1 de março de 2025 9:05 por Da Redação

Por Carol Marques, do Extra
Quando se fala em “Ainda estou aqui”, a primeira pessoa que vem à cabeça, claro, é Fernanda Torres. Mas ela divide seu protagonismo com uma personagem que não aparece propriamente no filme, indicado ao Oscar em duas categorias, além da indicação de Melhor Atriz para a brasileira.
A música-tema, “É preciso dar um jeito, meu amigo”, é tão citada quanto, e explodiu nos streamings da vida após a estreia do longa de Walter Salles.
Cantada por Erasmo Carlos, a canção foi composta em 1971, e era uma espécie de música “lado B”, ou mais alternativa, como se dizia na época dos discos de vinil que se dividem em dois lados. E não só por ele, como a grande maioria pensa.
A letra, escrita em poucos dias, é de Roberto Carlos, amigo e parceiro de vida do Tremendão. Erasmo lançaria a música em seu álbum “Carlos Erasmo…”, que, segundo a crítica especializada, definiu o cantor após sua passagem pela Jovem Guarda.
“É preciso dar um jeito, meu amigo” foi feita em alusão às atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil e uma resposta ao desaparecimento do deputado Rubens Paiva e de muitos outros. Um ano antes, Roberto havia retornado de Londres, onde visitou Caetano Veloso no exílio. Na volta, nasceria “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”, em homenagem ao cantor baiano. A censura não entendeu a proposta e acreditou se tratar de mais uma canção romântica do Rei.

A grosso modo, “bons rapazes” oriundos do movimento quase pueril da Jovem Guarda, Roberto e Erasmo estavam longe do faro dos censores na época, pois não “ofereciam perigo à sociedade”. Mas os dois expressaram seus manifestos em forma de letra e melodia. Em entrevista exclusiva ao EXTRA, Roberto relembra como foi feita a música de 54 anos, porém, superatual e “adotada” pelos jovens a reboque do filme:
“Numa noite em que Erasmo e eu estávamos compondo, em um momento, começamos a falar de questões em geral do Brasil, e eu disse: ‘é preciso dar um jeito’. Ele repetiu a frase: ‘É preciso dar um jeito, meu amigo”. Então eu disse: ‘Isso pode ser o tema de uma música nossa. É Preciso dar um jeito, Meu Amigo”.
— Roberto Carlos

Roberto Carlos conta que a melodia meio que nasceu ali mesmo, na hora em que teciam suas considerações ao delicado momento do país e à distância dos amigos.
“Eu cantarolei essa melodia sem letra, o Erasmo também seguiu cantarolando a melodia sem a letra. Nos encontramos depois, e eu já tinha adiantado uma boa parte da letra da música, partindo da conversa que tivemos antes. E, aí, a música ficou pronta”, completa.

O cantor se diz orgulhoso e feliz com a repercussão que “É preciso dar um jeito, meu amigo” ganhou no mundo inteiro. Até porque, pouca gente sabe, dessa face, digamos, “militante” de Roberto Carlos, muitas vezes, apontado como “isento”, injustamente.
“Vejo com muita alegria, e meu agradecimento muito grande a Fernandinha Torres. Soube que foi ela quem sugeriu essa canção para o filme e ao Walter Salles Jr. Meu aplauso para Selton Mello e à minha querida, Fernanda Montenegro, e a todo esse grande elenco e equipe que contribuíram para esse grande sucesso no Brasil e no mundo. Um orgulho para todos nós”, festeja ele, que ainda não assistiu ao filme nos cinemas:
“Mas já estou me preparando para essa grande emoção!”.