Chega a Maceió o maior acervo particular de documentos da música alagoana

São discos, partituras, gramofones, radiolas, livros, gibis, revistas, fotografias, filmes que constituem o acervo

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Por Da Redação

O professor Claudevan Melo com o maestro Júlio Medalha | Arquivo pessoal

O acervo do pesquisador e colecionador alagoano Claudevan Melo chegou domingo (16) a Maceió, trazido em um caminhão com mais de três toneladas de documentos que tratam da história da música alagoana e brasileira. O translado foi integralmente custeado pelo pesquisador, que passou cerca de dois anos embalando os mais de cinco mil discos de cera, acetato e de 78 rpm que são muito frágeis.

O pesquisador Claudevan Melo nasceu em Rio Largo (AL), acaba de fazer 70 anos, dos quais cinquenta foram dedicados à organização de rico patrimônio cultural. Nos anos sessenta, estudou no seminário metropolitano de Maceió. Após desistir de ser padre, migrou para São Paulo, como era comum entre os nordestinos, e foi trabalhar como metalúrgico na montadora de automóveis Ford.

É um operário sofisticado, como é de se notar, adquiriu o gosto pela música e, sobretudo, pela disposição de colecionar tudo o que dissesse respeito à música alagoana, nos mais variados aspectos e gêneros. A sua dedicação é semelhante à de um garimpeiro que passa a vida à procura de pepitas de ouro.

“Muitas pepitas encontrei, em locais quase improváveis de encontrar alguma coisa de valor. Eram quase lixões de livros e material fonográficos. Nesses ambientes, encontrei valiosas obras de compositores alagoanos”, lembra Claudevan.

“Adquiri todos os discos gravados no Brasil e nos EUA  da grande cantora alagoana, de Atalaia, Thelma Soares”, continua. A cantora Thelma Soares foi revelada por Vinicius de Moraes e Baden Powell quando ela se apresentava no famoso João Sebastião Bar, na Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo.

A documentação a maior parte são exemplares únicos como todas as partituras dos compositores alagoanos do século XIX, como Misael Domingues, Alfredo Leahy, Tertuliano, Sizino Barreiros, Tavares de Figueiredo.

Hekel Tavares (1896-1969)

Toda a obra conhecida do compositor alagoano Hekel Tavares – que nasceu em Satuba, em 1896, e morreu no Rio de Janeiro, em 1969 – está no acervo. São mais de 100 discos em acetato e cera, além de objetos pessoais adquiridos em sebos e leilões e doações feitas pelo filho do compositor.

Hekel Tavares é o compositor, maestro, arranjador mais importante nascido em Alagoas, é um dos ícones da música brasileira, com amplo reconhecimento internacional.

A maior parte da obra de Hekel Tavares é constituída de originais de arranjos e orquestração feitos pelo maestro alagoano.

Acervo chegou a Maceió no ultimo domingo | Arquivo pessoal

Jararaca

José Luís Rodrigues Calazans, o Jararaca, nasceu em Maceió, em 1896, e morreu no Rio de Janeiro, em 1977. Foi violonista, cantor de emboladas, compositor e emérito letrista brasileiro. Morreu com 81 anos.

O Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira registra que “teve sua primeira viola aos oito anos de idade. Desde criança mostrava tendências à criação musical e humorística. Por volta de 1915, criou um grupo teatral na cidade de Piranhas, em Alagoas”.

Em 1921, o grupo “Os Boêmios” apresentou-se para completar o show dos “Oito Batutas”, no Cassino Moderno, interpretando a embolada “Espingarda pá”, de José Luís Rodrigues, que ainda não era o Jararaca.

A música agradou a Pixinguinha, que passou a incluí-la no seu repertório. O conjunto “Os Boêmios” transformou-se em “Os Turunas Pernambucanos”. Cada componente adotou o nome de um bicho como nome artístico.

Jararaca declarou ao MIS (Museu da Imagem e do Som) do Rio de Janeiro que aqueles tipos de apelidos baseados em nomes da fauna brasileira eram comuns no Nordeste.

Toda a obra conhecida de Jararaca faz parte desse monumental acervo organizado pelo pesquisador.

“É difícil falar que tenho toda as obras dos compositores e cantores, maestros alagoanos, mas posso afirmar com certeza que tenho tudo que é conhecido e grande parte do que nunca ninguém pode ter, por um motivo aparentemente simples: essas obras foram peças únicas gravadas. Isso era comum acontecer no início do século XX”, disse Claudevan Melo.

Alguns dos principais acervos:

  • Augusto Calheiros [1891-1956]
  • Benedito Silva [1859-1921]
  • Maestro Fon Fon [1908- 1951]
  • Peterpan [1911-1983]
  • Misael Domingues [1857-1932]
  • Jayme D’Altavilla [1895-1979]
  • Indio do Cavaquinho [1924-2003]
  • Luiz Wanderley [1931-1993]
  • Sadi Cabral [1906-1986]
  • Maestro Manoe Lima [1983- ?]
  • Reinaldo Costa (1916 -?]
  • Aldemar Paiva [1925-2014]

1 comentário

  1. No citado e notável elenco de musicistas alagoanos, do acervo ora chegado a Maceió, dois nomes de Penedo: 1) ‘Tertuliano’, com certeza de meu professor de música no Ginásio Diocesano, o venerando educador e maestro Manoel TERTULIANO Filho, cognome ‘professor Bembem’, negro, autor do Hino de Penedo (lançado em 12 de abril de1936), letra do bispo D. Jonas de Araújo Batinga; 2) Sizino Barreiros, de ilustre família local.

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