24 de julho de 2025 7:44 por Da Redação

Por Geraldo de Majella
A base bolsonarista em Alagoas enfrenta intensa disputa interna entre seus principais representantes, aprofundando a fragmentação e evidenciando a ausência de uma liderança capaz de articular esse campo político de forma consistente.
Em Maceió, os vereadores Leonardo Dias (PL) e Thiago Prado (PP) protagonizam um embate marcado por animosidade crescente. A tensão entre os dois escalou a ponto de cessar qualquer comunicação direta: não se falam. Os assessores espionam uns aos outros. Clima de guerra.
Ambos adotam discursos radicais: o tom elevado vem sendo usado como instrumento para amplificar a agressividade e delimitar seus campos junto ao eleitorado. Thiago Prado, delegado da Polícia Civil, defende uma política de “higienização social” e tem buscado remover os dependentes químicos dos bairros onde residem as classes média e alta de Maceió — um discurso excludente e punitivista, que mira os mais pobres e vulneráveis.
Leonardo Dias também disputa esse mesmo nicho eleitoral e midiático. Ambos buscam projeção por meio de viagens para gravar vídeos com soluções mirabolantes — Dias esteve em São Paulo; Prado, em Santa Catarina — numa tentativa de captar apoio político e “produzir conteúdo” para as redes sociais. É o que de fato interessa.
Conflitos e segmentação na liderança estadual
No plano estadual, Alfredo Gaspar e Fábio Costa disputam espaço dentro do universo bolsonarista. Gaspar tem maior penetração junto à classe média e à Polícia Militar — setor tradicionalmente conservador e influente no cenário alagoano. Já Fábio Costa, delegado de polícia, mantém maior interlocução com a Polícia Civil, configurando uma divisão clara de influência dentro das forças de segurança.
Paralelamente, o deputado Cabo Bebeto segue isolado em sua tentativa de romper o domínio exercido por Leonardo Dias junto à família Bolsonaro.
Pragmatismo de JHC e desgaste junto aos bolsonaristas
O prefeito JHC, por sua vez, tem adotado uma postura pragmática ao estabelecer aproximações com lideranças políticas como o senador Renan Calheiros, o ministro Renan Filho e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. A indicação de sua tia, Marluce Caldas, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelo presidente Lula confirma essa estratégia de construção de alianças eleitorais ainda não revelada publicamente.

A movimentação do prefeito tem provocado um verdadeiro “curto-circuito” cognitivo na base bolsonarista, que enfrenta dificuldades para assimilar sua aproximação com partidos da base do presidente Lula — como o PSB, até agora o destino mais provável para a eventual migração partidária de JHC. A ruptura não tem caráter ideológico: os interesses familiares se cruzam com o cálculo político. Mudanças bruscas como essa têm causado perplexidade entre os extremistas, que viam no prefeito de Maceió uma liderança ideológica a ser seguida.
Fragmentação e falta de liderança unificada
A ausência de uma liderança forte e unificadora torna o bolsonarismo em Alagoas um campo disperso. Parlamentares estaduais e federais que obtiveram votações expressivas em Maceió não consolidam bases sólidas no interior do estado. Há, ainda, uma tendência natural de perda de densidade eleitoral nas áreas urbanas, provavelmente em razão do mapeamento e da atuação crescente dos profissionais da política. A tendência é de desidratação.
Essa dispersão representa um desafio à construção de uma estratégia política eficiente e sustentável, sobretudo diante de um cenário — tanto nacional quanto local — que exige coesão e capacidade de articulação. Dois elementos difíceis de encontrar no campo bolsonarista alagoano. Maceió poderá deixar de ser um gueto eleitoral bolsonarista em 2026. Não é certeza, mas uma possibilidade.





