Filhas Minhas e do Mundo

Hoje tenho duas filhas. Dois brilhantes valiosíssimos, que brilham todos os dias e alimentam a mim de amor, companheirismo e sorte.

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Por Eleonora Duse Leite

 

Numa noite tão comum, entre tantas que estamos vivendo, resolvi falar de uma coisa que me emociona e a cada dia me dá mais prazer e satisfação, minhas filhas.

Sempre sonhei em ser mãe, um desejo imenso de ver minhas características e detalhes em um ser gerado por mim, num rostinho vivo, delicado e melhorado de bebê. E elas vieram… Cada uma no seu tempo, embora bem próximas uma da outra.

Nunca fui chegada a brincar de boneca na minha meninice, gostava mesmo de correr, pular corda, queimado, estátua, mas a experiência de cuidar de uma “boneca viva” sempre foi um sentimento profundo de querer e Deus me oportunou esse sonho e me fez mãe. Nem imaginava o trabalho que dava cuidar, zelar, H, orientar e amar esse ser, tão pequenino, indefeso, dependente, mas também acredito que só um ser especial poderia ter um ser especial no seu ventre e depois nos braços. E eu fui esse ser e recebi essa dádiva, e aí foi muito bom, boníssimo, e o é. Agradecida.

Com a descoberta de saber grávida, vi dia a dia, meses após outro a barriga crescer, tomar forma, as feições se transformando, os desejos, os enjôos, os preparativos, as escolhas… Embora tudo isso, era uma época feliz e plena.

A cada dia os movimentos eram restritos, o peso aumentava, mas a gestação era sadia e certa. Chegou a hora da primeira ultrassom… Um ser minúsculo habitava em mim, Anália, referência a minha avó paterna que convivi os meus tantos anos. Uma figura que me embalava, dividimos quarto, cama e jogatina nas madrugadas. Cresci comendo às escondidas confeito, pipoca, biscoito, maçãs e chocolate, além de outras guloseimas que ela buscava em algum lugar no nosso quarto e que era um segredo só nosso. Por suas mãos conheci os romances de M. Delly, faroestes, maravilhosos e apaixonantes. Ela foi tudo de bom e do bem. Dei a minha primogênita o nome de Anália em sua homenagem.

Anália, nasceu aos dois dias de setembro, tarde da noite, madrugada na verdade, com peso e tamanho de menino. Foi um parto normal e rápido. Menina tranquila, risonha. Trazia uma marca própria, um sinal na bochecha que chamou a atenção de todos na maternidade e muitos foram visitar par ver o tal sinal. Se transformou numa moça equilibrada, determinada e sabedora de sua vida. Quis saber a essência do seu nome, o significado, não encontrou exatamente… Ana, significa cheia de graça, e Lia aquela que nunca desiste. Duas qualidades que ela leva para sua vida e que realmente cai feito uma luva. E assim é a minha Anália, a quem respeito e admiro imensamente.

Tempos depois veio mais uma boa nova, estava eu em estado de graça e gerava novamente um ser, mais uma vez a felicidade reinava. A gravidez foi mais fácil, já conhecia as mudanças, já sabia das transformações que iriam ocorrer. E assim foram lá os dias, os meses e se aproximava o conhecimento do sexo do bebê. Mãos geladas, risos nos lábios, curiosidade a flor da pele, estampada nos movimentos e finalmente, o Antônio estava por chegar. Esse foi o nome escolhido, forte, com peso de antiguidade, seria o varão.

Nas nossas conversas diárias, eu já ia chamando pelo nome e falando da responsabilidade. Ele chutava muito já nos primeiros meses ,era impulsivo, mexia mais ainda e me fez achar que algo ou alguma coisa estava acontecendo… Aos cinco meses chegou a hora de conferir o andamento das coisas e para a nossa surpresa, o Antônio não era Antônio ,e sim mais uma princesa, uma menina sadia, sapeca e viva, e lá mesmo decidimos seu nome, seria Sarah.

E a Sarah chegou no dia 23 de julho, na madrugada. Misto de inquietação e descoberta, ativa e ninguém diria o contrário. Seu nome veio por conta de uma cigana que encontramos no centro da cidade, que queria a todo custo ler minha mão, e aí eu perguntei seu nome, e ela direta e vaidosamente respondeu: “ Sara, filha de rei, eu sou princesa.” Dito e feito, Sarah seria a nossa princesa. Realmente até hoje ela é. Agitada, direta, inteligente, astuta e adiantada, sem papas na língua e profundamente sincera, digo até demais. Ela simplesmente é assim e se destaca neste ponto e é admirada por mim dessa forma, dessa maneira.

Hoje tenho duas filhas. Dois brilhantes valiosíssimos, que brilham todos os dias e alimentam a mim de amor, companheirismo e sorte. Duas que me orgulham infinitamente por serem seres humanos cordiais, gentis, respeitosos , amorosos e presentes, duplamente presentes. Elas são exatamente o que quis e imaginei, e elas vieram assim.

Acredito que fiz e faço o meu melhor, o meu papel de aconselhar quando preciso, amar incondicionalmente e deixar livres para o mundo. Mas estarei sempre na retranca, aqui, como mãe, mamis ou mainha, amiga, companheira e incentivadora, e elas sabem disso. Enfim, ainda cumprindo o meu papel de ser especial para seres especiais

(*) Eleonora Duse Leite é funcionária pública e graduanda em jornalismo. 

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