quarta-feira 11 de março de 2026

Hugo Motta, herdeiro do esquema: a linhagem de Eduardo Cunha e a oligarquia da Paraíba a serviço dos super-ricos

Eles querem um Brasil onde os pobres paguem a conta e os bilionários fiquem isentos. Hugo Motta é um nome de confiança desse projeto de país excludente e desigual

3 de julho de 2025 7:19 por Da Redação

Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

Por Geraldo de Majella

O jovem deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) desponta como nome da linha sucessória do “centrão patrimonialista” que, sob a liderança do todo-poderoso e ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha, institucionalizou uma organização criminosa no coração da Câmara dos Deputados, com repercussão nacional. A ascensão de Motta, líder do Republicanos e hoje presidente da Câmara Federal, é resultado direto de um projeto de poder que se nutre do desvio de recursos públicos, da blindagem mútua entre seus integrantes e da manipulação do orçamento da União em benefício dos deputados e da proteção de grupos econômicos.

A trajetória dessa linhagem foi brevemente interrompida durante a presidência de Rodrigo Maia, mas retomada com força total no governo Bolsonaro, com a chegada de Arthur Lira ao comando da Câmara. Foi sob sua presidência que o modus operandi de subtração do orçamento público se sofisticou: primeiro com o “orçamento secreto” e, mais recentemente, com as “emendas Pix”, mecanismos usados para distribuir bilhões de reais sem transparência, em troca de apoio político e fortalecimento de redes clientelistas e criminosas.

É nesse ambiente de negociatas, privilégios e retrocessos que Hugo Motta se consolidou como um dos fiéis discípulos de Eduardo Cunha. Jovem, articulado e discreto, Motta construiu sua base política em cidades dominadas por sua família na Paraíba, como Patos e Santa Luzia, onde parentes e aliados ocupam prefeituras e cargos estratégicos. Não por acaso, essas mesmas cidades são alvo de diversas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, com denúncias de fraudes em licitação, superfaturamento de obras, empresas de fachada e aditivos fraudulentos.

Uma família sob investigação

A Operação Veiculação, deflagrada em 2016, já havia mirado a mãe, a avó e o pai de Hugo Motta, todos envolvidos em esquemas de desvios em prefeituras da região. Mais recentemente, a Operação Outside (2024-2025) revelou novas camadas de conluio entre empresários, servidores e políticos para fraudar contratos financiados com emendas do próprio deputado. Em maio de 2025, o MPF denunciou sete pessoas por fraudes em obra financiada com R$ 5 milhões em emendas de Motta. Em junho, nova denúncia revelou R$ 796 mil em superfaturamento em apenas quatro meses, em obra viária executada sob gestão do pai de Hugo, prefeito de Patos.

Ainda que Hugo Motta não tenha sido denunciado formalmente, os indícios são robustos e constantes: ele direciona recursos a prefeituras controladas por sua família e seus aliados, essas cidades se tornaram palco de contratos fraudulentos, com valores inflados, obras mal executadas e empresas suspeitas de fachada. Há depoimentos, inclusive, que indicam a cobrança de “comissão” sobre emendas — velha prática de corrupção no Brasil.

O político que virou operador dos super-ricos

Com esse histórico, Hugo Motta se revela peça-chave no esquema que impôs um dano profundo à população brasileira: foi ele, na condição de presidente da Câmara dos Deputados, quem indicou o relator e pautou a votação do projeto que derrubou o decreto presidencial que passava a cobrar imposto dos ricos e super-ricos, especificamente sobre operações financeiras de apostas online e fundos exclusivos — dois setores que favorecem exclusivamente os já ricos, sem gerar empregos ou bem-estar social.

A proposta do presidente Lula buscava corrigir distorções fiscais e arrecadar recursos para saúde e educação. Mas Motta e sua base agiram em bloco para proteger os lucros das casas de apostas e dos megainvestidores, em claro prejuízo à imensa maioria da população.

Não há qualquer sinal de constrangimento por parte da maioria dos deputados. A Câmara que Hugo Motta representa e lidera é a mesma que barra direitos trabalhistas, sabota políticas sociais e protege supersalários. A República assiste, envergonhada, a uma elite política que faz da Câmara um balcão de negócios e da Constituição, um obstáculo a ser contornado.

É hora de dar nome aos operadores do atraso

A sucessão presidencial já começou, e os super-ricos — banqueiros, donos de casas de apostas, especuladores e seus porta-vozes na mídia — já escolheram seus representantes. Eles querem um Brasil onde os pobres paguem a conta e os bilionários fiquem isentos. Hugo Motta é um nome de confiança desse projeto de país excludente e desigual.

É preciso dizer com todas as letras: não se trata apenas de corrupção — trata-se de um projeto político antinacional, antipopular e antidemocrático. O povo brasileiro precisa ser informado, mobilizado e colocado no centro dessa disputa.

A política não é neutra. E quem protege os super-ricos, trai a maioria do povo.

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