terça-feira 28 de maio de 2024

1985: Foi o clássico que não lembramos.

Foi o clássico que não vi e nem quis saber do resultado, pouco importava, o que eu queria era saber de meu pai sairia bem daquela UTI.

14 de março de 2022 7:19 por Nivaldo Mota

O ano de 1985 transcorria com a atmosfera ainda das Diretas Já! Com o advento da Nova República, politicamente o Brasil caminhava para a necessária restauração de democracia perdida através de um golpe militar em 1964.

No futebol alagoano, a dinâmica era a mesma, o CSA que tinha sido campeão em 1984, caminhava célere para ser Bicampeão estadual em 1985. Tinha uma base muito boa, mesmo com a mudança de técnicos, saiu Waldemar Carabina, entraria Fidelis.

Mas as coisas não era apenas futebol, era política, era a preocupação em casa, com o meu pai, “Sr. Nivaldo Mota, não vinha bem de saúde, desde 1983 ( ou até mesmo antes disso, sem nós sabermos ou desconfiarmos), com um processo de agudização do fígado, a cirrose tinha consumido quase que totalmente este órgão vital.

Para quem gostava de tomar suas cervejas, conhaques e whiskys. Desde 83 que vinha levando uma vida de monge, como diria certa vez um primo querido nosso , Ayrton Mota Mendonça, que infelizmente nos deixou este ano.

Pois bem, no primeiro turno do Alagoano daquele ano, CSA e CRB fizeram uma partida extra, foi um clássico em que eu não liguei, sabia que teria o jogo, mas o foco e os pensamentos positivos estavam voltados para a UTI do Hospital dos Usineiros, aonde meu pai fora levado no dia daquele jogo.

Em 1984, meu pai teve uma crise muito forte, foi a UTI, se recuperou. Um ano depois, teve mais esta crise, não conseguiu vencer, morreu aos 56 anos, faria 57 em setembro de 1985. Lembro que uma semana antes, chegando em casa, na Buarque de Macedo, fico sabendo que ele tinha passado mal no Hospital do SESI ( hoje Arthur Ramos), tinha ido fazer um processo de limpeza do fígado, uma espécie de hemodiálise, o fígado dele não filtrava mais.

Ficou internado por alguns dias naquele hospital, foi transferido para o Hospital dos Usineiros, teve uma certa melhora, tomou banho, passou seu “Leite Colônia”, pediu seu rádio 12 faixas (providenciado por mim o mais rápido possível, queria ouvir o jogo, ele era azulino), fez a barba, estava pronto para sair dali, vitorioso novamente e resistente. queria viver.

Mas não deu, no dia do clássico, a tarde, começa a sentir dores, é transferido para a UTI daquele hospital. Fiquei numa sala de espera, a noite, tendo a companhia de um primo, Fernando Roberto, o Betinho.

Não escutei o jogo, não tinha clima para isso, ouvi os funcionários do hospital comentando, o CSA ganhara do CRB por 2 x 1. Notícia triste do jogo, um torcedor caiu do quarto piso, morrendo instantaneamente no estacionamento do estádio Rei Pelé.

Naquele 27 de junho, foi o clássico que não vi e nem quis saber do resultado, pouco importava, o que eu queria era saber de meu pai, se sairia bem daquela UTI. Na madrugada do dia 28, uma sexta-feira, as duas da matina, na sala aonde me encontrava o telefone toca, o enfermeiro me pede para ir a UTI. Caminhando pelo corredor interminável, me encontro com a realidade, a notícia vem seca e implacável, “seu pai acaba de falecer”.

Não choro, encontro forças para ir ao orelhão, ligar para o meu irmão Roberto Mota, dou a notícia trágica ( por mais que soubéssemos que o quadro dele era irreversível, sempre há aquela esperança de uma recuperação), mandei avisar a todos, a minha mãe, os tios e tias, ao nossos irmãos.

Fazendo as minhas pesquisas, me deparei com este jogo e com esta data, a história é implacável, foi assim, dessa forma, que lembro do jogo, não tem como não lembrar.

 

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