Depoimento sobre Tadeu da Costa Lima

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Por Lauthenay Perdigão do Carmo

Tadeu José da Costa Lima, pernambucano do Pina, nasceu no dia 25 de agosto de 1945. É o mais velho dos quatros filhos do casal Wamberto José da Costa Lima e Angelina Fulco de Lima. Além do Tadeu nasceram ainda: Teresa Cristina, Artur e Antônio. Grande parte da vida do Tadeu foi vivida no Pina. Estudante do Colégio Americano Batista, e sempre considerado um bom aluno. Sem nunca ser brilhante não chegou a decepcionar seus pais. Ele sempre guarda boas recordações do seu tempo de estudante. Não esquece o professor Juvenal e dona Neuza, esses dois mestres do ensino, foram de grande valia para os estudos do Tadeu. Tadeu teve uma infância tranquila e normal para um garoto que só queria jogar bola. Tadeu é casado com dona Sonia Moreira Costa Lima e tem um filho, Tadeu Junior, de sete meses.

Seus primeiros passos no futebol foram dados na praia, jogando no time chamado Pirata e que tinha a orientação segura e precisa do Paulo Andrade que era um grande amigo do nosso focalizado. Andavam sempre juntos e para eles não havia segredos. Depois passou a defender o time do XI da Paz, um dos melhores times de peladas do Pina. Graças ao seu excelente futebol, sua fama chegou aos ouvidos dos dirigentes do América e como era natural, recebeu convite para ingressar nos juvenis do alviverde. E em 1963 já se sagrava campeão do torneio início pelo clube americano. Tadeu se sentia feliz por vestir a camisa do América. Não porque era americano, mas pelo fato de passar a integrar uma equipe da primeira divisão do futebol pernambucano. Ali, ele tinha maiores possibilidades de atingir a um ponto mais alto, a fim de conseguir fama e dinheiro.

O América seria uma escola onde ele deveria se aprimorar e conseguir mais experiência. No América ficou até 1965. Como não poderia deixar de ser, dos juvenis passou para a equipe titular, e depois de disputar um turno do campeonato, foi convocado para a seleção pernambucana em um jogo amistoso contra Alemanha. No final do jogo Tadeu era um homem feliz. Os pernambucanos venceram por 1×0, e isso lhe valia como convocação, vitória e emoção.
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Logo depois, dirigentes do Náutico se interessaram pelo seu concurso para onde se transferiu em 1966. No clube timbu não teve bons momentos. O treinador Duque não gostou do seu futebol, por isso não teve oportunidade no time titular. Mesmo assim, se sagrou bicampeão pernambucano nos anos de3 1967 e 1968. Sem vez no Náutico, Tadeu acertou sua transferência para o Centro Sportivo Alagoano que desejava fazer um grande time para disputar o Nordestão e ganhar o tetracampeonato. O diretor Arlindo Chagas foi quem iniciou os primeiros entendimentos com o craque pernambucano. Tadeu veio, viu e venceu. Como quarto zagueiro foi uma das maiores figuras do CSA no Nordestão, mostrando ao treinador Duque que sabia jogar de verdade. Graças ao entusiasmo do Tadeu, o clube azulino chegou a conquista do tão sonhado tetracampeonato.

É um dos veteranos do atual plantel do Centro Sportivo Alagoano. Mas, talvez, o mais útil jogador para o treinador. Joga em qualquer posição. É um craque coringa. Um craque de mente limpa, de atitudes nobres e postura inatacável. Jamais usou de expedientes menos lícitos para jogar seu grande futebol. Tem ampla visão do jogo e isso lhe garante orientar seus companheiros com segurança. Quando Tadeu chegou a Maceió conquistou a simpatia de todos, fez grandes amizades e uma imensa legião de fãs. Suas virtudes de cavalheirismo e aptidão para o desporto, chegou a merecer uma legenda portentosa e altamente significativa – O CRAQUE GENTLEMAM. Estava definido tudo em poucas palavras.

Inicialmente, Tadeu veio por empréstimo. Depois o CSA adquiriu seu passe que pertencia ao Náutico. Em 1969 ainda disputou o campeonato alagoano pelo clube do Mutange. Mas, nesse mesmo ano teve seu primeiro desentendimento com o Presidente Nilo Floriano Peixoto. Problemas financeiros fizeram com que Tadeu fosse emprestado ao CRB. Em troca, o CSA recebeu Beba, também por empréstimo, e o passe em definitivo do atacante Roberto Tromba. Terminado o empréstimo, Tadeu retornou ao Mutange.
Voltando ao Centro Sportivo Alagoano, ele cumpriu mais um contrato. Ou melhor. Nem chegou a terminá-lo. O clube azulino deixou de pagar seus salários durante quatro meses. Tadeu foi a justiça desportiva e ganhou passe livre. Na oportunidade, o Vitória de Salvador, se interessou pelo seu concurso. Demorou um pouco, e quando um diretor veio a Maceió para acertar tudo com Tadeu ele já tinha assinado com o CRB. No clube da Pajuçara ficou nos anos de 1971 a 1974. Foi campeão em 1972 e 1973. No final do seu contrato, não houve acerto financeiro e como tinha passe livre e voltou ao CSA.

Aos 29 anos de idade, Tadeu não pensa em deixar o futebol. Pelo menos até 1975, o craque azulino continuará jogando. No próximo ano ele completará dez anos como profissional da bola sem nunca ter sido expulso de campo, nem sofreu qualquer punição. Anos depois, Tadeu recebeu o premio Befort Duarte. Foi sua maior emoção ao receber esse premio que poucos jogadores conseguem receber. Quando ele entra em campo se preocupa em apenas jogar futebol. Problema de árbitro é o que mesmo lhe interessa. O árbitro é autoridade máxima dentro do campo e não adianta reclamar. A insubordinação vira indisciplina e isso somente vem prejudicar o clube e o próprio atleta. Ele joga em qualquer posição. Mas é volante que se sente bem. Apesar de ter tido uma boa fase como quarto zagueiro no CSA.

Tadeu está se preparando para prestar exame no próximo vestibular de Educação Física. Quando abandonar o futebol, ele pretende continuar como preparador físico ou mesmo técnico das equipes inferiores de algum grande clube. Financeiramente, o futebol nunca lhe deu nada. Não fez nenhum grande contrato. Entretanto, as amizades que fez em Maceió, vale muito mais do que o dinheiro que poderia ganhar. Suas preferências musicais recaem sobre os discos de Roberto Carlos. Vai ao cinema quando é um filme educativo. Prefere ficar em casa ajudando dona Sonia a manter o apartamento bem cuidado e brincando com seu filho Tadeu Júnior.

Entre os treinadores de sua predileção estão Alexandre Borges e Pinguela que o conhece desde 1968. Manoel Amaro e Armando Marques são seus árbitros preferidos. Uma de suas grandes decepções foi não ter sido aproveitado no Náutico. A cada vitória, cada titulo conquistado é uma alegria. Mas a grande emoção de sua vida foi o nascimento do seu filho Tadeu Júnior.
Só faltou jogar de goleiro. Na zaga, meio campo e ataque, Tadeu é sempre o mesmo. Procura dentro do equilíbrio físico, técnico e mental apresentar ao torcedor seu melhor futebol. Suas atitudes dentro e fora dos gramados o tornaram ídolo das maiores torcidas de Alagoas.

Este é Tadeu José da Costa Lima, um craque de verdade. Um craque porque soube ganhar o cartaz de craque e mantê-lo durante muitos anos sempre com atuações equilibradas.
Lauthenay Perdigão do Carmo é jornalista profissional, pesquisador e autor dos livros: Arquivos Implacáveis (2011), A História do Futebol Alagoano (1981), No Mundo da Bola (1987).

Fonte: Página do jornalsita Lauthenay Perdigão do Camo no Facebook.
https://www.facebook.com/lauthenay.carmo

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