14 de janeiro de 2022 5:39 por Da Redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou, nesta quinta-feira, 13, o segundo caso de paciente infectado por Candida auris, um fungo altamente resistente, e que pode ser fatal. O paciente está internado em um hospital de Pernambuco (PE). Este é o segundo caso confirmado e o terceiro surto do fungo no Brasil, já sendo considerado uma séria ameaça à saúde pública.
As duas vítimas são do sexo masculino, 38 anos, e do sexo feminino, 70 anos.
O fungo pode ter surgido a partir da superlotação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), imposta pela pandemia do coronavírus.
Em um Alerta de Risco (nº 01/22), a Anvisa esclarece que, apesar de no momento haver só dois casos confirmados, pode-se considerar que há um surto de Candida auris porque a definição epidemiológica de surto abrange não apenas uma grande quantidade de casos de doenças contagiosas ou de ordem sanitária, mas também o surgimento de um microrganismo novo na epidemiologia de um país ou até de um serviço de saúde.
A nota esclarece que o fungo é tolerante a antifúngicos, apresentando resistência aos medicamentos comumente utilizados para tratar infecções por Candida. A Anvisa alerta ainda que o Candida auris pode causar infecção de corrente sanguínea e também pode infectar o sistema respiratório, o sistema nervoso central e órgãos internos, assim como a pele, podendo ser fatal, principalmente em pacientes imunodeprimidos ou com comorbidades.
Os estudos até agora realizados mostram que, até 90% dos isolados de Candida auris são resistentes ao fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas. O fungo pode permanecer por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes, entre os quais, os que são à base de quaternário de amônio.
Como há dificuldade de identificação oportuna, pelos métodos laboratoriais rotineiros, e por sua difícil eliminação do ambiente contaminado, a propensão do vírus é causar surtos, alerta a Anvisa. Desde a identificação do caso suspeito, o hospital estabeleceu as medidas de precaução e adotou ações para prevenção e controle do surto.
A Coordenação Estadual de Prevenção e Controle de Infecção de Pernambuco foi notificada a respeito do caso suspeito, realizou visita técnica ao hospital e está prestando orientações, monitorando o surto e apoiando as ações de prevenção e controle de infecção.
A Agência está acompanhando as ações relacionadas ao surto, articulando-se com os envolvidos e apoiando as ações da força-tarefa nacional.
Os laboratórios de microbiologia foram orientados a intensificar a vigilância laboratorial para a identificação do fungo Candida auris, conforme descrito na Nota Técnica 11/2020. Diante de um caso suspeito ou confirmado de Candida auris, idevem informar imediatamente à Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do serviço de saúde e seguir as recomendações da Nota Técnica 11/2020 quanto ao encaminhamento da amostra ao Lacen.
Em tempo: Candida auris é uma espécie de fungo identificado pela primeira vez na década de 2010. Foi descrito em 2009, na Coreia do Sul, aparecendo mais tarde no Japão. Logo começaram a surgir surtos na Índia, África do Sul, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos, Reino Unido e na Espanha (Wikipedia).