Janelas e TVs

Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos, ele, por certo, esqueceu de incluir a televisão.

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Por Mácleim Carneiro

 

Nelson Rodrigues (1912-1980). Foto: Douglas Alexandre/O Cruzeiro/Arquivo EM)

 

Retorno às perguntas-questionamentos selecionadas pela Arriete e respondidas por mim. Dessa vez uma questão do grande Nelson Rodrigues (foto).

– “A televisão matou a janela”?

RESPOSTA – A televisão não apenas matou a janela como também a capacidade crítica e lúdica da maioria do povo brasileiro.

Quando Nelson Rodrigues afirmou que não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos, ele, por certo, esqueceu de incluir a televisão.

Suponho ser algo maquiavélico e proposital a maldade alienante contida nas grades de programação de qualquer uma das TVs abertas e comerciais deste país. Seria muita ingenuidade não admitir que a mídia, de uma forma geral, é o tentáculo mais forte do capitalismo. E, claro, tem como protagonista principal as grandes redes de televisão, que se prestam inclusive ao monopólio do poder e suas conseqüências nefastas.

E é lamentável, pois se trata de um veículo que tem um alcance enorme, que poderia ter conteúdo culturalmente louvável e transformador. Porém, o que vemos e o que se estabeleceu, a partir das concessões públicas e suas negociatas políticas, é altamente contestável.

O princípio pelo qual a hegemonia é vital para a sobrevivência do capitalismo, também se aplica à televisão brasileira. Portanto, é pelo viés da mediocridade que ela mantém as massas culturalmente empobrecidas, contudo, ávidas ao consumismo.

E assim, cumprem o que determina o capital, sem admitir diálogos, sem espaço para o pensamento intelectual, sem rota de fuga para os incautos telespectadores, transformados em manada teleguiada e hegemônica.

Reza a lenda que o poeta Vladimir Maiakovsk, quando questionado sobre a dificuldade dos seus poemas serem compreendidos pela massa, respondeu: pois então que se eleve o nível das massas.

Tal premissa seria imediatamente execrada e causaria arrepios aos executivos das TVs abertas no Brasil. Por isso, a verdadeira arte tem cada vez menos espaço em suas grades de programação. Sobretudo, porque sabem que Maiakovsk estava certo quando disse:”A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo!”

No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!🎶🎶🎶

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