Odisseia para assistir a partida do meu time do coração.

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Por Nivaldo Mota

 

Em 1981, morava em Arapiraca, tudo que se referia ao futebol, ficava sabendo através do velho e bom rádio de pilha; como dizia o bordão do programa do Adelson Alves, da Rádio Globo, “o amigo da madrugada”.

Também tinha as leituras com os jornais, meu saudoso pai, assinava o Jornal de Alagoas, presumo quando as coisas melhoravam ele assinava também a Gazeta de Alagoas. Mas lá em casa nunca deixou de ter revistas como Placar, Veja, Manchete, Cruzeiro e uma época mais atrás e que meus irmãos mais velhos atestam, ele também comprava a revista Realidade.

Pois bem, quando eu tinha 16 anos, comecei a trabalhar, numa serralharia, ficava na entrada da cidade, minha função era em tese tomar conta, ser o responsável pelo almoxarifado, mas não era somente isso, tirei os pingos da soda que ficavam nas portas e portões de ferro que eram produzidos na pequena fábrica, bem vindo ao capitalismo.

Trabalhava até sábado meio dia, recebia por quinzena, e aos domingos inventei de ser mesário da Liga Arapiraquense de Desportos Amadores, a famosa LADA, que era presidida pelo Sr. Lula da Funerária.

Domingo pela manhã, fazia dois jogos, geralmente no campo da Indústria Amerino Portugal. Ganhava o equivalente a vinte reais de hoje por jogo, voltava para casa perto do meio dia, não durou muito tempo tudo isso, mas enquanto durou valeu a pena.

Numa dessas, resolvi assistir a estreia do craque e badalado Alexandre Bueno no CRB, logo em um clássico contra o CSA, num domingo, seis de setembro. Decisão do Quadrangular do 2ª turno, não podia faltar.

Cumprir com as minhas obrigações com a LADA, mesmo que não precisasse tanto daquela grana, tinha recebido a quinzena do trabalho, mas compromisso é compromisso. Voltei voando, fiz os jogos da manhã, passei na funerária, deixei as súmulas das partidas, corri para casa, um rápido banho, almoço mais que ligeiro e correr para a “Agência “, na rua São Francisco, pegar o ônibus para Maceió, que saia as 13 horas.

O percurso do ônibus era por Taquarana e depois pegava a BR 316, passando por Maribondo, Atalaia e Pilar. A previsão de chegada em Maceió seria por volta das 15:30, se tudo ocorresse de forma normal.

Eu só estava pensando no jogo, nem lembrava que havia chovido na região entre Maribondo e Atalaia, naquela região tem um lugar conhecido como “Campina”, aquele trecho era lama pura quando chovia, transito parado, carretas atoladas, um sufoco.

Sem exagero, aquele trecho só foi definitivamente consertado entre 2003 a 2010, no governo Lula! Bom, com atraso, descomunal, chegamos a Maceió as 16:30, na rodoviária que era ali no Poço.

Imediatamente peguei um taxi para o Rei Pelé, correr para as bilheterias e conseguir um ingresso. Os cambistas faziam a festa na porta do estádio, enfrentei uma pequena fila, entrei no templo maior do futebol alagoano, estava lotado, mesmo assim me acomodei nas escadinhas que dão acesso as arquibancadas do quarto piso.

Os times já estavam em campo para iniciar a partida. Meu olhar primeiro foi observar se o craque Alexandre Bueno estava de verdade em campo, e ali estava o meia, meio calvo, com a camisa dez, conversando com o Almir Explosão.

Assim que começa a partida, todas as nossas expectativas se traduz dá melhor maneira possível, um lançamento a lá Zico, Bueno deixa Almir na cara do goleiro Zé Luís, que não consegue evitar o gol do CRB, com um minuto, metade do estádio está em êxtase total.

Mas o jogo era disputado, o CSA queria o bicampeonato, o primeiro turno o CRB já tinha ganho. Neste jogo, o último do quadrangular decisivo do 2º turno os dois maiores de Alagoas, chegaram iguais, para levantar a taça do 2º turno tinha que ter um vencedor, se desse empate seria necessário mais uma partida.

Eram dois grande times, treinados por dois gaúchos, Valmir Louruz no CSA e Valdir Espinosa no CRB. A partida terminou empatada, Dentinho marcou aos 40 do 2º tempo para o CSA. Naquele campeonato o equilíbrio era total.

Vi uma grande partida de futebol, emocionante, agora era voltar para Arapiraca, uma maratona eu iria enfrentar, mas tudo valeu a pena, viver aquele momento mágico valia qualquer sacrifício.

Uma rápida visita a minha avó materna, morava no Prado, depois um táxi para a rodoviária e voltar para a Arapiraca com o gostinho de querer ficar e assistir o jogo decisivo na quarta-feira. No ônibus, voltando, encontrei mais tres pessoas falando do jogo, os caras também assistiram aquela partida, só não lembro para qual time torciam.

Na minha cabeça de adolescente, tudo girava em torno do futebol, eu não lia, eu comia a Placar, ler o “Tabelão” era uma das minhas preferidas! Quando o meu pai viajava para Maceió, ficava sempre na expectativa dos jornais que ele trazia de fora, como o Globo, JB e o Jornal dos Sports, este era o meu favorito.

 

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