Bolsonarismo de resultado

Controle tem sido exercido através das estruturas estatais, das emendas parlamentares e das relações de submissão ao presidente da República, ou os mecanismos de coação física

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Por Da Redação

O deputados Arthur Lira e o presidente Jair Bolsonaro | Divulgação

 

Para definir o que é um deputado bolsonarista na bancada federal alagoana é necessário entender a dinâmica eleitoral, como esses atores se comportam diante dos eleitores e, principalmente, como manobram as estruturas estatais em nível federal e estadual. Também, em que profundidade exercem o domínio sobre as prefeituras. Essa é uma das chaves para compreender e saber como acontece a reprodução do poder político, familiar e econômico, em muitos casos.

Os analistas políticos, em geral, constroem argumentações sofisticadas para tratar de temas políticos rasos e esquecem que o importante não são os discursos verbalizados por esses políticos, mas, o modus operandi reproduzido durante décadas para arregimentação de apoios e como os transformam em votos.

Quando se ouve a expressão popularizada entre os políticos de que determinado deputado é ‘bom de votos’, isso quer dizer que ele mantém as bases eleitorais que podem, em determinados casos e circunstâncias, serem definidas como “currais” eleitorais. Um parêntese: há uma diferença entre o que havia no passado, onde o controle nominal do voto era exercido e, atualmente, com o voto eletrônico, o que torna impossível monitorar o eleitor através do voto.

O controle tem sido exercido através das estruturas estatais, das emendas parlamentares e das relações de submissão ao presidente da República, ou os mecanismos de coação física, prática nefasta que ainda não foi abolida no país.

A bancada bolsonarista alagoana é composta por Arthur Lira (143.858 votos), Sérgio Toledo (98.201), Severino Pessoa (70.413), Marx Beltrão (139.458), Nivaldo Albuquerque (84.956). A estrela ascendente é Arthur Lira, presidente da Câmara Federal e o terceiro na linha sucessória e a quem Bolsonaro não pode contrariar. O presidente da Câmara é quem segura ou decide em qual momento o pedido de impeachment entra na pauta.

Sérgio Toledo é quem representa os donos de cartórios de Alagoas e nacionalmente, além de atuar na defesa do empresariado rural e do setor da construção civil. Severino Pessoa representa o empresariado de Arapiraca e da própria família. Nivaldo Albuquerque tenta se projetar no mandato como uma alavanca familiar e procura ser um fiel bolsonarista.

O deputado federal Marx Beltrão | Divulgação

Marx Beltrão procura construir uma carreira-solo, principalmente, depois que tentou alçar voo longo como candidato majoritário em 2018 e foi emparedado. Era “calheirista raiz”, hoje, tenta se reeleger. Eleitoralmente, tem sofrido revezes, pois o “clã familiar” encontra-se fraturado e o PSD, sigla que preside em Alagoas, passará a ser conduzida por Rui Palmeira, ex-prefeito de Maceió.

Os deputados Paulão (60.900) e Tereza Nelma (44.207) têm feito oposição ao governo, com posicionamentos diferentes. O deputado Paulão é a única representação da esquerda na bancada alagoana. Tereza Nelma é tucana. Isnaldo Bulhões (71.847) é o líder do MDB na Câmara Federal e tem votado, na maioria das vezes, contra o governo.

O deputado Paulão | Divulgação

Pedro Vilela (37.203) é tucano e tem votado sistematicamente contra os trabalhadores, um típico representante do empresariado e radical defensor da redução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico e social.

Alguns deputados servem a Bolsonaro e a Renan Filho

O bolsonarismo da bancada federal tem, em alguns casos, nomes que apoiam o governo federal e faz parte da bancada do governador Renan Filho. A bancada do governador é composta por cinco dos nove deputados: Paulão (PT), Tereza Nelma (PSDB), Isnaldo Bulhões (MDB), Marx Beltrão (PSD) e Sérgio Toledo (PR).

O governador Renan Filho e o senador Renan Calheiros são os dois principais líderes políticos contra Bolsonaro em Alagoas. E são os principais interlocutores de Lula em 2022.

O bolsonarismo parlamentar se estruturou a partir das ações governamentais, não há na bancada o que se possa denominar de “bolsonarismo raiz”, o que tem prevalecido é o bolsonarismo de resultado. Esta expressão foi criada para distinguir o que era o sindicalismo reivindicatório praticado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical gestada durante o governo Collor como um contraponto onde os trabalhadores obteriam resultados salariais em negociações acordadas com os patrões sem que fosse necessário realizar greves ou as negociações fossem vantajosas para os patrões.

O ex-presidente Lula | Divulgação

Lula e incompetência do governo ameaça o Bolsonarismo

As pesquisas indicam o crescimento da candidatura de Lula em Alagoas e no Brasil, região por região. Este é um dado de realidade com forte indicativo de que haverá mudanças de posição na base parlamentar alagoana. A “neutralidade” é, também, uma maneira de mudança de posição entre os políticos, é o pragmatismo clássico visto em todas ou quase todas eleições.

É evidente que na bancada, como na sociedade, o antipetismo faz parte do que se construiu no Brasil na última década. Mas, como os políticos que têm no pragmatismo a sua prática cotidiana não estão dispostos a fazer oposição sem poder “bicar” o governo.

Bolsonaro é um político com poucas possibilidades de sobreviver depois do trágico governo que vem fazendo, destruindo o Estado brasileiro, e que carregará para sempre mais de 600 mil mortos pela pandemia, a sua única obra realizada com consistência macabra.

A bancada alagoana no Senado fica para outro momento.

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