Governo Bolsonaro acabou: presidente se isola e movimento pró-impeachment se fortalece

Radicalismo dos discursos de 7 de Setembro foi tiro que saiu pela culatra; pressionado, Arthur Lira permanece em cima do muro

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Por Da Redação

Presidente Jair Bolsonaro fala para apoiadores durante o 7 de Setembro | Alan Santos/Presidência

Bolsonaro deu mais um passo em direção ao isolamento político ao optar, mais uma vez, por aprofundar o confronto com o Poder Judiciário, quando, nominalmente, chamou de “canalha” o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

“Ou esse ministro [Alexandre de Moraes] se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas, turve a nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir, tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha. Deixa de oprimir o povo brasileiro, deixe de censurar o seu povo. Mais do que isso, nós devemos, sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos seja postos em liberdade”, disse Bolsonaro, durante manifestação nesse 7 de Setembro.

Ministro Alexandre de Moraes é um dos principais alvos dos bolsonaristas | STF

Os partidos políticos mais ao centro estão iniciando rodadas de reuniões para consultar os seus deputados federais e senadores sobre a possibilidade de impeachment. Os partidos de esquerda e centro-esquerda, exceto o Partido dos Trabalhadores (PT), já protocolaram os pedidos na Câmara Federal.

A pressão cresce sobre o presidente da Câmara dos Deputados, o alagoano Arthur Lira, após as falas de Bolsonaro nessa terça-feira.

Os principais políticos estão articulando saída ou saídas para a crise, e a crise tem um nome: Bolsonaro. O presidenciável Ciro Gomes ligou para João Doria, governador de São Paulo, para Rodrigo Maia, atual secretário de Doria, para o ex-ministro da Saúde Luiz Mandetta e também presidenciável. Ciro Gomes também ligou para Guilherme Boulos, do PSOL, e o deputado Marcelo Freixo, do PSB.

O deputado federal Arthur Lira é o principal polo de pressão dos políticos e das organizações sociais que defendem o impeachment do presidente Bolsonaro. Ao dizer que “é hora de dar um basta a essa escalada em um infinito looping negativo”, ele também afirmou que, “na discórdia, todos perdem, e que não há espaço para radicalismos e excessos”.

A tentativa de manter o equilíbrio e até reduzir a crise provocada pelo presidente da República contra o Supremo Tribunal Federal (STF) pode ser um gesto do deputado Arthur Lira, que não quer sacrificar sua “galinha dos ovos de ouro”.

O deputados Arthur Lira e o presidente Jair Bolsonaro | Divulgação

Bolsonaro une forças políticas antagônicas… contra ele

O fato é que o dia 8 de setembro entra para a História do Brasil como o dia em que as forças políticas da direita, centro e esquerda tenderão a convergir com mais celeridade para unificação do discurso de preservação da democracia e defesa do STF, ameaçado verbalmente por Bolsonaro.

O STF tem mantido posições de coerência e defesa da Constituição e, para surpresa de Bolsonaro e de seus fanáticos seguidores, são as decisões da Suprema Corte que têm estabelecido o cerco judicial ao presidente que, reiteradas vezes, declara guerra à ordem constitucional.

Bolsonaro se sente no curral sendo levado ao matadouro. Tem perdido apoio da opinião pública, tem patrocinado morte em massa através de suas declarações e de todas as armações criminosas com origem no Ministério da Saúde.

E, para atormentá-lo ainda mais, a CPI da Covid tem obtido as maiores quantidades de provas documentais contra ele (Bolsonaro), seus filhos, membros da sua base de apoio, empresários, além de religiosos que apoiam o governo.

O governo Bolsonaro acabou, seja com impeachment ou não. O ex-presidente Collor, no auge da crise que o levou ao impeachment, contou com alguns ministros que conduziram os últimos meses. Bolsonaro nem isso tem.

Bolsonaro está em queda livre.

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