17 de julho de 2025 7:03 por Da Redação

Por Geraldo de Majella
No século XIX, Jack, o Estripador, aterrorizou Londres. Escolhia vítimas vulneráveis, atacava com precisão e desaparecia. Nunca foi identificado.
Em Maceió, a história se repete. Só que o novo Jack tem nome, mandato e perfil ativo no Instagram: João Henrique Caldas, o JHC. Seu instrumento não é a lâmina, mas o decreto. Suas vítimas não são pessoas físicas, mas as políticas públicas essenciais à vida da população.
JHC governa a partir de um mundo encantado, onde as escolas são tecnológicas e a cidade é “inteligente”. Mas seus cortes profundos — assim como os do Jack londrino — foram feitos na educação e na infraestrutura. Na vida real, a educação pública foi reduzida a quase nada. As salas de aula viraram estufas. Crianças, professoras e funcionários enfrentam calor e descaso. Ele chama isso de revolução. Atualmente, 50 mil alunos estão sem transporte escolar. O Ministério Público e a Defensoria Pública já acionaram a prefeitura na Justiça.
A saúde pública foi terceirizada até a alma. Serviços essenciais estão cada vez mais distantes da população. Enquanto isso, a leptospirose segue matando moradores da orla lagunar, consequência do abandono das políticas públicas de saneamento.
O meio ambiente agoniza. A SEMURB — órgão vital para a proteção ambiental da cidade — foi desmanchada por decreto. No lugar, surgiram dois órgãos controlados diretamente pelo prefeito: um instituto vinculado ao Gabinete Civil e uma autarquia subordinada à Secretaria de Infraestrutura — que entende de asfalto, não de ecossistemas. Enquanto isso, as chuvas carregam lixo, o esgoto invade as praias e os manguezais continuam a morrer.
Tudo isso é embalado num discurso de “modernização”. Mas a lógica real é outra: centralizar, desarticular, calar. Corta-se a participação social. Corta-se a autonomia técnica. Os cortes são para beneficiar a iniciativa privada em detrimento do bem público.
JHC diz que deixará como legado praias acessíveis a todos. Mas que acesso é esse, se o mar está sujo, o mangue destruído e o povo sem voz? Quando os holofotes se apagarem, o que restará serão os escombros do serviço público, a memória da destruição e a vergonha — que não se edita.
Quem resistir ao estripador digital de fala mansa terá de reconstruir, com lágrimas de sangue, o que ele destruiu.





