Lideranças religiosas convocam ato para o início de dezembro, na porta da Braskem

Estratégia foi definida na Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Bebedouro, com a participação da Associação dos Empreendedores no Pinheiro e Região Afetada, e do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem

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Encontro define estratégia de mobilização marcada para dezembro | Cortesia

Uma grande manifestação, convocada por líderes religiosos, deve unir católicos e evangélicos na porta da Braskem, nos próximos dias 3 e 4 de dezembro. O “Ato de luto e luta” terá ritos religiosos diversos, intervenções artísticas e atrações musicais.

Os detalhes do protesto foram discutidos na última segunda-feira (8), entre o cônego Walfran Fonseca e o pastor Wellington Santos e moradores dos bairros destruídos pela mineração na capital alagoana.

O encontro aconteceu na Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Bebedouro, com a participação da Associação dos Empreendedores no Pinheiro e Região Afetada, e do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB).

“Como líderes religiosos, não podemos silenciar diante do luto coletivo que vivemos em Maceió por conta de uma população oprimida pelo poder político e econômico que morre todos os dias. Segundo o preceito cristão, devemos fazer uma opção preferencial pelos pobres, dando voz a quem não tem voz”, declarou o cônego Walfran Fonseca, que há 17 anos trabalha na Paróquia Santo Antônio de Pádua.

Pastor na Igreja Batista do Pinheiro há quase três décadas, Wellington Santos também falou sobre a importância desse chamado das comunidades religiosas à luta pelas 70 mil vítimas da Braskem.

“As religiões lidam com um capital simbólico muito poderoso: a fé. Sendo ela trazida para uma luta por justiça e dignidade humana, é imbatível. Por isso, queremos reunir pastores, padres, pais de santo, mães de santo, espíritas etc.”

O pastor também está articulado com alguns grupos culturais e de vítimas, sendo responsável por organizar a criação de comissões. Segundo ele, serão cinco: jurídica, de segurança, de logística, cultural e litúrgica.

Pautas

O coordenador geral do MUVB, procurador do trabalho Cássio Araújo, colocou em pauta os objetivos centrais da luta. Cinco reivindicações foram aprovadas na reunião: 1) laudo de avaliação do imóvel apresentado pela Braskem compatível com todas as normas técnicas necessárias e com a proposta devidamente justificada; 2) dano moral calculado por pessoa e não por imóvel; 3) critérios indenizatórios explicitados na proposta; 4) criação de comitês de conciliação, com a participação do poder público, para as negociações individuais; 5) realocação imediata para moradores e empreendedores isolados entre as áreas destruídas.

Para Alexandre Sampaio, presidente da Associação dos Empreendedores, o envolvimento das comunidades religiosas na luta por justiça no Caso Braskem é muito importante. “Nós aderimos ao ato imediatamente. Precisamos aglutinar forças com o maior número de organizações: religiosas, políticas, culturais, estudantis, sejam elas de quaisquer ordens. Afinal de contas, somos 70 mil vítimas deste crime. Uma crença apenas não é capaz de resumir toda essa gente”, declarou.

Mas nem só de vítimas o protesto dos dias 3 e 4 de dezembro deve ser composto, como espera Sampaio. “Acredito que vários setores da sociedade civil estão dispostos a lutar ao nosso lado. Muitos maceioenses acordaram para esse problema, pois perceberam que é a sua cidade que afunda mais a cada dia”, conclui.

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