Burnout pode ser tornar epidemia nas empresas

Gestores e área de Recursos Humanos devem ficar atentos aos sinais de esgotamento dos funcionários para ajudar a evitar evolução do quadro

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Imagem ilustrativa

As empresas precisam ter mais atenção a problemas como o Burnout, síndrome ligada ao trabalho e caracterizada pelo esgotamento físico, mental e emocional dos funcionários. No Brasil, estima-se que 30% dos profissionais se encontram hoje sem condições emocionais, mentais ou físicas para seguir trabalhando.

Os dados da pesquisa da Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil) colocam o país como um dos lugares com maior número de ocorrência do problema. Se o ritmo continuar o mesmo, especialistas preveem que, daqui a 20 ou 30 anos, o Burnout vai ganhar proporção de epidemia.

Existem empresas que culpam o empregado pela situação e se eximem de qualquer responsabilidade, mas a sobrecarga de trabalho, horas extras frequentes e metas irrealistas, entre outras questões, compõem o ambiente insalubre. Isso, com o passar do tempo, desencadeia no trabalhador alterações em seu humor, ausência de motivação, cansaço físico, cansaço mental e até mesmo depressão.

Com o aumento do problema, não é somente o empregado que necessita de médico: a empresa também precisa de um diagnóstico organizacional. A área de Recursos Humanos – com o auxílio de uma consultoria externa, se for o caso – precisa realizar um “check-up” da gestão e da situação dos funcionários, que são o recurso mais importante da empresa. E, com apoio dos diretores e líderes, planejar e pôr em andamento as mudanças que precisam ser realizadas.

Além do diagnóstico organizacional, às vezes apenas “olhar” para os colaboradores já ajuda a prevenir que o esgotamento se agrave, pois como diz o ditado, “o corpo fala”. Antes de a pessoa chegar ao ponto crítico, ela pode sentir sinais que muitas vezes não têm a atenção devida, como falta de ar, dor no peito e crise nervosa.

As empresas que não se atentam à realidade do Burnout também saem perdendo. Alta rotatividade, baixa produtividade, aumento do número de licenças médicas e ações trabalhistas na Justiça podem se tornar frequentes.

“Se comprovada por atestado médico, a síndrome de Burnout autoriza o empregado a faltar ao trabalho sem prejuízo de sua remuneração, afastando-se de suas atividades para tratar do esgotamento profissional. Nesse caso, nos primeiros 15 dias de afastamento, o empregado recebe normalmente o salário da empresa e, caso o tratamento se estenda por mais de 15 dias é necessário pedir um benefício previdenciário ao INSS, denominado auxílio-doença acidentário”, orienta Gustavo de Macedo Veras, advogado e professor do curso de Direito no Centro Universitário Tiradentes (Unit Alagoas).

Para requerer o benefício, o empregado precisa apresentar ao INSS os seguintes documentos: RG, carteira de trabalho, atestado médico com indicação do motivo e da duração do afastamento, receituários, exames e outros documentos referentes à doença, além da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), completa o advogado.

Problema antigo

O impacto negativo do trabalho sobre a saúde se verifica desde a Revolução Industrial, iniciada no Século XVIII. Nos tempos modernos, no momento em que o celular aboliu a separação entre a vida pessoal e a profissional, a situação piorou. A precarização do trabalho e os altos níveis de desemprego forçam as pessoas até o limite de suas forças pelo medo presente. Nesse contexto, nenhuma área profissional está imune ao Burnout.

Médicos, enfermeiros e cuidadores estão entre as profissões mais acometidas. Os campeões, porém, são os agentes de segurança, policiais militares, vigias noturnos e guardas penitenciários (chamados também de policiais penais). Seguem nessa lista também os controladores de voo, motoristas de ônibus, executivos, atendentes de telemarketing, bancários, professores e jornalistas.

Independente da profissão, alguns comportamentos compõem um ‘grupo de risco’ para o Burnout. Perfeccionistas são exigentes consigo mesmos e com os outros, não toleram erros e dificilmente se satisfazem com os resultados alcançados, o que igualmente contribui para o esgotamento. Pessoas com necessidade constante de reconhecimento, de se mostrar indispensáveis, também estão mais propensas a ter o problema laboral. Ainda fazem parte deste grupo as pessoas que trabalham longe da família, que lidam com situações de perigo ou têm o rendimento avaliado por produtividade.

O que é o Burnout

A tradução literal do inglês da palavra burnout é “queimar”. A Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico que está associado à exaustão extrema, muitas vezes voltado ao trabalho, vinculado ao estresse profissional.

Os sinais e sintomas mais comuns são fadiga, insônia, aspectos ligados à ansiedade como palpitações, falta de disposição até para se levantar da cama para seguir para o trabalho, perda do prazer em realizar a atividade laboral, choro e perda do apetite.

“É claro que é possível que cada indivíduo apresente um sintoma específico, algumas pessoas podem apresentar mais sintomas que outras, mas o importante é avaliar que esses indícios estão diretamente ligados às atividades laborais”, destaca a psicóloga Karolline Helcias Pacheco, professora de Psicologia Organizacional da Unit Alagoas.

O tratamento é realizado com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com avaliação e medicação. “Há pessoas que, além disso, precisam de afastamento do trabalho e isso se faz necessário para que esse indivíduo possa tentar restabelecer sua relação com seu vínculo trabalhista de forma positiva. A psicoterapia entra como uma ferramenta muito importante, pois esse processo ajuda a realinhar o sujeito nesta relação com seu trabalho”, orienta a professora.

Fonte: Assessoria

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