11 de dezembro de 2025 4:08 por Da Redação

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nessa quarta-feira (10), por 318 votos a 141 e três abstenções, a suspensão por seis meses do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). A decisão encerra um processo que se arrastava desde abril de 2024 e que, por muito pouco, não resultou na cassação de um dos parlamentares mais combativos do Congresso.
Desde que assumiu pela primeira vez o mandato, em 2009, Glauber Braga se destaca pela postura firme, independente e coerente. Não é necessário concordar com todas as suas ideias para reconhecer — com honestidade intelectual — que ele ocupa um lugar singular na política brasileira. Em um ambiente marcado por conchavos, omissões e interesses inconfessáveis, Glauber se manteve fiel aos princípios que orientam sua atuação pública.
Em tempos em que a Câmara muitas vezes se transforma em um verdadeiro charco político, Glauber foi uma voz incômoda. Com o dedo em riste, denunciou desvios de recursos, acordos espúrios, negociatas e a estrutura criminosa que floresceu com o chamado Orçamento Secreto — um sequestro bilionário de parte substancial do Orçamento da União pelas cúpulas da Câmara e do Senado, especialmente consolidado durante o governo Bolsonaro.
É esse tipo de parlamentar que a esquerda — e, na verdade, todo o campo democrático — precisa formar e defender: alguém guiado por princípios ideológicos claros, compromisso público e caráter. Glauber Braga, aos 43 anos, representa a renovação combativa de uma tradição política que tem em Luiz Erundina, aos 90, um exemplo vivo de coerência e desprendimento. Ambos ocupam extremos geracionais, mas caminham no mesmo sentido histórico.
Glauber não é apenas “um entre 513 deputados”. Ele é o parlamentar que enfrenta o poder econômico, as estruturas criminosas instaladas dentro do próprio Legislativo, os interesses de banqueiros, operadores do mercado financeiro e os aparelhos políticos da extrema-direita — nacional e internacional. Sua punição não esconde esse fato; antes, o evidencia.
Num país em que coragem costuma custar caro, Glauber Braga segue pagando o preço sem abdicar de seus princípios. E o Brasil democrático não pode se dar ao luxo de perder vozes como a dele.
Vida longa a Glauber Braga.
