”Deserto Particular” irá representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Internacional de 2022

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Por Vanderlei Tenorio

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA) anunciou o longa-metragem “Deserto Particular”, do diretor Aly Muritiba, como representante do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2022. O anúncio foi feito pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais, nesta sexta-feira (15), após reunião do Comitê de Seleção.

O comitê de seleção foi formado pelos cineastas Allan Deberton, Belisário Franca e Felipe Lacerda, os produtores Paula Barreto e Leonardo Edde, a atriz Virginia Cavendish e o crítico de cinema e colaborador do Estadão Luiz Zanin Oricchio.

“Foi uma escolha difícil. Ficamos entre alguns filmes, considerando cinematografia, temas. Por fim, chegamos a um consenso. É sempre uma escolha difícil quem representa o Brasil pro mundo. Tivemos excelentes filmes inscritos, com uma representação muito diversa da cinematografia brasileira, de diferentes estados, e todos eles muito engajados. Deserto Particular traz uma tema muito importante: como o amor pode ser um agente de transformação. É disso que o mundo precisa hoje”, disse Leonardo Edde, presidente da comissão em entrevista ao Estadão.

O drama, protagonizada por Antonio Saboia, retrata a história de Daniel, um policial exemplar que comete um erro e é afastado de sua função, colocando sua carreira e honra em risco. Sua única alegria é Sara, moradora do sertão da Bahia, com quem se relaciona virtualmente. Não vendo mais sentido em continuar vivendo em Curitiba, ele parte em busca de Sara após seu desaparecimento. 

Reprodução / Instagram

O longa-metragem de Muritiba foi premiado no Festival de Veneza deste ano na mostra paralela Venice Days, com o Prêmio Del Pubblico BNL. O filme estará na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que começa no dia 21 de outubro, e estreia nos cinemas do Brasil no dia 25 de novembro.

O cineasta baiano Aly Muritiba também é conhecido por ter dirigido os filmes “Para minha amada morta” (2015), “Ferrugem” (2018) e a série “Caso Evandro”, do Globoplay.

Após o anúncio, o diretor falou ao G1: “Recebi a notícia com muita alegria. Me sinto muito honrado por ter sido escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa do Oscar de 2022”.

“ ‘Deserto Particular’ é um filme de amor e acho que ele vem num momento muito salutar, em que a gente precisa construir narrativas de amor. A gente passou quase dois anos em casa trancafiados, perdendo pessoas, vivendo sob a égide de governos conservadores, como o caso do Trump nos EUA e do Bolsonaro no Brasil, em que o discurso de ódio era o discurso preponderante”, comentou Muritiba em entrevista ao G1.

“Então aparecer um filme que fala de tolerância, encontros e amor nesse momento de ódio é muito salutar. Estou feliz e honrado, com uma responsabilidade grande que pretendo levar com leveza, carinho, afeto e amor”, finalizou o diretor em entrevista ao G1.

O filme estava entre as 14 obras inscritas para a disputa, entre elas: nosso representante “Cavalo”, de Rafhael Barbosa e Werner Salles Bagetti, o pernambucano “Carro Rei”, de Renata Pinheiro, o aclamado pela crítica internacional “Sete Prisioneiros”, de Alexandre Moratto“A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi “Cabeça de Nego”, de Déo Cardoso“Um dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira“Callado”, de Emilia Silveira“Limiar”, de Coraci Ruiz“Medida Provisória”, de Lázaro Ramos“Meu Nome É Bagdáa”, de Caru Alves de Souza“Por Que Você Não Chora?”, de Cibele Amaral e “Selvagem”, de Diego da Costa.

“Foi mesmo uma escolha difícil e por uma razão muito simples: o alto nível dos filmes inscritos. Vários deles poderiam ter sido escolhidos para representar muito bem o Brasil. Como um só é o eleito, tivemos de cortar na própria carne até a maioria convergir ao escolhido. As questões estéticas, a qualidade da narrativa cinematográfica, sempre estiveram à frente das discussões, embora outros aspectos, como temática atual e potencialidade de diálogo com os votantes da Academia de Hollywood não tenham sido desconsiderados. Acredito que, com a escolha de Deserto Particular, conseguimos uma boa síntese entre esses aspectos. O debate entre nós foi em clima de amizade e alto nível de discussão. Tivemos um trabalho complicado mas em excelente companhia”, explica Luiz Zanin Oricchio, crítico de cinema, integrante da comissão e colaborador do Estadão.

O filme de Muritiba ainda será avaliado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), com os longas indicados por outros países até que sejam anunciados os cinco finalistas que concorrerão ao Oscar de Melhor Filme Internacional, em 8 de fevereiro. Para ter uma ideia, 40 países já submeteram obras à Academia, entre eles, Indonésia, Grécia, Malawi, Eslováquia, Macedônia, República Tcheca, Georgia, França, Bulgária, Finlândia, Croácia, Áustria, Albânia, Armênia, Camboja, Canadá, Colômbia, Espanha, Kosovo, Malta, entre outros.  
 

Brasil no Oscar:

Com filmes selecionados por uma comissão desde 1961, o Brasil chegou perto da estatueta dourada de Melhor Filme Internacional em cinco ocasiões – sendo quatro delas com produções indicadas na categoria e uma outra que ficou apenas na lista de pré-indicados.

O primeiro bom resultado veio em 1963. “O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte foi indicado a Melhor Filme Internacional logo após levar para casa a Palma de Ouro, do Festival de Cannes. No entanto, no prêmio da Academia, perdeu para o drama francês “Sempre aos Domingos” (1962), de Serge Bourguignon.

Depois disso, veio uma seca de 33 anos, quebrada com a indicação de “O Quatrilho”, de Fábio Barreto. Mas, outra derrota, agora para o holandês “A Excêntrica Família de Antônia” (1995), de  Marleen Gorris. Em 1998 e em 1999, chegou o melhor momento do Brasil na categoria: indicações seguidas de “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, e “Central do Brasil” (1998), respectivamente. Este último, dirigido por Walter Salles, também conquistou uma indicação na categoria de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro. Ainda assim, todos os indicados não levaram a estatueta dourada.

Reprodução / Telecine

Já a última vez que o Brasil arranhou uma indicação a Melhor Filme Internacional foi em 2008, quando “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias” (2006) foi pré-selecionado – quando membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas fazem uma primeira seleção para, depois, escolher apenas cinco. Mas o filme de Cao Hamburger ficou de fora.

Por fim, vale lembrar, também, da história do filme “Cidade de Deus” (2002) na premiação. O longa-metragem de Fernando Meirelles foi selecionado pelo Brasil para concorrer na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar de 2003. Só que acabou ficando de fora da lista de indicados. Ainda assim, este não foi o ponto final da história da produção com o Oscar.

Divulgação

A 94ª edição do Oscar está prevista para o dia 27 de março de 2022. 

 

 
 
* Com informações do Estadão e do G1.
 
 

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