Sociólogo diz que Braskem silenciou vítimas para se livrar do crime cometido em Maceió

1
Por Da Redação

Wagner Frota, que morou em Maceió por 10 anos, cobra ação contra o crime cometido pela mineradora Braskem S/A | Arquivo pessoal

A tragédia ambiental provocada pela mineradora Braskem S/A, em Maceió, continua alcançando repercussão internacional, e manifestações de protestos contra a omissão das autoridades alagoanas. Uma das mais recentes reações foi publicada pelo escritor e sociólogo brasiliense Wagner Frota*. Autor de diversos livros sobre o Xamanismo, Frota morou em Maceió de 1998 a 2008. Para ele, o crime praticado pela Braskem não pode ser ignorado pelo mundo.

“Como um desastre dessa magnitude, que deixou milhares de animais abandonados e fez sumir 17 hectares de mangue, devido à extração de sal-gema, permanece impune?” – indaga o sociólogo, na publicação divulgada em seu perfil social, sobre o fim de cinco bairros na capital (Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto, Mutange e Farol), tragados pela exploração desordenada de minério.

Ao se manifestar sobre o Caso Pinheiro, como ficou conhecida a tragédia, Wagner Frota cobrou a responsabilidade dos poderes públicos. “O que explica a omissão de absolutamente todas as autoridades federais, estaduais e municipais diante dessa brutalidade que levou 11 pessoas ao suicídio, dezenas de moradores e empresários à morte precoce por doenças psicossomáticas e milhares de cidadãos ao adoecimento, à depressão, ao desamparo e ao desalento?” – questionou o sociólogo.

Ele denunciou a estratégia que a mineradora Braskem utilizou para sair impune da atrocidade cometida em Alagoas.

A Braskem – afirmou – utilizou o mesmo método utilizado por diversas mineradoras em todo o mundo: o silenciamento das vítimas, através do apagamento institucionalizado das suas existências. “Esse modus operandi tem seu eixo central em acordos unilaterais com o sistema de Justiça (Ministério Público Federal, do Trabalho e Estadual, assim como a Defensoria Federal e a Estadual, Justiça Federal, CNJ e até o CNMP), sem a participação de quem sofreu o dano” – denuncia o sociólogo.

Bairros se assemelham a cenário de guerra | Foto: 082noticias

Entretanto, continuou Wagner Frota, “a realidade é complexa demais para ser interpretada dentro dos gabinetes burocráticos, antiquados e insensíveis das autoridades (grifo do autor)”.

“Não existe pacificação social sem que os afetados tenham voz, expressem suas dores e construam soluções conjuntas, mediadas pelo poder público através dos órgãos de controle. Milhões de reais investidos em propaganda institucional, amparadas em tais acordos com a justiça, consolidam a narrativa de aparente legalidade ao processo de silenciamento sistemático. Como em uma sociedade midiática o que os olhos não vêem o coração não sente, a opinião pública segue ignorando a catástrofe” – afirma.

“Maceió, o paraíso das águas, vive o inferno de um imensurável crime socioambiental em curso há mais de três anos, numa área urbana densamente povoada, equivalente a 500 campos de futebol, incluindo a borda do mapa de riscos da Defesa Civil. São quase 15 mil imóveis destruídos, cerca de 60.000 moradores expulsos, adoecidos, enlutados e desterritorializados, além de 4.500 empresas quebradas, o que já retirou a renda, o trabalho e o sustento de aproximadamente 30.000 pessoas” –  relatou o sociólogo brasiliense.

*Wagner Frota é autor dos livros Caminhando com os Ventos – Uma jornada xamânica; Xamanismo Visceral – O despertar do guerreiro; Xamanismo nos Andes – Cosmologia, Mitos & Ritos; e Xamanismo – O Caminho do Coração.

1 comentário

Deixe uma resposta