quarta-feira 11 de março de 2026

Gestão JHC e a política do endividamento: risco de colapso fiscal ronda Maceió

Com contratos bilionários em reais e pedidos vultosos em dólares junto a instituições como o Fonplata e o New Development Bank, a Prefeitura de Maceió assumiu compromissos que ultrapassam qualquer precedente na história da cidade

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação

O prefeito JHC | Divulgação

Por Geraldo de Majella

Nas últimas duas décadas, a Prefeitura de Maceió manteve um padrão cauteloso em relação ao endividamento público. As gestões de Ronaldo Lessa, Kátia Born, Cícero Almeida e Rui Palmeira buscaram, ainda que com diferenças de volume, manter equilíbrio entre a necessidade de investir e a responsabilidade fiscal. Esse padrão, no entanto, foi radicalmente rompido na administração do prefeito JHC.

A atual gestão optou por um modelo agressivo de captação de recursos, tanto em moeda nacional quanto em moeda estrangeira. Com contratos bilionários em reais e pedidos vultosos em dólares junto a instituições como o Fonplata e o New Development Bank, a Prefeitura de Maceió assumiu compromissos que ultrapassam qualquer precedente na história da cidade.

Essa guinada tem consequências preocupantes. O endividamento em dólar — historicamente evitado por municípios de médio porte — expõe Maceió à volatilidade cambial. Basta uma desvalorização do real para que os encargos da dívida aumentem de forma abrupta. Além disso, a arrecadação própria do município não acompanha o ritmo desse endividamento, o que projeta um cenário de estrangulamento orçamentário nos próximos anos.

Mais do que falta de prudência, o que se observa é um descompromisso com a sustentabilidade fiscal da cidade. JHC parece tratar a máquina pública como um poço sem fundo, onde se contrai hoje e se empurra a conta para os que vierem depois. A adoção desse modelo, sem a devida transparência e sem diálogo com a sociedade, desrespeita os princípios básicos da administração pública responsável.

A promessa de transformar Maceió em uma cidade moderna e eficiente pode, na prática, se converter em uma armadilha de médio prazo: obras inacabadas, serviços sucateados e um orçamento engessado por dívidas impagáveis.

É urgente que o Legislativo, os órgãos de controle e a sociedade civil assumam o papel de fiscalizar esses contratos. Maceió não pode pagar pela irresponsabilidade de uma gestão que, ao priorizar o marketing e o volume de anúncios de investimentos, compromete o futuro financeiro e social de toda a cidade.

Evolução dos empréstimos nas últimas décadas.

1. Ronaldo Lessa (1991–1993)

• Empréstimos em moeda nacional (R$): aproximadamente R$ 200 milhões

• Principais agentes financeiros nacionais: Caixa Econômica Federal

• Empréstimos em moeda estrangeira (US$): cerca de US$ 5 milhões

• Principais agentes financeiros internacionais: Banco Mundial

• Destinação dos recursos: Infraestrutura urbana e saneamento básico

• Observação: O volume dos empréstimos foi moderado, com uso pontual de recursos internacionais para projetos específicos de saneamento.

2. Kátia Born (1997-2004)

• Empréstimos em moeda nacional (R$): cerca de R$ 220 milhões (estimativa para o período)

• Principais agentes financeiros nacionais: Caixa Econômica Federal, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)

• Empréstimos em moeda estrangeira (US$): não houve empréstimo.

• Destinação dos recursos: Educação, infraestrutura e obras públicas

• Observação: A gestão utilizou principalmente recursos em reais, focando em projetos sociais e infraestrutura básica.

 3. Cícero Almeida (2005–2012)

• Empréstimos em moeda nacional (R$): cerca de R$ 190 milhões

• Principais agentes financeiros nacionais: Caixa Econômica Federal

• Empréstimos em moeda estrangeira (US$): US$ 10 milhões

• Principais agentes financeiros internacionais: Banco Mundial

• Destinação dos recursos: Mobilidade urbana, pavimentação, obras públicas e infraestrutura

Observação: A gestão focou em investimentos para melhoria da mobilidade urbana e infraestrutura básica, com financiamentos em moedas nacional e estrangeira.

4. Rui Palmeira (2013–2020)

• Empréstimos em moeda nacional (R$): R$ 350 milhões

• Principais agentes financeiros nacionais: Caixa Econômica Federal

• Empréstimos em moeda estrangeira (US$): US$ 15 milhões

• Principais agentes financeiros internacionais: Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

• Destinação dos recursos: Saúde, pavimentação, saneamento e infraestrutura urbana

5. JHC (2021–2025)

Empréstimos em moeda nacional (R$)

  • Total já contratado e em execução: R$ 1,875 bilhão
  • Agente principal: Caixa Econômica Federal
  • Finalidade: Obras de mobilidade urbana, urbanização, contenção de encostas, mercados públicos, habitação e execução do programa Avança Maceió.

 

Empréstimos em moeda estrangeira (US$)

  • Total geral solicitado: US$ 190 milhões
  1. Já contratados:
  • US$ 40 milhões (Fonplata)
  • Contrato ativo desde 2024
  • Finalidade: Programa Desenvolve Maceió, incluindo:
    • Novo Mercado da Produção
    • Obras de contenção de encostas
    • Urbanização em áreas vulneráveis
  • Status: Em execução
  1. Solicitados (ainda não contratados):
  • US$ 150 milhões (New Development Bank – NDB)
  • Pedido enviado à Câmara Municipal: julho de 2025
  • Programa: MCZ3i – Integração e Desenvolvimento Sustentável de Maceió
  • Status: Aguardando autorização legislativa
  • Destinação prevista:
  • Mobilidade urbana
  • Drenagem e urbanização integrada
  • Requalificação de bairros
  • Contenção de encostas
  • Infraestrutura comunitária e ambiental

 

Please follow and like us:
Pin Share

Mais lidas

Redução da jornada pode gerar 4,5 milhões de empregos e mais produtividade, diz Unicamp

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação Por Davi Molinari, do portal

A política externa brasileira e os resmungos do jornalão

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação Por Roberto Amaral* Na Colônia,

Como a Justiça brasileira matou a primeira ação criminal contra a Braskem

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação   Por Neirevane Nunes* O

Carnaval Limpo e Consciente do IMA/AL terá ações durante o final de semana

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação Em clima de Carnaval, o

Ano eleitoral não é desculpa para interrupção de políticas públicas, avalia especialista

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação A cada quatro anos, tudo

DER leiloará mais de 400 veículos em fevereiro

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação O Departamento de Estradas de

Consumidor pagará menos na conta de luz em janeiro

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação A Agência Nacional de Energia

Celular Seguro passa a bloquear também aparelhos sem o app instalado

5 de julho de 2025 8:08 por Da Redação A partir de agora, quem

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *