Sem chão: Bar do Rogildo resiste em meio à tragédia provocada pela Braskem

Valor de R$ 1 mil mensais, oferecido pela empresa para o pagamento de aluguel, é insuficiente para manter o negócio em outro local

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Por Da Redação

Dono de um dos bares mais famosos do bairro de Bebedouro, em Maceió, seu Rogildo ficou sem chão após o crime da Braskem | Geraldo de Majella

Aos 71 anos de idade, Rogildo Farias perdeu o chão quando, em 2018, a terra tremeu em Bebedouro, um dos bairros de Maceió onde a Braskem explorou as jazidas de sal-gema no subsolo durante 44 anos.

Esse terremoto fez com que milhares de pessoas parassem de trabalhar, de sonhar com o futuro, de trafegar no trem que liga a cidade de Rio Largo a Maceió.

O desastre ambiental não é apenas ambiental, o que já seria muita coisa. É, também, geológico, econômico, social e cultural. Identificado pelos órgãos técnicos como o maior desastre geológico urbano do mundo, o fenômeno não tem sido tratado como tal.

Os moradores de Bebedouro, Mutange, Bom Parto, Pinheiro e parte do Farol tiveram suas residências e casas comerciais com paredes rachadas e o chão das ruas abrindo fendas.

A vida de mais de 60 mil moradores foi empurrada para a “rua da amargura”. A incerteza é a regra geral. A Braskem tem agido com a frieza dos carrascos ao executar as vítimas na guilhotina.

A Braskem provocou o desastre, é ela quem define o valor da indenização e quando e como vai pagar. É método cientifico a aplicação da tortura psicológica numa multidão de mais de 60 mil pessoas.

A família de seu Rogildo é uma das afetadas pelo crime. “Estou sentindo uma tristeza, né?”, disse ele, que vive no bairro há 70 anos. O valor de R$ 1 mil mensais, oferecido pela empresa para o pagamento de aluguel, é insuficiente para manter o negócio em outro local.  Veja o depoimento dele:

Ao se ver desempregado, Rogildo, que iniciou a vida como pescador na Lagoa Mundaú, e a esposa – a enfermeira Sílvia Pimentel – resolveram abrir um restaurante e, em seguida, um pequeno mercadinho na própria residência do casal.

A ideia inicial era manter os negócios por pouco tempo, mas, o fato é que a mão de fada de Sílvia mudou a vida da família e atraiu ainda mais clientela, inclusive de outros bairros da cidade. Hoje, lá se vão 30 anos com o restaurante e 20 com a mercearia.

Após o “crime da Braskem”, como a tragédia vem sendo chamada, o fantasma da ameaça à sobrevivência volta a assombrar Rogildo e dona Sílvia.

Veja o depoimento dela:

 

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1 comentário

  1. Maria José Castro d'Almeida Lins em

    A matéria reflete nossos sentimentos sobre a tragédia da Braskem, assim como a história de Romildo e Silvia a de cerca de 60 mil pessoas. Chegou uma mineradora em Igaci…

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