
O vice-prefeito e secretário de Infraestrutura de Maceió, Rodrigo Cunha, publicou em suas redes sociais que está em Medellín, na Colômbia, para conhecer experiências que transformaram a cidade — antes considerada a mais violenta do mundo — em referência internacional de inovação urbana e segurança.
Cunha afirmou: “Estou em Medellín, na Colômbia, vivendo de perto uma história que virou referência mundial. Caminhar por essa cidade, que já foi considerada a mais violenta do mundo e hoje é símbolo de transformação urbana, inovação e segurança, inspira e ensina em cada detalhe.
Vim buscar cases, soluções modernas e sociais, novas formas de pensar a cidade, tudo aquilo que pode fazer diferença em Maceió e na vida de cada maceioense. Meu compromisso é olhar pro futuro, aprender com quem conseguiu mudar realidades difíceis e levar esse conhecimento pra nossa capital. Essa missão não é só parte do meu trabalho como vice-prefeito, mas também como secretário de infraestrutura. É sobre cuidar de gente, sobre construir uma cidade mais humana, mais segura e preparada para o amanhã.”
Se o vice-prefeito foi à Colômbia buscar cases — casos de sucesso, exemplos que deram certo — também seria necessário, em Maceió, observar os cases de insucesso que se acumulam no cotidiano da população, especialmente nas áreas da educação e da cultura.
Educação: indicadores entre os piores do país
A gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC) e do vice, Rodrigo Cunha, enfrenta um cenário crítico na educação municipal. Os indicadores estão entre os piores do Brasil quando comparados às demais capitais.
O transporte escolar, segundo apuração do Ministério Público Estadual (MPAL) e da Defensoria Pública de Alagoas (DPE), é de péssima qualidade. Ao mesmo tempo, mais de 55 mil crianças estão fora das salas de aula — um contingente que representa um verdadeiro exército de estudantes excluídos do direito fundamental à educação.
As escolas municipais, inúmeras delas sucateadas, funcionam sem refrigeração num momento em que o aumento das temperaturas se tornou um problema central no Brasil e no mundo. Trata-se de um ambiente inadequado para o aprendizado e indigno para alunos, professores e trabalhadores da educação.
Cultura: ausência de equipamentos públicos e abandono dos artistas
Na cultura, o quadro é igualmente alarmante. A Secretaria de Cultura e a Fundação Cultural de Maceió vêm sendo utilizadas, segundo críticas recorrentes, como biombos para empregar cabos eleitorais e pagar cachês milionários a cantores.
A capital não possui uma única biblioteca pública municipal, museu, galeria, teatro ou qualquer equipamento cultural mantido pela prefeitura.
Enquanto isso, artistas alagoanos enfrentam cachês irrisórios e, mesmo assim, sofrem com atrasos de pagamento que já ultrapassaram um ano em alguns casos. É uma política cultural que desvaloriza quem produz arte e memória na cidade.
Prioridades invertidas
Diante desse cenário, não falta quem questione as prioridades da atual gestão. Rodrigo Cunha não precisa ir à Colômbia para encontrar inspiração sobre transformação social. Antes, precisa tratar a educação pública com dignidade e decência, reconhecendo que são os milhares de professores e trabalhadores da educação o pilar da formação das crianças e adolescentes de Maceió.
Conhecer modelos bem-sucedidos de outras cidades é legítimo. Mas enfrentar a realidade local — com coragem, transparência e compromisso — é indispensável para que Maceió possa, um dia, também ser considerada um case de sucesso.
