segunda-feira 15 de julho de 2024

Dos livros que li

Vamos comprar um poeta (Afonso Cruz)

 

Afonso Cruz. Foto: Cortesia

São tantos os clássicos que ainda não li e que pretendo lê-los, que tenho desapercebido de alguns escritores que estão muito bem posicionados nas prateleiras do mercado literário. É o caso do português Afonso Cruz, que além de escritor é também ilustrador, músico e cineasta. Com apenas 52 anos, já tem mais de trinta livros lançados. Alguns, com títulos bem interessantes, como: Jesus Cristo Bebia Cerveja, A Carne de Deus, Assim, Mas Sem Ser Assim, Como Cozinhar Uma Criança, O Macaco Bêbedo Foi à Ópera, Paz Traz Paz…

Quem me conhece sabe que o melhor presente que eu poderia receber é um livro. E foi assim que tomei conhecimento do escritor Afonso Cruz, por meio do livro ‘Vamos Comprar Um Poeta’, lançado em 2016. Fosse eu um crítico literário, certamente, iria classificar essa obra pelos rigores acadêmicos, porém, como folgo em não sê-lo, valho-me das minhas emoções e impressões precárias, para dizer que li um livro intrigante e provocativo, quase desconfortável, sem no entanto ser. São apenas 91 páginas, com capítulos bem curtos que, quando dei por mim, havia consumido de uma só pegada.

Antiutilitarismo

A distopia de um mundo numeral, valorado em medidas e quantitativos, certamente, é um mundo bem visível aos olhos da realidade capitalista. Para contrapor-se a esse mundo, o autor, por meio da personagem narrativa, que um belo dia pede ao pai para adquirir um poeta e o leva para casa, descreve, com imensa sensibilidade, a verdadeira utilidade do que é inútil, e aloca a dimensão do antiutilitarismo pela perspectiva das artes e da poesia, mensurando em palavras o seu imensurável valor.

Trata-se de uma obra sensível, inteligente e atualíssima, cujo apêndice é tão importante e esclarecedor quanto a trajetória percorrida desde a primeira página do primeiro capítulo. Esbarrar em construções afirmativas de que os versos libertam as coisas, é um achado delicioso. ”Quando percebemos a poesia de uma pedra, libertamos a pedra de sua “pedridade”. Salvamos tudo com a beleza. Salvamos tudo com poemas.” Ao escrever que “a ausência de utilitarismo numa obra de arte não lhe retira o pragmatismo”, Afonso Cruz, com seu belo livro ‘Vamos Comprar Um Poeta’, ratifica em mim o que insisto em crer: a arte tem um fim em si mesma!

No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!!!!

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