terça-feira 31 de janeiro de 2023

Na trilha certa

Perguntei à Lara Melo o porquê do título ‘Trilha Caeté’ e ela obtemperou que não saberia responder bonito.

19 de dezembro de 2022 4:35 por Mácleim Carneiro

Divulgação

 

Depois de merecidas e autoproclamadas férias, é com imenso prazer que volto à lida, aqui na Depois do Play, trazendo considerações sobre o álbum ‘Trilha Caeté’, recém saído do forno de encantos da cantora alagoana Lara Melo, que dispensa apresentações ao público aquariano. Porém, vale lembrar aos nossos 14 leitores, que Lara Melo é a dona da voz e estrela do grupo Cai Dentro, além de intérprete definitiva da obra de um dos maiores compositores de Alagoas, Chico Elpídeo. Aliás, sou daqueles que acham que quem vê capa vê coração! Sendo assim, a capa do álbum ‘Trilha Caeté’, assinada por Silvano Almeida, é de uma beleza sutil em detalhes e palheta de cores em tons terrosos, que, imediatamente, despertam curiosidade pelo seu conteúdo. E digo mais, a minha curiosidade foi plenamente correspondida!

 

Esse é o segundo álbum lançado por Lara Melo, já que o seu primeiro registro fonográfico foi o álbum homônimo ao show ‘Vertente’, um produto bastante fiel ao que significou o primeiro show protagonizado pela cantora. Portanto, ao contrário do álbum anterior, ‘Trilha Caeté’ foi gravado em estúdio, onde o trabalho tem grandes possibilidades de tornar-se impecável, do ponto de vista técnico e criativo. É claro, a mão do produtor musical é fundamental na qualidade do resultado final. Para tanto, Lara Melo escolheu Wilbert Fialho a dedo! É ele quem assina a produção musical e os arranjos desse belo trabalho, com a competência e talento que lhes são peculiares.

Repertório Coerente

Como não poderia deixar de ser, Chico Elpídio assina quatro das dez canções do álbum. No entanto, Lara Melo ampliou seu leque de possibilidades interpretativas, trazendo outros compositores e seus universos musicais, onde o samba deu e pediu passagem para outras vertentes rítmicas e de gêneros, sem perder a coerência traduzida no repertório escolhido para formatar esse trabalho. Certamente, pensado e realizado aos moldes do que soa simples e admirável na bela voz de Lara Melo. Como é o caso da ‘Toada Caseira’ (Chico Elpídio e Pablo de Carvalho), que abre o álbum de maneira tão dolente, que os primeiros compassos, cantados à capela, poderiam se alongar ad libitum.

‘Pra Fazer Um Bom Samba’ (Mikla Waltari, Willbert Fialho, Bruno Palagani e Lara Melo) traz todas as referências do trabalho da artista no grupo Cai Dentro. Desde a parceria, assinada por todos os componentes do grupo, até ao arranjo, também assinado por eles e, claro, a atmosfera sonora, como se estivéssemos tête à tête numa roda de samba protagonizada pelo grupo, numa noite qualquer da boêmia aquariana. Daí, a roda de samba ganha mais animação em ‘O Remédio é Sambar’ (Bruno Palagani e Fernando Fiúza), com a mesma pegada e arranjo do Cai Dentro, como a indicar que a trilha é o samba e que a primeira faixa foi só uma pegadinha. Então, ‘Lado’ (Roberi Rei e Lara Melo), em forma de bossa, dá uma suavizada na percepção do que indicava as duas faixas anteriores. A letra fala muito dos parceiros musicais e de vida, numa atmosfera à beira-mar.

 

Ares de Contemplação

Exatamente na metade do álbum, o samba começa a dar passagem a outros gêneros e, no caso, ‘Duas Solidões’ (Chico Elpídio e Pablo de Carvalho) acontece como salsa à média luz, que se assanha no final, com improvisos característicos de trompete (Kedson Selestino) e violão (Wilbert Fialho). ‘Teu Mar’ (Luciano Falcão) envolve o ouvinte em ares de contemplação, sugerida por uma canção de melodia tão singela e bela, que causa um apelo de colo, aconchego ou algo bom já vivido. Tudo, muitíssimo bem conduzido pela interpretação sutil e justa de Lara Melo e pelos contracantos e fraseados do violão de Wilbert Fialho. Como que, para não quebrar a atmosfera da canção anterior, ‘Lá Vem o Amor’ (Junior Almeida e Fernando Fiúza) tem no violão o único suporte harmônico, necessário e preciso, para que o canto de Lara Melo confira ainda mais leveza a essa mântrica canção, como é do feitio da lavra do seu compositor.

‘Fiz Questão’ (Chico Elpídio e Pablo de Carvalho) é forte o suficiente para romper o clima contemplativo das duas faixas anteriores e criar um contraste com a leveza anterior, provocando um dos pontos altos desse álbum. Antes de chegarmos à última faixa, passamos por ‘De Brasis a Maceió’ (Mácleim), cujo comentário não poderia ser outro, se não de gratidão à Lara Melo, pela gentileza e generosidade em me proporcionar a honra desse samba em seu repertório. E, sobretudo, pela maneira tão respeitosa à estrutura melódica e harmônica de um samba, que tem lá suas idiossincrasias melódicas, no que lhe é original. Sua leitura, arranjo e interpretação, agregaram imenso valor a um sambinha antigo, composto lá no início dos anos 1990. ‘Suave’ (Chico Elpídio e Pablo de Carvalho) fecha o álbum com uma pitadinha de funk swingado, que, certamente, teria outra cara se o fraseando de metais não fosse emulado por um timbre de teclado já um tanto démodé e fora do contexto sonoro, que dá cor à toda atmosfera acústica desse trabalho, como um todo.

Perguntei à Lara Melo o porquê do título ‘Trilha Caeté’ e ela obtemperou que não saberia responder bonito. Todavia, adorei sua resposta e vejo beleza no que ela escreveu e ratifica a musicalidade única e rica de uma terra que já foi Caeté por merecimento. Escreveu ela: “Trilha, pelo caminho percorrido e também por ser uma trilha sonora. Caeté, para remeter ao que há de alagoano, apesar da origem ser indígena e não ter nada de indígena no repertório, mas tem essa coisa da raiz, de coisas da nossa terra: chão, caminho, barro mesmo!”

SERVIÇO
Trilha Caeté, Lara Melo
Plataformas digitais: Apple Music, Spotify, Deezer, YouTube, Sound Cloud e Napster

No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!!!

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