Sociedade Amigos da Cinemateca irá gerir a Cinemateca Brasileira

0

Ontem (18/10), a Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) foi selecionada pelo Edital de Chamamento Público para a gestão da Cinemateca Brasileira durante os próximos cinco anos (entre dezembro de 2021 a dezembro de 2026). 

Reprodução / Cinemateca Brasileira

De acordo com a publicação, a Sociedade Amigos da Cinemateca foi classificada obtendo a pontuação máxima prevista no edital, 10 pontos, que envolvia uma avaliação de capacidades técnicas, de gestão e geração de receita. A publicação também mostra a pontuação do segundo concorrente mais forte, o Centro de Gestão e Controle (Cegecon), que obteve apenas 3 pontos e a inabilitação de uma proposta de proposta em nome de uma pessoa física. O edital previa que apenas pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, com natureza de associação civil ou fundação poderiam participar da seleção.

O resultado ainda é preliminar pois a publicação prevê um período de 15 dias para solicitação de recurso.

Como será o período de administração:

Ao longo dos cinco anos em que deve gerir a Cinemateca Brasileira, a SAC deve receber, pelo menos, 50 milhões de reais, 10 milhões a cada ano, para realizar todas as tarefas de gestão e manutenção, sendo o repasse “condicionado à disponibilidade orçamentária, em consonância com as leis orçamentárias vigentes em cada exercício”.

Sobre a Sociedade Amigos da Cinemateca:

A Sociedade Amigos da Cinemateca é uma entidade civil sem fins lucrativos, criada em 1962 com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento das atividades da Cinemateca Brasileira, pela articulação de iniciativas com a sociedade civil e com as esferas pública e privada.

Reprodução / SAC

De acordo a instituição, a ela compete, entre outras funções, mobilizar a comunidade para o apoio à conservação e proteção do acervo da Cinemateca; desenvolver esforços que viabilizem a canalização de aportes financeiros ou de contribuições de qualquer natureza para programas e projetos de interesse da Cinemateca; promover atividades culturais, especialmente aquelas vinculadas com o cinema, vídeo, televisão e outras mídias; e manter convênios e outros tipos de colaboração com entidades privadas ou públicas, com vistas ao desenvolvimento de suas atividades.

Segundo informações do site da instituição paulista, liderada por Dante Ancona Lopez, a criação da SAC resultou dos esforços de personalidades de destaque no cenário cultural paulistano associadas a exibidores cinematográficos, visando a estabelecer o conceito de cinema de arte. Desde então, por meio da realização de projetos de difusão cultural, a partir do acervo da Cinemateca e das distribuidoras comerciais, a SAC exerceu por décadas papel fundamental na formação de público e na promoção da cultura cinematográfica.

Desde 4 de março de 2008, a SAC é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, personalidade jurídica que lhe possibilita o estabelecimento de convênios com os poderes públicos. Nos últimos anos, ainda que em menor escala, a SAC continuou a colaborar com a Cinemateca, mais especificamente por meio de ações de formação cultural.

Ademais, a atuação da SAC ao longo de quase 60 anos foi decisiva à consolidação da Cinemateca Brasileira, a maior instituição do gênero da América do Sul, cujos trabalhos técnicos levaram-na a ser considerada uma das cinco mais importantes do mundo.

O imbróglio:

A Cinemateca Brasileira, que fica na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, estava “sem gestão” desde o final de 2019, quando o contrato do governo federal com Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que administrava a instituição desde 2018, foi finalizado e nenhum outro edital foi realizado. Ao longo de 2020 alguns contratos temporários foram feitos para a manutenção do espaço, mas que não foram suficientes para evitar o incêndio que destruiu parte do acervo em julho deste ano.

Foto: Agência Senado

À época do incêndio, o atual presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, Carlos Augusto Calil, relatou os riscos anunciados pela falta de gestão na instituição:

“A segurança da Cinemateca não se faz apenas com controles de temperatura e de segurança. Ela é feita pelo exame periódico desse acervo pelos técnicos, e a Cinemateca está sem técnico nenhum. Ela está fechada há mais de um ano”, disse Calil, que já foi diretor da CB e também é ex-secretário de Cultura de São Paulo.

O incêndio na Cinemateca foi o ápice do sofrimento vivido pela instituição nos últimos anos, que veio se anunciando desde o atraso de repasses para a Acerp, finalização do contrato em 2019, a não abertura de edital para a gestão por mais de um ano. Durante esse tempo, algumas trocas de secretários especiais de cultura, que teriam como responsabilidade a gestão ou a publicação de um novo edital. Tudo isso envolto em uma áurea de guerra cultural.

Durante o incêndio, que começou com uma manutenção de ar-condicionado, o acervo de três salas foram destruídos. Em um manifesto publicado após o incidente, funcionários da Cinemateca listaram as perdas. Teriam sido consumidos pelo fogo itens do acervo documental, como grande parte dos arquivos de órgãos extintos do audiovisual brasileiro; material audiovisual, como parte do acerco da Pandora Filmes e cópias de produções nacionais e estrangeiras; além de equipamentos e mobiliário de cinema, fotografia e processamento laboratorial.

 

* Com informações do Estadão e da SAC.

Banner

Deixe uma resposta