Nilson Miranda é o primeiro exilado alagoano a voltar antes da Anistia

Não quero voltar ao Brasil como cidadão de segunda classe, sem possibilidade de trabalhar, sem poder exercer meus direitos sindicais e políticos.

0
Por Geraldo de Majella

Jornal Desafio, maio de 1979

 

O ex-vereador, ex-dirigente sindical e militante histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB) Nilson Amorim de Miranda desembarcou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, no dia 15 de maio de 1979 e foi recepcionado pelo advogado de presos políticos Humberto Jansen, os deputados do MDB Heloneida Studart e Raimundo de Oliveira, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, Carlos Alberto de Oliveira (Caó) e o irmão mais velho e radialista Haroldo Amorim de Miranda.

Após os cumprimentos e um abraço demorado entre os irmãos que não se viam fazia quinze anos, o delegado da Polícia Federal, Miguel Lacerda, conduziu Nilson Miranda para a sala da PF, onde foi interrogado na presença do advogado Humberto Jansen. Nilson, seguiu depois de horas de depoimento para o Grande Hotel OK, na Cinelândia.

Nilson Miranda durante os quinze anos de exílio viveu em Moscou, Paris e Lisboa tendo trabalhado como jornalista em periódicos vinculados a esquerda e ao PCB.

Em Paris, no dia 2 de janeiro, Nilson Miranda foi entrevistado pelo correspondente do  Jornal do Brasil: “Não quero voltar ao Brasil como cidadão de segunda classe, sem possibilidade de trabalhar, sem poder exercer meus direitos sindicais e políticos. Claro que tenho, como todos, pressa em retornar, mas vou aguardar até março para ver como as reformas serão aplicadas”. No dia 15 de maio desembarcou no Rio de Janeiro.

Nilson Miranda discursando no ato pelas reformas de base, em 29 de março de 1964. Acervo de Geraldo de Majella

O Diário de Pernambuco, na edição de 22/5/79, p. B-5, abriu manchete: Exilado chora no retorno a Maceió. Nilson Miranda, ao desembarcar no aeroporto dos Palmares (era o antigo nome) foi recebido por membros da Sociedade Alagoana de Defesa dos Direitos Humanos (SADDH), que abriram uma faixa: Anistia ampla, geral e irrestrita. O jornalista veio acompanhado do senador Teotônio Vilela, presidente da Comissão Mista sobre Anistia do Congresso Nacional.

Nos anos que se seguiram à Anistia, Nilson Miranda se reintegrou à vida profissional e política, foi eleito diretor do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas e tesoureiro da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comunicação e Publicidade (Contcop). Disputou duas eleições ‒ para prefeito de Maceió e deputado estadual ‒, mas não foi eleito.

Aos 88 anos, Nilson Miranda mora em Porto Alegre, onde viveu clandestinamente antes de ir para o exílio. Hoje curte a sua velhice no frio gaúcho.

Nilson envia mensagem ao jornal Desafio, em 15 de maio de 1979

Jornal Desafio, maio de 1979.

Banner

Deixe uma resposta