27 de dezembro de 2024 9:22 por Da Redação
A Associação do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem emitiu nota desmentindo informações divulgadas pela multinacional Braskem S/A, sobre ações nos bairros Flexal de Cima e Flexal de Baixo, em Maceió. Em publicação paga no site UOLNotícias, a multinacional diz que provocou nos Flexais um fenômeno que definiu como “ilhamento socioeconômico”, e que está adotando medidas para sanar os prejuízos gerados.
Para a Associação, no texto publicado a Braskem tenta suavizar o crime socioambiental cometido em Maceió, particularmente na região dos Flexais. “No entanto, essa narrativa não corresponde à realidade vivida pelos moradores, que continuam sofrendo com as consequências de anos de negligência”.
A entidade representativa dos moradores vai mais longe e acusa a multinacional de não considerar os interesses da maioria dos moradores dos dois bairros, diretamente afetados pela destruição de cinco bairros na capital alagoana (Bebedouro, Bom Parto, Pinheiro, Mutange e Farol).
O MUVB defende uma indenização justa para os moradores que querem sair dos Flexais, pois além de ficarem completamente isolados, sofrem os mesmos riscos que levaram ao afundamento das cinco localidades acima.
Na nota em que contesta a reportagem do site Uol, o movimento cita laudo antropológico realizado por perito do Ministério Público Federal (MPF/AL) que constatou que mais de 70% da população afetada deseja a realocação com indenização justa.
Para mostrar que os Flexais de Baixo e de Cima enfrentam sim risco geológico, o MUVB cita depoimento de Thales de Queiroz Sampaio, servidor aposentado do Serviço Geológico do Brasil – SGB/CPRM, que foi o técnico coordenador dos estudos que identificaram a mineração da Braskem como responsável pelo fenômeno da subsidência do solo e das fissuras e rachaduras das residências em cinco bairros de Maceió.
Ouvido duas vezes na CPI da Braskem, convocada pelo Senado Federal, o técnico afirmou que a região dos Flexais está sim na área de risco geológico provocado pela mineradora, e citou as inúmeras subsidências, fissuras e rachaduras existentes em diversas casas.
Por sua vez, a Braskem insiste que, “apesar da proximidade com os bairros desocupados, a região dos Flexais, que margeia a Lagoa Mundaú, não apresenta indícios de subsidência relacionada à extração de sal-gema e, por isso, não foi incluída no perímetro de risco criado pela Defesa Civil em 2020”.
A multinacional só admite que, ao remanejar mais de 40 mil pessoas de cinco bairros na capital alagoana, destruídos em consequência da exploração de sal-gema, provocou nos Flexais um fenômeno que definiu como “ilhamento socioeconômico”.
Para manter as famílias nos dois bairros, a Braskem diz que oferece cursos de capacitação profissional em áreas diversas, que realizou a Feira dos Empreendedores do Flexal, e que executa o Projeto de Desenvolvimento dos Flexais, destinado aos pescadores da região.
Para o Movimento das Vítimas, entretanto, “a tentativa da Braskem de limpar sua imagem com campanhas publicitárias não pode apagar a dura realidade enfrentada pelas vítimas”.
Na nota, a entidade exige não apenas a realocação imediata para um local seguro, mas também indenizações justas que reflitam os danos reais sofridos por essas famílias.
“A oferta de R$ 25 mil como reparação é um insulto à dignidade das vítimas e demonstra o descaso com que a empresa trata as pessoas afetadas por seu crime. É hora de a Braskem assumir plenamente sua responsabilidade, garantindo que as vítimas dos Flexais sejam tratadas com respeito e recebam condições para reconstruir suas vidas com dignidade” – encerra a nota, contrariando o que a multinacional afirma na nota publica no UOLNotícias.