27 de junho de 2025 7:04 por Da Redação

Por Geraldo de Majella
A derrubada do aumento do IOF na Câmara dos Deputados revela que a disputa vai muito além de uma questão tributária. O que está em curso é uma tentativa clara de desestabilizar o governo Lula, impedir a implementação das políticas sociais prometidas nas urnas e enfraquecer sua base popular. É antecipada a sucessão presidencial, comandada pelos mesmos setores que lucraram com cortes, privatizações e desmontes durante o bolsonarismo, e que agora atuam para impedir que o Estado volte a servir à maioria da população.
O decreto do governo Lula previa aumentar o imposto sobre operações de crédito para pessoas físicas com renda mensal acima de R$ 50 mil e para grandes empresas e bancos que movimentam altos valores. Essa medida atingiria menos de 1% da população e geraria cerca de R$ 7,3 bilhões por ano para financiar políticas sociais e corrigir o imposto de renda da classe média. Porém, o Congresso, com apoio da direita, extrema-direita e centrão, derrubou a proposta.
A votação atendeu diretamente aos interesses dos bancos, fundos de investimento, bilionários e grandes grupos de mídia, empenhados em preservar os privilégios fiscais dos super-ricos. O imposto rejeitado não afetava os trabalhadores, não encarecia alimentos ou combustíveis, nem atingia o crédito popular. Seu alvo era o topo da pirâmide econômica — pessoas físicas de altíssima renda e empresas que lucram bilhões. A reação foi violenta porque mesmo um avanço simbólico na justiça fiscal ameaçava um pacto silencioso que mantém os mais ricos praticamente isentos de tributos.
Enquanto isso, nos bastidores, uma narrativa alimentada por colunistas e economistas alinhados ao mercado acusava o governo de “aumentar impostos”, quando na verdade a proposta era um passo modesto rumo à justiça tributária, sufocada por interesses arraigados há décadas.
Essa derrota legislativa expõe a verdadeira correlação de forças no Congresso e deixa claro que sem enfrentar o poder econômico não haverá justiça social. Os super-ricos seguem blindados, e a conta, como sempre, recai sobre quem trabalha, vive do salário e depende dos serviços públicos como SUS, Bolsa Família e escolas públicas. A lógica é antiga e cruel: proteger os de cima e sacrificar os de baixo.





