A decisão que perdi!

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12 de fevereiro de 2022 por Nivaldo Mota

Foto: Arquivo

Em 1993, o CRB começou o ano muito mal, disputando a Taça da Prata, não ganhou um jogo sequer, terrível participação Regatiana a nível nacional. Ao contrário do seu maior adversário, o CSA, fez uma bela campanha na chamada Taça de Ouro, a 1º Divisão da época.

Mesmo sendo desclassificado, o time azulino, conseguiu ir para a Taça de Prata daquele mesmo ano e chegou a final, perdendo para o Juventus de São Paulo. Ninguém imaginaria que o CRB desse a volta por cima, o tetra campeonato azulino estava bem encaminhado.

Mas.l, quando começou o campeonato alagoano daquele ano, os estaduais ainda era o grande glamour, ganha-lo era a prioridade para qualquer time, de Norte a Sul, de Lesta a Oeste deste Brasil. Tenho certeza, abrindo um parêntese aqui, a torcida do Flamengo ainda hoje sente aquele gol do Assis, aos 45 do 2º tempo, dando o título ao Fluminense em 1983.

Pois então, vencer o campeonato seria uma obrigação, e o CRB, com algumas contratações, como o meia Márcio Ribeiro, os zagueiros Saulo e Gilney, o lateral Melo, trouxe de volta Joãozinho Paulista, ainda tinha o Coca. Tinha jogadores da base, ou alagoanos,  como Beto (zagueiro), Ivanildo (ponta direita), Ricardo ( médio volante), Carlinhos do Pontal e Fanta!

O time Regatiano ganhou os três turnos, eu fui a vários jogos, como esquecer o 7 de setembro de 1983, um temporal desabou sobre Maceió, mesmo assim mais de 21 mil torcedores foram ao Rei Pelé assistir a uma grande partida entre CSA e CRB. E o Galo de Campina ganhou por 3 x 1, fundamental foi o gol do Zagueiro Gilney aos 39 do 2º tempo, empatando a partida e levando a decisão do 2º turno para a prorrogação.

O CRB, ganhador dos dois turnos iniciais, entrava agora como favorito no 3º turno, ganhando este turno seria campeão direto, sem precisar do chamado Super Turno Final. E o CRB foi um rolo compressor, foi o melhor da primeira fase, entrou no quadrangular do 3º turno com a vantagem de jogar as três partidas como mandante e não deu outra, chegou a 3º rodada precisando vencer o CSE de Palmeira dos Índios, para se tornar o grande campeão e desbancar o CSA.

Nesta época eu prestava serviços na Secretaria da Fazenda do Estado de Alagoas, como terceirizado. O jogo seria uma quinta-feira a noite, horário normal das 21 horas. Me preparei para ir a este jogo, estava engasgado com o tri dos azulinos, meu lugar tinha que ser no Rei Pelé.

Mas não foi isso que aconteceu. Meu pai, Sr. Nivaldo, foi diagnosticado com uma cirrose hepática, na época transplante de fígado somente no estrangeiro, era um sonho impossível! Era tocar a vida e faze-lo viver o maior tempo possível. Na época, morávamos no Pinheiro, na rua Miguel Palmeira, Ed. São José.

Na véspera do jogo, ele chegou pra mim e perguntou, “você vai a este jogo”? Eu respondi que sim, ele retrucou dizendo, “não vá, fique em casa”. Eu não sei o que passou pela cabeça dele, não sei se medo que eu me empolgasse demais e fosse comemorar até mais tarde o título, não sei se foi o medo de eu vir sozinho tarde da noite e diante de sua fragilidade na saúde quis se antecipar a supostos fatos que ele somente antevia.

Não disse mais nada, me afastei dele um pouco, sorri um sorriso amarelo e fui para o meu quarto refletir. No outro dia, me arrumando para ir trabalhar, falei com ele e disse que não ia aquele jogo, que eu e ele escutaria no rádio, aliás um super rádio, senti nele um alívio e com isso me senti bem também e decidi não ir ao estádio.

A noite como combinado, ficamos um pouco ouvindo a partida, mas quando o CRB fez 2 x 0 ele foi dormir. Como era um azulino, não quis ouvir a festa da torcida Regatiana. Mas tudo bem, o placar final foi 3 x 1, CRB campeão, diante de mais 14 mil torcedores que foram ao estádio naquela noite de quinta.

No outro dia, pegando o ônibus logo cedo, indo ao trabalho, zoar com os azulinos, quando no corredor da Fernandes Lima, passa um ônibus carregando passageiros, com uma bandeira Regatiana do lado da janela do motorista, a cidade avermelhou naquela manhã de sexta-feira.

Sai do trabalho correndo, peguei o primeiro buzão, tinha que subir o mais rápido porque queria ver os gols antes do Globo Esporte nacional, a parte local era apresentada por Márcio Canuto, cheguei a tempo, era a glória final. Aquela festa, mesmo não indo ao estádio no ápice da glória Regatiana, já bastavam para este torcedor, foi um final que eu não imaginei em junho daquele ano, mas naquele 3 de novembro, foi uma verdadeira explosão de amor e paixão para o meu time do coração!

 

 

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