O Lyceu Alagoano

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Por Braulio Leite Junior

 

O Lyceu Provincial em 1849 funcionava na Praça Dom Pedro II. Depois foi erguida a sede dos Correios, mais tarde passou a ser a Delegacia do Ministério da Fazenda. Fonte: www.historiadealaogas.com.br

O Lyceu Alagoano, que antes se chamou Lyceu Provincial, foi criado por um carioca. Aliás, é curioso assinalar isto: de 1818 até a Proclamação da República, um período de 71 anos, Alagoas teve 139 administradores, dos quais somente dois foram alagoanos. Na longa lista de Presidente e Vice-Presidente, vamos encontrar até um argentino naturalizado português e um português.

O Lyceu foi criado pela lei nº 106, de 5 de maio de 1849, sancionada pelo Presidente da Província, Cel. (depois General) Antônio Nunes de Aguiar, uma gestão relâmpago que durou exatamente cinco meses e oito dias. O Lyceu foi o primeiro estabelecimento oficial de ensino secundário em Alagoas. As aulas tiveram inicio em julho de 1849. No orçamento da província para 1851/52, figura a cota de 3605000 que era para pagar o aluguel da casa do Lyceu.

O primeiro diretor foi o Dr. José Prospero Jeová da Silva Caroatá e o colégio funcionou primeiro num prédio já desaparecido da atual Praça Pedro II. Os primeiros tempos são de indisciplina e houve quem lamentasse, na época, ter sido extinto no Lyceu Provincial o uso da palmatória, que funcionava a todo vapor nas escolas particulares. Convém lembrar que até a década de 30, já no nosso século, a “pavana” ou “santa-luzia” ainda era empregada em vários colégios de Maceió.

A má fama do antigo Lyceu foi gerando nas várias administrações a ideia de sua extinção. A epidemia do cólera fez diminuir bastante o número de matriculados. Foi a Lei nº 370, de 4 de julho de 1871, que o matou. Reza o seu artigo oitavo: “Fica extinto o Lyceu criado pela Lei nº 106, de 5 de maio de 1849, continuando somente a existir na capital as cadeiras de gramática latina, de francês e de gramática nacional e análise dos clássicos”. Foi preciso que surgisse “um administrador sagaz e decidido, como chama historiador Abelardo Duarte ao presidente João Marcelino de Souza Gama, o qual, poucos meses após ter assumido governo, restauraria o Lyceu pela Resolução nº 395, de 16 de novembro de 1863 (História do Liceu Alagoano. Departamento Estadual de Cultura, 1961). Não era alagoano o presidente João Marcelino e sim carioca, como o outro, criador do Lyceu.

A partir de 1960, já com a denominação de Colégio Estadual de Alagoas, o Liceu ocupou o prédio que foi construído para o Instituto de Educação na Rua Barão de Alagoas. Aqui o edifício em foto de Stuckert nos anos 50. Fonte: www.historiadealagoas.com.br

A primeira turma de bacharéis em Ciências e Letras, diplomados pelo Lyceu, remonta ao ano de 1910. Orador da turma foi o aluno Osman Loureiro de Farias, fadado a ser um dia governador do Estado. Na pequena turma de doze, apenas uma representante do sexo feminino: Da Gomes Ribeiro de Oliveira, que anos depois faleceria na Suíça, onde foi enterrada. O nome do Lyceu Alagoano se cultua na memória de quantos ali estudaram e ensinaram nome que ficou até 1942, por cerca de meio século, sendo alterado para Colégio Alagoano pelo Decreto nº 2.769 de 6 de agosto daquele ano, e finalmente Colégio Estadual de Alagoas, conforme Decreto de 26 de abril de 1945, que recebeu o número 145.

Em 21 de julho de 1898, o Estado comprou ao professor Domingos Moeda e sua mulher D. Ana Cândida, por 35 anos, o sobrado na Rua do Livramento, cuja antiga fotografia estampamos. O primeiro portão, à esquerda, era do galpão das moças e o outro abria para o galpão dos rapazes; os sexos só se misturavam nas salas de aula. O salão nobre ficava situado no último pavimento. Havia uma entrada no centro do edifício, que ficava bem defronte à escadaria. A entrada foi fechada.

(*) Texto de Bráulio Leite Júnior publicado no livro História de Maceió, Edição Catavento, 2000.

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