Perda no Poder Judiciário de AL: morre Jerônimo Roberto, Juiz de Direito, vítima da Covid-19

O Juiz havia sido internado no hospital Arthur Ramos, em Maceió, no mês de maio, mas foi transferido para um hospital de São Paulo

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Por Da Redação

Juiz Jerônimo foi mais uma vítima da Covid-19 I Foto: reprodução

O Juiz de Direito Jerônimo Roberto Fernandes dos Santos (1955), morreu aos 65 anos, em São Paulo, vítima da Covid-19. Havia sido internado no hospital Arthur Ramos, em Maceió, no mês de maio, e em seguida foi transferido para um hospital de São Paulo.

Jerônimo Roberto iniciou a sua vida acadêmica como estudante de medicina, mas a sua vocação, como gostava de dizer era o mundo jurídico. Fez vestibular para direito no Cesmac e, ao se graduar, começou a trabalhar como advogado e prestou concurso para Juiz. Na TV Mar, criou e foi apresentador do programa Momento Jurídico.

Para o presidente do TJAL, desembargador Klever Loureiro, a morte de magistrados e servidores durante a pandemia causa, além do sofrimento dos familiares e amigos, uma grande perda para o Poder Judiciário alagoano.

Histórico

Gangue Fardada foi uma organização criminosa criada pelo ex-tenente-coronel Cavalcante e que atuou na década de noventa em Alagoas. Era constituída por dezenas de policiais e ex-policiais sob o comando de Cavalcante.

A Gangue Fardada adquiriu força e poder na estrutura governamental. Os policiais que não estavam envolvidos com atividades criminosas, ficaram atemorizados, diante da influência e do avanço da organização e igual sentimento foi percebido pelas lideranças políticas, ativistas dos direitos humanos e movimentos sociais, pelo Poder Judiciário e o Ministério Público.

Em janeiro de 1998, Jerônimo Roberto decretou a prisão dos mais temidos nomes da Gangue Fardada, entre eles o líder do grupo,o ex-tenente-coronel Cavalcante. Na mesma época, o juiz expediu mais de 36 mandados de prisão preventiva para membros da polícia militar envolvidos em milícias.

Outro caso emblemático em que o juiz Jerônimo Roberto atuou, foi no assassinato de Sílvio Vianna. Jerônimo era um juiz decisivo para desmontar grandes farsas, que, ao longo das investigações, eram reveladas.

O Juiz lembrou ao jornalista Plínio Lins como foi o mandado de prisão que lhe custou ameaças e ser obrigado a andar com permanente escolta policial: “Havia muita gente envolvida e eu tinha provas contra os irmãos Cavalcante. Na época fui ameaçado, me ligaram dizendo que se eu mandasse prender os irmãos, eu estaria morto. Eles ameaçaram minha mulher, meu pai, minha mãe. Foram anos de verdadeiro inferno”.

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