Tragédia da Braskem se agrava e já há casas nos flexais em estado “irrecuperável”

Denúncia foi feita pela vereadora Teca Nelma, nas redes sociais

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Por Da Redação

Rachaduras comprometem casas na região | Reprodução/Twitter

A vereadora por Maceió Teca Nelma (PSDB) usou o Twitter, nessa segunda-feira (25), para fazer uma grave denúncia: o número de casas e famílias afetadas pelo desastre socioambiental da Braskem só cresce.

Agora, os moradores do Flexal de Cima e Flexal de Baixo, em Bebedouro, que antes amargavam o ilhamento social provocado pelo esvaziamento dos bairros nas adjacências, também sofrem com as casas rachando. Eles entraram na luta para serem realocados e indenizados pela mineradora.

Outro parlamentar, o vereador Dr Valmir, destacou que a batalha será difícil, diante do poder econômico da Braskem. Por isso, diz que a união de todas as vítimas e essencial nessa batalha.

A fala ocorreu no último sábado (23), quando um estudo elaborado por técnicos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foi apresentado à comunidade, durante evento organizado pelo Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB).

“Os estudos compreendem algumas dimensões do crime socioambiental da Braskem em Maceió e acabou comprovando algo que o MUVB e a Associação reivindicam há muito tempo: a necessidade de realocação de algumas áreas não contempladas pelo mapa de risco da Defesa Civil. Agora, a organização encaminha um requerimento aos entes públicos competentes para exigir a relocação das comunidades remanescentes”, destaca nota da Associação.

Moradores fazem laudo por conta própria  

Negligenciados, a vereadora conta que eles mesmos contrataram um engenheiro civil para avaliar a situação dos imóveis e a notícia não foi nada animadora. “Das 62 vistoriadas nestas localidades, todas apresentaram rachaduras, fissuras, pisos quebrados. Grande parte em grau irrecuperável!”, denunciou a parlamentar nas redes sociais.

Vereadora relata desespero de moradores | Reprodução/Twitter

Segundo Teca Nelma, os impactos ambientais também atingem a vida aquática, causando ainda prejuízos sociais e econômicos. “Vocês lembram da contaminação dos peixes da Lagoa Mundaú? Um laudo apresentou indícios de amônia, sulfato, condutividade elétrica, sódio, cádmio (metal pesado, um dos três elementos mais tóxicos) e clorofórmio. Além da Lagoa ter baixado 2 metros de profundidade. Alguém surpreso?”, questiona.

Post também denuncia contaminação e redução do nível da lagoa | Reprodução/Twitter

“É preciso deixar claro que ninguém nunca teve acesso aos Estudos Prévios de Impacto Ambiental, assim como os impactos de vizinhança. Em nenhuma das reuniões com a comunidade esse estudo foi apresentado”, acrescentou.

O estudo sobre os impactos ambientais na lagoa Mundaú, apresentado aos moradores no sábado pela professora dra. Regla Toujaguez e pelo professor dr. Emerson Soares, aponta a presença de vários contaminantes — inclusive, metais pesados — que representam um risco à vida aquática e à saúde pública da população que se alimenta e comercializa os organismos da lagoa. Segundo os pesquisadores, o risco de contaminação e intoxicação é mais um motivo para a remoção dessas comunidades.

De acordo com Teca Nelma, nenhum representante do Ministério Público e da Defesa Civil se fez presente durante reunião com a comunidade e “o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada da Prefeitura de Maceió foi vaiado pela população após propor soluções paliativas e ignorar a necessidade urgente de realocação”.

Moradores lutam por realocação e indenizações | Reprodução/Twitter

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