O grande time do CRB de 1972

No momento em que a bola chutada por Reinaldo tocava as redes adversárias, ele pulava, chorava, ria, comemorava com a torcida.

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Por Geraldo de Majella

 

Lauthenay Perdigão era a memória do esporte alagoano. Foto: Viviane Leão/GloboEsporte.com

 

(*) Lauthenay Perdigão foi jornalista profissional e historiador.

 

 

 

REINALDO STRALCIUNAS

Suas grandes emoções foram na conquista do bicampeonato de 1972/73. No Campeonato de 1973, no clássico decisivo, Reinaldo fez os dois gols do clube campeão. Poucos jogadores receberam tantos aplausos, abraços, tapinhas nas costas como Reinaldo naquela noite. Era o craque, o fino da bola, o goleador irresistível, o dono do jogo. No ano seguinte, em um clássico, Reinaldo assinalou o primeiro gol do CRB e foi festejar junto a sua torcida. No final do jogo, em uma jogada infeliz, Reinaldo perdeu o gol que seria o do empate. E a mesma torcida que o aplaudiu, abraçou-o e deu tapinhas nas costas, não o perdoou naquele momento. Depois do jogo, ele chorou. Eram lágrimas de um homem, mas sinceras. Reinaldo ficou magoado, porém sentiu que o artilheiro é assim mesmo. Muitos dias de glórias e alguns dias de tristezas.

Reinaldo se casou com uma alagoana. Dona Elisabeth conquistou o coração do craque regateano e, hoje, vive junto com seu filho Strasys Styve. Nos maus momentos, Reinaldo sempre teve o apoio de sua esposa. Na tranquilidade da sua residência, Dona Elisabeth esteve sempre ao seu lado e na graça do seu filho. Era assim que ele procurava encontrar forças para reconquistar sua torcida. Não tinha mágoa de ninguém e esperava fazer os gols nas vitórias do CRB. Estava pagando por um erro em um final de clássico.

Gostava de dividir seus momentos de folga passeando com a família. Achava que a concentração era necessária, porque nem todos atletas sabiam se comportar. Quando não estava jogando, ia ao Trapichão para assistir a um bom espetáculo de futebol. Reinaldo não gostava muito de televisão e, de vez em quando, ia a um cinema. Os filmes de espionagens eram os seus favoritos. Era fã da música da Jovem Guarda e admirava muito Roberto Carlos.

Em pé: Serafim. Ademir. Roberto Menezes. Ronaldo Brito. Vermelho e Djalma Sales. Agachados: Canavieira. Tadeu. Orlandinho. REINALDO e Silva. Fonte: Museu dos Esportes

No momento em que a bola chutada por Reinaldo tocava as redes adversárias, ele pulava, chorava, ria, comemorava com a torcida. Era neste momento de agonia que o artilheiro se sentia realizado. A alegria dos gols, a excelente família, o filho maravilhoso, muitos amigos e um carro foi tudo que conseguiu com o futebol. Em janeiro de 1973, terminava seu contrato com o CRB e ele esperava renová-lo por mais uma temporada e continuar defendendo o clube que aprendeu a gostar.

Ainda vestiu a camisa do CSA por pouco tempo e o Botafogo de João Pessoa. Mas, o tempo passou de maneira implacável. O futebol de Reinaldo acabou e a torcida esqueceu seus gols, suas jogadas. Outros artilheiros foram aparecendo, recebiam elogios e eram festejados. Mesmo tímido, Reinaldo, o ex-artilheiro do CRB, tornou-se funcionário público estadual, trabalhando no Detran. Sem ter conseguido guardar um pouco do que ganhou, Reinaldo viveu alguns dramas em sua vida. O pior estava acontecendo nesses dias de 1999. Internado e sem recursos para realizar o tratamento de sua grave doença, ele passou momentos difíceis. Os amigos procuraram ajudá-lo da melhor maneira possível. Depois de algum tempo, Reinaldo se foi. Contudo, deixou sua história no futebol alagoano. Infelizmente, não existem seus gols em vídeos. Mas, o Museu dos Esportes tem muitos dos seus gols em áudio.

(*) – Lauthenay Perdigão faleceu no dia 17 de agosto. O 082Noticias em sua homenagem republica  um dos seus textos hoje (19) dia do Historiador. Esse texto foi publicado no Jornal de Serviço em 1970. Fonte: Facebook
(o texto foi revisto e atualizado pelo autor)

 

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