Histórico: Longa alagoano “Cavalo” disputa vaga para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Internacional

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Por Vanderlei Tenorio

O aclamado longa-metragem alagoano “Cavalo”, de Rafhael Barbosa (“O que Lembro, Tenho”) e Werner Salles Bagetti (“Exu – Além do Bem e do Mal”), figura entre os 15 longas-metragens habilitados para disputar a indicação de representante do Brasil na categoria de Filme Internacional do Oscar 2022.

Reprodução / Redes sociais

A lista foi divulgada pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA), nesta quinta-feira (14). O título escolhido será anunciado amanhã (15/10), após a reunião do Comitê Brasileiro de Seleção.

Além do expoente alagoano “Cavalo”, a lista seleta traz algumas das produções brasileiras de maior destaque no último ano, como o pernambucano “Carro Rei”, de Renata Pinheiro, o aclamado pela crítica internacional “Sete Prisioneiros”, de Alexandre Moratto, “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, “Deserto Particular”, de Aly Muritiba, “Cabeça de Nego”, de Déo Cardoso e “Um dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira.

Produção do Estúdio Núcleo Zero, “Cavalo” foi lançado nos cinemas e plataformas digitais no último dia 12 de agosto com distribuição da La Ursa Cinematográfica e da Descoloniza Filmes, em 17 salas de cinema de 11 cidades brasileiras. O filme pode ser visto nas plataformas Looke, Now, Vivo Play e Oi Play.

 

Sessão especial:

Neste sábado (16/10), o público de Alagoas ganha mais uma chance para ver “Cavalo”. O filme será exibido gratuitamente no projeto Cine Cidadania, do Cine Arte Pajuçara, às 14 horas. Após a exibição vai acontecer a conversa “Identidades afro-diaspóricas e o imaginário alagoano”, com participação de Edson Bezerra, Allexandrea Constantino e Joelma Ferreira.

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Sobre o filme:

Com direção de Rafhael Barbosa (“O que Lembro, Tenho”) e Werner Salles Bagetti (“Exu – Além do Bem e do Mal”), “Cavalo” é um filme híbrido que circula entre a ficção, o documentário e a experimentação para falar sobre a memória da ancestralidade no corpo.

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Cavalo é também o termo usado nas religiões afro-diaspóricas, como a Umbanda e o Candomblé, para denominar os praticantes que são capazes de receber entidades em seus corpos. A incorporação no cavalo não é apenas mental ou espiritual – ela passa por todo o corpo. Da mesma forma, “Cavalo” não é um filme que tenta desvendar ou explicar a religiosidade, mas toma carona na experiência singular do corpo para acessar a memória, a ancestralidade e a construção de identidade de seus personagens.

Compõem o elenco Alexandrea Constantino, Evez Roc, Joelma Ferreira, Leide Serafim Olodum, Leonardo Doullennerr, Roberto Maxwell e Sara de Oliveira. O grupo foi selecionado após um teste de elenco e passou a conviver num intenso processo de preparação. Na proposta de criação coletiva, os protagonistas foram provocados a construir performances inspiradas pelo arquétipo do cavalo e suas muitas simbologias.  Performance, dança e rito se entrecortam em três eixos narrativos.

Contemplado no Prêmio Guilherme Rogato, da prefeitura de Maceió, e contando com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA para sua realização, “Cavalo” é o primeiro longa-metragem fomentado por um edital público realizado em Alagoas, o que representa um marco para a política cultural do estado.

Visão dos diretores:

“Desde que o filme estreou tem derrubado sucessivas barreiras, enfrentando o preconceito histórico com Alagoas. ‘Cavalo’ estreou em 17 salas de cinema de 11 cidades brasileiras. Participou de mais de 30 festivais no Brasil e em outros cinco países, projetando a cultura do estado para o mundo e afirmando o nosso cinema como uma força emergente que precisa ser notada. Disputar essa vaga para representar o país no Oscar é mais uma demonstração da potência do movimento do cinema alagoano, que tem se fortalecido nos últimos anos”, comentou o diretor e roteirista Rafhael Barbosa.

“A existência de ‘Cavalo’ é um movimento de resistência, na contramão do desmonte do audiovisual brasileiro comandado pelo governo Bolsonaro. A presença de um filme alagoano de baixo orçamento numa lista ao lado de grandes produções assinadas por empresas como Netflix e O2 mostra o potencial que nosso cinema tem para dialogar com todos os públicos. ‘Cavalo’ abre os caminhos para uma safra de longas-metragens que vai chegar cada vez mais longe”, completou o diretor e roteirista Werner Salles.

 

* Com informações da assessoria do longa-metragem “Cavalo”

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