arte conceitual e art povera, os quais divergiam da tendência em direção à pureza formal. Nas obras de Elizangela, é visto o cuidado, a técnica e o uso de ferramentas, que variam do giz pastel ao guache.

Ela também revela que ser artista numa periferia não é uma tarefa fácil, a ocultação e a desvalorização são grandes problemas, não por aqueles que vivem nesses lugares, mas por aqueles que nem sequer prestam atenção no que está surgindo por lá.

Viver quase 20 anos no Village 2 é algo que traz uma bagagem para além do que é exposto nas galerias, essa emoção é bem captada em suas obras, onde é possível ver o urbano mesclado com o realismo cotidiano das coisas. Elizangela é, de fato, mais um jovem talento e sua produção está intrinsicamente ligada ao que é ser um artista periférico.

Todas as postagens são de inteira responsabilidade do blogueiro.

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9 Comentários

  • MUITO MASSA!

    • Excelente artigo,fiquei encantada com o trabalho dessa artista maravilhosa Elisângela. Parabéns e sucesso!

  • 👏👏

  • Belíssima matéria!

  • mt bom

    • Muito bom conhecer os artistas da terrinha

  • Precisamos valorizar os artistas do nosso estado” Elizangela é uma de muitos artistas que temos e não conhecemos o trabalho pela falta de divulgação da nossa mídia local.
    Parabéns pelo belíssimo trabalho!

  • Gente fiquei maravilhada, com a artista e seu desenvolvimento. Sobre a reportagem que trouxe todas informações sem deixar dúvidas.

  • muito bom madson, continue sempre divulgando e dando espaço pro pessoal, parabéns!

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