sexta-feira 4 de abril de 2025

Dos livros que li – Tudo é Rio (Carla Madeira)

Quando digo que mergulhei fundo, é porque, metaforicamente, foi como um mergulho em apneia.

 

Não resisti ao canto da sereia e logo que terminei a leitura do Véspera, o terceiro romance da escritora mineira Carla Madeira, mergulhei fundo no seu primeiro sucesso editorial, o romance Tudo é Rio, lançado em 2014. Agora, só falta A Natureza da Mordida, publicado em 2018, mas esse é outro assunto.

Quando digo que mergulhei fundo, é porque, metaforicamente, foi como um mergulho em apneia, daqueles que você demora o máximo de tempo possível contemplando as belezas submersas e só volta à tona quando é imperativo respirar. Aí, você respira, enche os pulmões de ar e mergulha novamente, ávido para retornar às belezas e mistérios de um mundo habitado por personagens intrigantes e por uma realidade ilusória e magnética.

Triângulo Amoroso

Pois bem, bastaram-me dois desses mergulhos, para que eu desse cabo da leitura de mais um envolvente romance dessa escritora que, certamente, já tem o seu lugar garantido entre os autores de musculatura da literatura brasileira contemporânea. Esse é um daqueles livros que você pode indicar sem medo de causar qualquer tipo de decepção ou desencanto. Por isso, concordo plenamente com o que escreveu Martha Medeiros, em uma das orelhas do livro, referindo-se à habilidade da autora em “conduzir a trama para longe do lugar-comum e dominar o erotismo – ela narra o explícito sem ser vulgar, ela perturba e fascina, é atrevida e lírica”.

A trama, gira em torno do triângulo amoroso entre marido, mulher e uma prostituta, com variantes e férteis percepções individuais e coletivas, onde cada personagem revela faces e facetas desconhecidas, porém, previsíveis no escopo das aptidões e idiossincrasias humanas. Todavia, o que mais me encanta nesse belo romance é a inquestionável capacidade do refinamento da síntese poética, que volta e meia se revela no urdimento da prosa da autora.

Encanta-me frases assim: “Não disse nada, apenas ganhou a rua tentando caber no mundo”. Ou, ainda: “O perdão não muda o passado. O passado é eterno”. Por isso, depois de conhecer a obra de Carla Madeira, meu passado não carece de perdão, pois coube-me o mundo.

No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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