
“Se ela falar, cai tudo.” A frase, repetida em tom de alerta nos corredores de Brasília, sintetiza o medo que se espalhou entre assessores e parlamentares com o avanço das investigações sobre o Orçamento Secreto. No centro da tensão está Mariângela Fialek da Silva, advogada e ex-assessora apontada como elo estratégico no esquema de distribuição de emendas parlamentares.
Fialek foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Transparência, que apura o direcionamento de recursos do Orçamento Geral da União. A ofensiva foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a pedido do Ministério Público Federal.
Segundo reportagem do ICL Notícias, nos bastidores da Câmara a avaliação é de que uma eventual colaboração de Fialek com as autoridades teria potencial devastador. “Se minha amiga falar, aí cai tudo”, disse uma colega, numa frase que passou a circular como senha do pânico interno.
A advogada ganhou influência ao assumir funções estratégicas no controle das emendas, após chegar à Câmara por indicação política. Entre colegas, era chamada ironicamente de “CEO da nossa holding”, numa referência ao papel central que desempenhava após ouvir orientações de seu principal padrinho político, o deputado Arthur Lira (PP-AL).
As buscas ocorreram no apartamento de Fialek e em uma sala no Anexo II da Câmara dos Deputados, com apreensão de documentos, celulares e computadores. Não há pedido de prisão nem acusação formal de enriquecimento ilícito, mas o STF autorizou a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, elevando a pressão sobre a investigada.
De acordo com o ICL Notícias, o temor agora não é apenas jurídico, mas político. A percepção entre assessores é de que Fialek sabe demais — e que uma delação pode expor nomes, métodos e hierarquias do Orçamento Secreto, desencadeando um efeito dominó capaz de atingir o topo do poder legislativo.
