quarta-feira 11 de março de 2026

J(ack)HC, o “estripador” das políticas públicas de Maceió

Quem resistir ao estripador digital terá de reconstruir o que ele destruiu com lágrimas de sangue

17 de julho de 2025 7:03 por Da Redação

Reprodução/Facebook

Por Geraldo de Majella

No século XIX, Jack, o Estripador, aterrorizou Londres. Escolhia vítimas vulneráveis, atacava com precisão e desaparecia. Nunca foi identificado.

Em Maceió, a história se repete. Só que o novo Jack tem nome, mandato e perfil ativo no Instagram: João Henrique Caldas, o JHC. Seu instrumento não é a lâmina, mas o decreto. Suas vítimas não são pessoas físicas, mas as políticas públicas essenciais à vida da população.

 

JHC governa a partir de um mundo encantado, onde as escolas são tecnológicas e a cidade é “inteligente”. Mas seus cortes profundos — assim como os do Jack londrino — foram feitos na educação e na infraestrutura. Na vida real, a educação pública foi reduzida a quase nada. As salas de aula viraram estufas. Crianças, professoras e funcionários enfrentam calor e descaso. Ele chama isso de revolução. Atualmente, 50 mil alunos estão sem transporte escolar. O Ministério Público e a Defensoria Pública já acionaram a prefeitura na Justiça.

 

A saúde pública foi terceirizada até a alma. Serviços essenciais estão cada vez mais distantes da população. Enquanto isso, a leptospirose segue matando moradores da orla lagunar, consequência do abandono das políticas públicas de saneamento.

 

O meio ambiente agoniza. A SEMURB — órgão vital para a proteção ambiental da cidade — foi desmanchada por decreto. No lugar, surgiram dois órgãos controlados diretamente pelo prefeito: um instituto vinculado ao Gabinete Civil e uma autarquia subordinada à Secretaria de Infraestrutura — que entende de asfalto, não de ecossistemas. Enquanto isso, as chuvas carregam lixo, o esgoto invade as praias e os manguezais continuam a morrer.

 

Tudo isso é embalado num discurso de “modernização”. Mas a lógica real é outra: centralizar, desarticular, calar. Corta-se a participação social. Corta-se a autonomia técnica. Os cortes são para beneficiar a iniciativa privada em detrimento do bem público.

 

JHC diz que deixará como legado praias acessíveis a todos. Mas que acesso é esse, se o mar está sujo, o mangue destruído e o povo sem voz? Quando os holofotes se apagarem, o que restará serão os escombros do serviço público, a memória da destruição e a vergonha — que não se edita.

 

Quem resistir ao estripador digital de fala mansa terá de reconstruir, com lágrimas de sangue, o que ele destruiu.

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