Uma tarde feliz

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Por Nivaldo Mota

 

O que você fazia no dia 7 de junho de 1981? Eu estava no estádio Municipal, de Arapiraca, assistindo a vitória do ASA sobre o CSA, por 2 x 1. Os gols do ASA foram marcados por Valmir e Zé Carlos, Osmar Barão descontou para os azulinos.

Entendam o seguinte: Arapiraca, à época, tinha como principal atração para os que gostam de futebol os jogos do ASA, a mobilização era grande, casa cheia em quase todos os jogos do alvinegro.

Torcedor do CRB, fui secar o CSA, obviamente. Devo confessar, morando em Arapiraca, quando o ASA não jogava contra o Regatas, torcia pelo “Fantasma”, natural isso, era o meu segundo time em Alagoas.

Atenção: nascido numa família de azulinos, meu pai, além dos irmãos mais velhos, são torcedores do CSA, mas como 99,9% dos nordestinos, além de torcer por um time local, torce também por um time de fora, especificamente do estado do Rio de Janeiro. O nosso caso, meu pai e todos os filhos, a preferência era o Flamengo.

Obviamente que eu como caçula dos homens, recebi uma carga e pressão para ser flamenguista, normal e natural. Teve uma vez em Penedo ainda, tinha lá meus oito anos, com raiva porque o Flamengo levou de seis do Botafogo, disse que era Vasco da Gama a partir dali, não demorou uma semana a paquera para ser Vascaíno, a pressão foi enorme!

Com relação a ser CRB, creio que como era Flamengo, foi deixado por menos pelo velho Nivaldo ( meu pai), sendo Flamengo, podia romper com a unidade azulina e lá fui eu ser CRB.

Então, meus dois times eram CRB aqui nas Alagoas e no Rio e no Brasil como um todo, Flamengo, era a tal da paixão dividida, era nosso politeísmo consentido, os deuses do futebol concordaria com esta tese.

Eu só não entendia muito bem o torcedor de Pernambuco, nesta época eu ouvia várias rádios, a Jornal do Comércio e a Clube do Recife.

Em dias de clássico por lá, eu sintonizava e ouvia as resenhas, era comum aquele sentimento de que lá rubro negro é Sport Recife, tricolor Santa Cruz e alvirrubro é Náutico.

Juro que não entendia e nem aceitava, como pode isso, eles tinha que torcer também por times de fora, mas eles tinham e tem razão até hoje, tem que valorizar o que é seu, este pertencimento é fundamental para o crescimento não somente no futebol!

Bom, voltando aquele dia, enquanto estava assistindo ao jogo do ASA x CSA, meus ouvidos estavam atentos a dois jogos quase que simultâneos, um Vasco x Flamengo no Maraca e CRB x Penedense no Rei Pelé.

O Flamengo venceu o Vasco por um a zero, golaço de Zico, entrando na área e deslocando Mazzaropi. O que surpreendeu a mim foi o público no Maracanã, um Flamengo e Vasco com apenas 45 mil pessoas, não era o público que todos imaginavam.

Flamengo e Vasco é o clássico dos milhões por sempre atrair as multidões, aliás são as maiores torcidas do Rio de Janeiro.

Aqui no Rei Pelé, ouvindo a Difusora ou Rádio Gazeta, confirmaria a vitória do CRB sobre o Penedense, com gols de Mundinho e Lula, aquele que teve a perna quebrada em um jogo contra o próprio Penedense, mas em outro turno.

Falam que a perna dele foi quebrada para tira-lo do campeonato, Lula e Américo faziam uma dupla magistral e o CRB, é bom lembrarmos, havia ganho o 1º Turno, caminhava célere para retomar a hegemonia do futebol alagoano.

Claro que estas lendas e “estórias”, sempre vão povoar as mentes dos torcedores, aqui e alhures, mas evidente que não se teve prova nenhuma de tal acontecimento trágico para o jogador e o clube.

Bom, saí do estádio de alma lavada, o CSA perdeu, o Flamengo venceu o Vasco e o CRB disparava como líder do 1º Turno do Alagoano de 1981. Posso dizer, foi uma tarde feliz!

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