Casal, CBTU e população sofrem com prejuízos gerados pelo crime da Braskem em Maceió

Mineradora silencia diante dos danos causados aos sistemas de distribuição de água e transporte urbano

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Por Da Redação

Estação de Tratamento de Água do Sistema Cardoso | Casal

A Braskem tem sido pressionada pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), que teve perdas severas com o afundamento do solo causado pela mineração de sal-gema. Não bastassem os prejuízos financeiros após a queda no consumo provocada pela saída dos moradores de cinco bairros, a estrutura da Estação de Tratamento de Água (ETA) Catolé-Cardoso vem apresentando fissuras na altura do bairro de Bebedouro.

Diante da gravidade do problema, a Casal contratou um especialista para fazer o levantamento patrimonial e calcular o quanto deixou de arrecadar dos milhares de consumidores que residiam nos bairros que afundam e, também, dos que tinham empresas em funcionamento.

A estratégia da mineradora Braskem em relação à Casal é semelhante à que tem adotado contra os milhares de vítimas da tragédia socioambiental, que ultrapassa as 60 mil pessoas. Assim como a demora em indenizar os moradores e comerciantes, a empresa não chega a um acordo com a companhia e o  processo se arrasta.

A companhia aponta como solução desse problema a construção de uma nova ETA, em substituição à Catolé-Cardoso, que foi danificada pelo maior desastre ambiental em área urbana do mundo. A alternativa a Casal já apontou: é a região da APA Catolé. Nesse local, já existe a ETA Aviação. É onde fica o manancial que abastece as duas estações.

Inquérito civil

A Folha de S. Paulo disse que o Ministério Público Federal (MPF) abriu, este mês, inquérito para investigar os impactos do afundamento de solo no sistema de abastecimento.

“O inquérito civil instaurado pelo MPF é importante, porque o MPF chega como representante da sociedade para acompanhar todo esse procedimento, bem como para constatar que, mesmo a ETA tendo ficado fora da chamada ‘área de risco’, ela sofreu danos causados pelo afundamento em virtude da atividade mineradora”, pontua a Casal, na reportagem, sem identificar o nome do diretor ouvido pelo portal.

Apesar de a estação de tratamento não estar localizada no perímetro definido pelo Mapa de Risco elaborado pela Defesa Civil Nacional e Municipal, a Casal assegura que a ETA tem sofrido danos com o avanço de rachaduras. Por este motivo, vem cobrando da Braskem que a Estação de Tratamento de Água seja incluída na relação de prioridades desde fevereiro deste ano.

CBTU

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A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que tinha uma linha cortando os bairros destruídos pela mineradora, vive o mesmo drama. Os técnicos da estatal, sob a liderança do diretor presidente, José Marques, e do superintendente de Maceió, Carlos Jorge, têm se reunido com representantes da Braskem, mas, as negociações não têm avançado.

A companhia de trens urbanos cobra soluções para o novo traçado da malha ferroviária, interrompido pelo desastre na área que compreende cinco bairros: Pinheiro, parte do Farol, Bebeduro, Bom Parto e Mutange, onde o trem circulava há mais de 100 anos.

O diretor-presidente tem cobrado posicionamento da Braskem diante dos prejuízos causados aos milhares de usuários do transporte ferroviário de Maceió que, desde abril de 2020, não dispõem do trem, principalmente, no trecho da ferrovia entre Bebedouro e Bom Parto.

“Nosso ambiente de negócios é o transporte de pessoas para viabilizar a mobilidade urbana na Grande Maceió. Com o afundamento dos bairros, nosso negócio e o serviço prestado estão totalmente comprometidos”, disse José Marques.

VLT trafega por trilhos em Maceió | Wikimedia Commons

Prejuízos

Nos últimos anos, a malha ferroviária foi melhorada com a modernização dos trens e as linhas foram reformadas, inclusive, o trecho entre a Estação Central e Jaraguá foi totalmente recuperado e colocado como mais uma opção de transporte para os usuários dos bairros de Jaraguá, Ponta da Terra e Pajuçara.

Os especialistas em mobilidade urbana são unânimes em afirmar que o VLT é muito importante para melhorar a mobilidade urbana de Maceió e que deve ser entendido como prioridade nas soluções do trânsito da cidade. O desastre provocado pela Braskem tem impactado vários setores da economia, da educação, do abastecimento de energia e água e também no transito.

É cruel o que a Braskem tem feito com as vítimas do desastre e que vem afetando a vida de grande parte da população. Por um lado, procura retardar ao máximo as indenizações dos moradores e empresários. Por outro, dezenas de escolas publicas e privadas foram afetadas e não têm sido encaminhadas soluções definitivas para o problema.

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