Um nome quase esquecido

Mudar sem razão os nomes dos logradouros, destituindo glórias para ao povo impor outras novas, ao sabor das injunções politicas ou de conveniência ocasional.

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Por Braulio Leite Junior

 

Inauguração do Parque do Centenário com o prefeito, dr. Eustáquio Gomes de Mello, à frente segurando um jornal. Fonte: www.historiadealagoas.com.br

 

A data 29 de março assinala a passagem do aniversário de nascimento de um dos mais ilustres alagoanos de que temos notícia. Joaquim Jonas Bezerra Montenegro não teve grande vivência em Alagoas. Ele imitou os elefantes que, ao pressentir a morte, buscam o lugar onde nasceram. Foi assim Jonas. Evidente, porém, que para honrar e enaltecer sua terra não é para o homem condição sine qua non nela viver; bem pelo contrário, muitas vezes sai alguém de sua terra em busca daquilo que talvez nela não encontrasse como ponto de apoio para a formação do seu espirito, do seu gênio ou de sua capacidade de servir ao gênero humano. Foi assim Jonas Montenegro.

 

Formou-se em Direito no Recife, viveu no Paraná e depois no Pará, onde decorreu grande parte de sua existência, exercendo o cargo de Juiz de Direito e amparando quantos alagoanos o procurassem, fiados em seu prestigio político. Refere Augusto Vaz Filho que ele prestou assinalados serviços tanto à Perseverança e Auxílio dos Empregados do Comércio como ao Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Registrando-lhe o passamento, revelou esta última entidade em seu volume XVI, n° 59, de 1932:

“Na última fase de sua existência, ainda cercado de intelectuais conterrâneos, ofertou ao nosso Instituto Histórico uma obra definitiva de sua mentalidade, organizada aos seus 79 anos de idade e enriquecida por vários conhecimentos científicos, dos quais se destacam numismática e náutica”. Foi também um cultor das letras.

 

O seu sepultamento, na manhã de 15 de janeiro de 1932, ele vestido, como pedira antes de morrer, com a indumentária do seu ofício, foi uma consagração à reverência que Maceió lhe devia e fez, na presença de instituições culturais e oradores ilustres à beira do seu túmulo.

Passemos a outro ponto, esse que nos move a mudar sem razão os nomes dos logradouros, destituindo glórias para ao povo impor outras novas, ao sabor das injunções politicas ou de conveniência ocasional. Assim aconteceu com a Praça Jonas Montenegro, de vasta forma rentangular, que já chamou Periperipedra ou Periperipau. Teve o nome de Januário Bezerra, que foi dono daquele terreno e pai de Jonas Montenegro. Foi ele quem doou o terreno onde se edificou a capela de Santa Rita, em memória de sua mulher, Dona Rita Francisca Bezerra Freire. Foi então que um tiro acidental matou, no dia 27 de janeiro de 1902, no Sobral, o filho do então governador Euclides Malta. E lá foi o nome do infortunado moço batizar a praça – Nilo Malta.

 

Em 1939 a cidade completou cem anos de capital. Inaugura-se então o Parque do Centenário que depois. Passou a ser Getúlio Vargas e, por fim, General Góis Monteiro, que mereceu a consagração antes mesmo de vir a falecer em 1956. Em 1950, com a vitória de Arnon de Melo, derrubando a oligarquia dos Góis Monteiro, alguns exaltados tentaram por abaixo a estátua, estranhamente pintada de amarelo, o que levava o povo a chamá-la de general da meganha. Conta-se que o novo governador mandou sustar o ato. E o nome de Jonas só é lembrado hoje pelas pessoas mais velhas. Nenhuma lembrança, nenhuma recordação mais, nenhum logradouro a reverenciar um tão ilustre alagoano.

 

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