Nossa Place de La Concorde

La está o velho prédio da primeira Escola Modelo, hoje sede da Academia Alagoana de Letras; o prédio do Tribunal de Justiça, construído por Luiz Lucarini.

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Por Braulio Leite Junior

raça Deodoro na década de 1920 com a Escola D. Pedro II ao fundo. Fonte: www.historiadealagoas.com.br

 

A fotografia, de 1920, mostra a praça Marechal Deodoro da Fonseca conforme traçado feito pelo pintor Rosalvo Ribeiro quando regressou da Europa.

 

A pedido do Intendente Dr. Demócrito Brandão Gracindo, que a remodelou e ali mandou colocar a estátua equestre do Proclamador da República, o notável artista conterrâneo inspirou-se no feitio da famosa Place de La Concorde de Paris, transformando o antigo Largo da Cotinguiba, depois chamado de Largo das Princesas e Praça Generalíssimo Manoel Deodoro da Fonseca, em um dos logradouros públicos mais bonitos da nossa capital.

 

Na estampa vê-se os oitizeiros plantados em seu derredor ainda de baixo tamanho e os locais destinados às retretas, que reuniam as famílias maceioense nas tardes festivas ou noites de domingo. Canteiros, naturalmente, havia, mas existiam também largos espaços e calçadas limpas para o passeio das melindrosas e almofadinhas, olhares furtivos, acenos velados ou mesmo encontros à luz de lindos e bem trabalhados postes de luz elétrica, em forma de lampiões.

 

La está o velho prédio da primeira Escola Modelo, hoje sede da Academia Alagoana de Letras; o prédio do Tribunal de Justiça, construído por Luiz Lucarini, e, mais além, a silhueta do antigo farol construído no morro do Jacutinga para alertar os navios dos perigos da barra do porto de Jaraguá.

 

Logradouro limpo, arejado, espaçoso, que só saudade traz aos setentões e oitentões de agora, espremidos e empurrados entre os ambulantes, ônibus, barracos, pipoqueiras, montes de lixo, um dos problemas maiores de edilidade nos tempos de hoje.

 

Pena que os nossos filhos, netos, os filhos jovens desta nossa cidade não tenham vivido os tempos de outrora, da praça de bancos de Madeira onde se reuniam, invariavelmente, todas as noites, os moradores circunvizinhos, para trocar ideia, falar bem ou mal do governo e escutar e fazer comentários sobre a cidade que possuía 70 mil habitantes e começava a estender-se para os lados da Ponta da Terra e altiplano do Jacutinga.

(*) Texto de Bráulio Leite Júnior publicado no livro História de Maceió, Edição Catavento, 2000.

 

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