Adelmo Marques Luz

Sociedade Amigos da Cinemateca irá gerir a Cinemateca Brasileira

Ontem (18/10), a Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) foi selecionada pelo Edital de Chamamento Público para a gestão da Cinemateca Brasileira durante os próximos cinco anos (entre dezembro de 2021 a dezembro de 2026). 

Reprodução / Cinemateca Brasileira

De acordo com a publicação, a Sociedade Amigos da Cinemateca foi classificada obtendo a pontuação máxima prevista no edital, 10 pontos, que envolvia uma avaliação de capacidades técnicas, de gestão e geração de receita. A publicação também mostra a pontuação do segundo concorrente mais forte, o Centro de Gestão e Controle (Cegecon), que obteve apenas 3 pontos e a inabilitação de uma proposta de proposta em nome de uma pessoa física. O edital previa que apenas pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, com natureza de associação civil ou fundação poderiam participar da seleção.

O resultado ainda é preliminar pois a publicação prevê um período de 15 dias para solicitação de recurso.

Como será o período de administração:

Ao longo dos cinco anos em que deve gerir a Cinemateca Brasileira, a SAC deve receber, pelo menos, 50 milhões de reais, 10 milhões a cada ano, para realizar todas as tarefas de gestão e manutenção, sendo o repasse “condicionado à disponibilidade orçamentária, em consonância com as leis orçamentárias vigentes em cada exercício”.

Sobre a Sociedade Amigos da Cinemateca:

A Sociedade Amigos da Cinemateca é uma entidade civil sem fins lucrativos, criada em 1962 com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento das atividades da Cinemateca Brasileira, pela articulação de iniciativas com a sociedade civil e com as esferas pública e privada.

Reprodução / SAC

De acordo a instituição, a ela compete, entre outras funções, mobilizar a comunidade para o apoio à conservação e proteção do acervo da Cinemateca; desenvolver esforços que viabilizem a canalização de aportes financeiros ou de contribuições de qualquer natureza para programas e projetos de interesse da Cinemateca; promover atividades culturais, especialmente aquelas vinculadas com o cinema, vídeo, televisão e outras mídias; e manter convênios e outros tipos de colaboração com entidades privadas ou públicas, com vistas ao desenvolvimento de suas atividades.

Segundo informações do site da instituição paulista, liderada por Dante Ancona Lopez, a criação da SAC resultou dos esforços de personalidades de destaque no cenário cultural paulistano associadas a exibidores cinematográficos, visando a estabelecer o conceito de cinema de arte. Desde então, por meio da realização de projetos de difusão cultural, a partir do acervo da Cinemateca e das distribuidoras comerciais, a SAC exerceu por décadas papel fundamental na formação de público e na promoção da cultura cinematográfica.

Desde 4 de março de 2008, a SAC é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, personalidade jurídica que lhe possibilita o estabelecimento de convênios com os poderes públicos. Nos últimos anos, ainda que em menor escala, a SAC continuou a colaborar com a Cinemateca, mais especificamente por meio de ações de formação cultural.

Ademais, a atuação da SAC ao longo de quase 60 anos foi decisiva à consolidação da Cinemateca Brasileira, a maior instituição do gênero da América do Sul, cujos trabalhos técnicos levaram-na a ser considerada uma das cinco mais importantes do mundo.

O imbróglio:

A Cinemateca Brasileira, que fica na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, estava “sem gestão” desde o final de 2019, quando o contrato do governo federal com Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que administrava a instituição desde 2018, foi finalizado e nenhum outro edital foi realizado. Ao longo de 2020 alguns contratos temporários foram feitos para a manutenção do espaço, mas que não foram suficientes para evitar o incêndio que destruiu parte do acervo em julho deste ano.

Foto: Agência Senado

À época do incêndio, o atual presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, Carlos Augusto Calil, relatou os riscos anunciados pela falta de gestão na instituição:

“A segurança da Cinemateca não se faz apenas com controles de temperatura e de segurança. Ela é feita pelo exame periódico desse acervo pelos técnicos, e a Cinemateca está sem técnico nenhum. Ela está fechada há mais de um ano”, disse Calil, que já foi diretor da CB e também é ex-secretário de Cultura de São Paulo.

O incêndio na Cinemateca foi o ápice do sofrimento vivido pela instituição nos últimos anos, que veio se anunciando desde o atraso de repasses para a Acerp, finalização do contrato em 2019, a não abertura de edital para a gestão por mais de um ano. Durante esse tempo, algumas trocas de secretários especiais de cultura, que teriam como responsabilidade a gestão ou a publicação de um novo edital. Tudo isso envolto em uma áurea de guerra cultural.

Durante o incêndio, que começou com uma manutenção de ar-condicionado, o acervo de três salas foram destruídos. Em um manifesto publicado após o incidente, funcionários da Cinemateca listaram as perdas. Teriam sido consumidos pelo fogo itens do acervo documental, como grande parte dos arquivos de órgãos extintos do audiovisual brasileiro; material audiovisual, como parte do acerco da Pandora Filmes e cópias de produções nacionais e estrangeiras; além de equipamentos e mobiliário de cinema, fotografia e processamento laboratorial.

 

* Com informações do Estadão e da SAC.

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11° Encontro de Cinema de Alagoas abre inscrições para trabalhos acadêmicos

O 11° Encontro de Cinema de Alagoas abriu as inscrições de trabalhos para apresentação oral na edição 2021. Os interessados têm até o dia 01 de novembro para se inscreverem através do formulário disponibilizado no Instagram do Circuito Penedo.

Divulgação

A lista com os selecionados será divulgada no dia 10 de novembro no site e nas redes sociais do Circuito, que este ano acontece de 22 a 28 de novembro. Fiquem ligados, cada trabalho poderá ser composto por, no máximo, três autores e cada participante pode inscrever até dois trabalhos acadêmicos. Para mais informações basta acessar o edital completo disponível também no Instagram do Circuito Penedo.

A organização lembra que os trabalhos que forem apresentados durante o Encontro, no dia 27 de novembro, em formato online, poderão ser publicados em um número especial da revista eletrônica Extensão em Debate, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

“O Encontro é a janela aberta do Circuito Penedo para discutir questões relevantes para o cinema e a sociedade, além das políticas públicas para o setor, seja em âmbito regional, seja em nível nacional. O evento tem se colocado como um espaço de articulação dos diversos segmentos do audiovisual”, afirma uma das produtoras do Circuito, Karlinne Cordeiro.

Sobre o encontro:

O Encontro de Cinema de Alagoas difunde pesquisas sobre a produção cinematográfica e reúne pesquisadores, professores e realizadores do audiovisual em torno de uma programação com oficinas, minicursos e palestras. A proposta é possibilitar um espaço de valorização e aproximação de diferentes agentes da cadeia audiovisual, com o objetivo de incentivar avanços significativos na área e contribuir para a produção de conhecimento.

 

 

* Com informações de Raphael von Sohsten, assessor de imprensa do evento.

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Por Vanderlei Tenorio

Mostra Sururu de Cinema Alagoano abre inscrições para sua 12ª edição

Nos últimos anos, a Mostra Sururu de Cinema Alagoano tem sido a vitrine da sétima arte alagoana, ela assumiu o papel de apresentar ao público muitas das obras que depois serão exibidas em todos os cantos do nosso país. A Mostra Sururu contribui significativamente para o crescimento do cinema produzido aqui em Alagoas.

Divulgação

Nessa perspectiva, a mostra acaba de abrir inscrições para sua 12ª edição. A edição deste ano precisou se adaptar à nova realidade trazida pela pandemia, porém sem perder sua capacidade de projetar os filmes e promover discussões sobre a cultura de Alagoas. Desta forma, esta edição será híbrida. Nesta edição, a mostra contará com atividades presenciais, mas a Mostra Oficial será online.

“Os festivais de cinema no mundo todo se adaptaram às condições possíveis para realização. Com a Sururu não foi diferente. Estamos preparando uma Mostra de Cinema Alagoano online e gratuita. E desta vez, teremos o alcance mundial que a internet possibilita. Em qualquer lugar do mundo o público poderá assistir ao nosso cinema. É uma grande oportunidade” explica Maysa Reis, uma das produtoras da mostra.

A organização do evento lembra que as inscrições devem ser feitas pelo endereço eletrônico www.mostrasururu.com.br. A organização ressalta que os filmes realizados por alagoanos e finalizados nos últimos anos que ainda não foram exibidos nas edições da Sururu podem se inscrever.

Segundo Renah Berindelli, que também integra a equipe de produtoras da Sururu, a novidade desta edição ainda está por vir. “Este ano vamos realizar uma Sururu histórica. Com atividades formativas, mostra oficial e com uma surpresa que vai levar o cinema alagoano para os alagoanos. É um de nossos objetivos que o audiovisual chegue a mais pessoas e se desenvolva em estado”.

Esta edição também ficará marcada pela participação expressiva de mulheres na equipe de realização da Mostra Sururu. Além das produtoras responsáveis, as já citadas Maysa e Renah, temos Amanda Môa. Como também mais profissionais femininas executando atividades de curadoria, júri, produção, formação e ilustradoras que serão responsáveis pela identidade visual de 2021.

A Mostra Sururu de Cinema Alagoano é uma realização do Fórum Setorial do Audiovisual Alagoano com produção da Sambacaitá Produções e Incentivo do Prêmio Elinaldo Barros, através da Lei Aldir Blanc Alagoas.

 

* Com informações da assessoria da Mostra Sururu de Cinema.

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Por Vanderlei Tenorio

”Deserto Particular” irá representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Internacional de 2022

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA) anunciou o longa-metragem “Deserto Particular”, do diretor Aly Muritiba, como representante do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2022. O anúncio foi feito pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais, nesta sexta-feira (15), após reunião do Comitê de Seleção.

O comitê de seleção foi formado pelos cineastas Allan Deberton, Belisário Franca e Felipe Lacerda, os produtores Paula Barreto e Leonardo Edde, a atriz Virginia Cavendish e o crítico de cinema e colaborador do Estadão Luiz Zanin Oricchio.

“Foi uma escolha difícil. Ficamos entre alguns filmes, considerando cinematografia, temas. Por fim, chegamos a um consenso. É sempre uma escolha difícil quem representa o Brasil pro mundo. Tivemos excelentes filmes inscritos, com uma representação muito diversa da cinematografia brasileira, de diferentes estados, e todos eles muito engajados. Deserto Particular traz uma tema muito importante: como o amor pode ser um agente de transformação. É disso que o mundo precisa hoje”, disse Leonardo Edde, presidente da comissão em entrevista ao Estadão.

O drama, protagonizada por Antonio Saboia, retrata a história de Daniel, um policial exemplar que comete um erro e é afastado de sua função, colocando sua carreira e honra em risco. Sua única alegria é Sara, moradora do sertão da Bahia, com quem se relaciona virtualmente. Não vendo mais sentido em continuar vivendo em Curitiba, ele parte em busca de Sara após seu desaparecimento. 

Reprodução / Instagram

O longa-metragem de Muritiba foi premiado no Festival de Veneza deste ano na mostra paralela Venice Days, com o Prêmio Del Pubblico BNL. O filme estará na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que começa no dia 21 de outubro, e estreia nos cinemas do Brasil no dia 25 de novembro.

O cineasta baiano Aly Muritiba também é conhecido por ter dirigido os filmes “Para minha amada morta” (2015), “Ferrugem” (2018) e a série “Caso Evandro”, do Globoplay.

Após o anúncio, o diretor falou ao G1: “Recebi a notícia com muita alegria. Me sinto muito honrado por ter sido escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa do Oscar de 2022”.

“ ‘Deserto Particular’ é um filme de amor e acho que ele vem num momento muito salutar, em que a gente precisa construir narrativas de amor. A gente passou quase dois anos em casa trancafiados, perdendo pessoas, vivendo sob a égide de governos conservadores, como o caso do Trump nos EUA e do Bolsonaro no Brasil, em que o discurso de ódio era o discurso preponderante”, comentou Muritiba em entrevista ao G1.

“Então aparecer um filme que fala de tolerância, encontros e amor nesse momento de ódio é muito salutar. Estou feliz e honrado, com uma responsabilidade grande que pretendo levar com leveza, carinho, afeto e amor”, finalizou o diretor em entrevista ao G1.

O filme estava entre as 14 obras inscritas para a disputa, entre elas: nosso representante “Cavalo”, de Rafhael Barbosa e Werner Salles Bagetti, o pernambucano “Carro Rei”, de Renata Pinheiro, o aclamado pela crítica internacional “Sete Prisioneiros”, de Alexandre Moratto“A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi “Cabeça de Nego”, de Déo Cardoso“Um dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira“Callado”, de Emilia Silveira“Limiar”, de Coraci Ruiz“Medida Provisória”, de Lázaro Ramos“Meu Nome É Bagdáa”, de Caru Alves de Souza“Por Que Você Não Chora?”, de Cibele Amaral e “Selvagem”, de Diego da Costa.

“Foi mesmo uma escolha difícil e por uma razão muito simples: o alto nível dos filmes inscritos. Vários deles poderiam ter sido escolhidos para representar muito bem o Brasil. Como um só é o eleito, tivemos de cortar na própria carne até a maioria convergir ao escolhido. As questões estéticas, a qualidade da narrativa cinematográfica, sempre estiveram à frente das discussões, embora outros aspectos, como temática atual e potencialidade de diálogo com os votantes da Academia de Hollywood não tenham sido desconsiderados. Acredito que, com a escolha de Deserto Particular, conseguimos uma boa síntese entre esses aspectos. O debate entre nós foi em clima de amizade e alto nível de discussão. Tivemos um trabalho complicado mas em excelente companhia”, explica Luiz Zanin Oricchio, crítico de cinema, integrante da comissão e colaborador do Estadão.

O filme de Muritiba ainda será avaliado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), com os longas indicados por outros países até que sejam anunciados os cinco finalistas que concorrerão ao Oscar de Melhor Filme Internacional, em 8 de fevereiro. Para ter uma ideia, 40 países já submeteram obras à Academia, entre eles, Indonésia, Grécia, Malawi, Eslováquia, Macedônia, República Tcheca, Georgia, França, Bulgária, Finlândia, Croácia, Áustria, Albânia, Armênia, Camboja, Canadá, Colômbia, Espanha, Kosovo, Malta, entre outros.  
 

Brasil no Oscar:

Com filmes selecionados por uma comissão desde 1961, o Brasil chegou perto da estatueta dourada de Melhor Filme Internacional em cinco ocasiões – sendo quatro delas com produções indicadas na categoria e uma outra que ficou apenas na lista de pré-indicados.

O primeiro bom resultado veio em 1963. “O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte foi indicado a Melhor Filme Internacional logo após levar para casa a Palma de Ouro, do Festival de Cannes. No entanto, no prêmio da Academia, perdeu para o drama francês “Sempre aos Domingos” (1962), de Serge Bourguignon.

Depois disso, veio uma seca de 33 anos, quebrada com a indicação de “O Quatrilho”, de Fábio Barreto. Mas, outra derrota, agora para o holandês “A Excêntrica Família de Antônia” (1995), de  Marleen Gorris. Em 1998 e em 1999, chegou o melhor momento do Brasil na categoria: indicações seguidas de “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, e “Central do Brasil” (1998), respectivamente. Este último, dirigido por Walter Salles, também conquistou uma indicação na categoria de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro. Ainda assim, todos os indicados não levaram a estatueta dourada.

Reprodução / Telecine

Já a última vez que o Brasil arranhou uma indicação a Melhor Filme Internacional foi em 2008, quando “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias” (2006) foi pré-selecionado – quando membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas fazem uma primeira seleção para, depois, escolher apenas cinco. Mas o filme de Cao Hamburger ficou de fora.

Por fim, vale lembrar, também, da história do filme “Cidade de Deus” (2002) na premiação. O longa-metragem de Fernando Meirelles foi selecionado pelo Brasil para concorrer na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar de 2003. Só que acabou ficando de fora da lista de indicados. Ainda assim, este não foi o ponto final da história da produção com o Oscar.

Divulgação

A 94ª edição do Oscar está prevista para o dia 27 de março de 2022. 

 

 
 
* Com informações do Estadão e do G1.
 
 
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Por Vanderlei Tenorio

Histórico: Longa alagoano “Cavalo” disputa vaga para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Internacional

O aclamado longa-metragem alagoano “Cavalo”, de Rafhael Barbosa (“O que Lembro, Tenho”) e Werner Salles Bagetti (“Exu – Além do Bem e do Mal”), figura entre os 15 longas-metragens habilitados para disputar a indicação de representante do Brasil na categoria de Filme Internacional do Oscar 2022.

Reprodução / Redes sociais

A lista foi divulgada pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA), nesta quinta-feira (14). O título escolhido será anunciado amanhã (15/10), após a reunião do Comitê Brasileiro de Seleção.

Além do expoente alagoano “Cavalo”, a lista seleta traz algumas das produções brasileiras de maior destaque no último ano, como o pernambucano “Carro Rei”, de Renata Pinheiro, o aclamado pela crítica internacional “Sete Prisioneiros”, de Alexandre Moratto, “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, “Deserto Particular”, de Aly Muritiba, “Cabeça de Nego”, de Déo Cardoso e “Um dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira.

Produção do Estúdio Núcleo Zero, “Cavalo” foi lançado nos cinemas e plataformas digitais no último dia 12 de agosto com distribuição da La Ursa Cinematográfica e da Descoloniza Filmes, em 17 salas de cinema de 11 cidades brasileiras. O filme pode ser visto nas plataformas Looke, Now, Vivo Play e Oi Play.

 

Sessão especial:

Neste sábado (16/10), o público de Alagoas ganha mais uma chance para ver “Cavalo”. O filme será exibido gratuitamente no projeto Cine Cidadania, do Cine Arte Pajuçara, às 14 horas. Após a exibição vai acontecer a conversa “Identidades afro-diaspóricas e o imaginário alagoano”, com participação de Edson Bezerra, Allexandrea Constantino e Joelma Ferreira.

Reprodução / Redes sociais

Sobre o filme:

Com direção de Rafhael Barbosa (“O que Lembro, Tenho”) e Werner Salles Bagetti (“Exu – Além do Bem e do Mal”), “Cavalo” é um filme híbrido que circula entre a ficção, o documentário e a experimentação para falar sobre a memória da ancestralidade no corpo.

Cavalo é também o termo usado nas religiões afro-diaspóricas, como a Umbanda e o Candomblé, para denominar os praticantes que são capazes de receber entidades em seus corpos. A incorporação no cavalo não é apenas mental ou espiritual – ela passa por todo o corpo. Da mesma forma, “Cavalo” não é um filme que tenta desvendar ou explicar a religiosidade, mas toma carona na experiência singular do corpo para acessar a memória, a ancestralidade e a construção de identidade de seus personagens.

Compõem o elenco Alexandrea Constantino, Evez Roc, Joelma Ferreira, Leide Serafim Olodum, Leonardo Doullennerr, Roberto Maxwell e Sara de Oliveira. O grupo foi selecionado após um teste de elenco e passou a conviver num intenso processo de preparação. Na proposta de criação coletiva, os protagonistas foram provocados a construir performances inspiradas pelo arquétipo do cavalo e suas muitas simbologias.  Performance, dança e rito se entrecortam em três eixos narrativos.

Contemplado no Prêmio Guilherme Rogato, da prefeitura de Maceió, e contando com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA para sua realização, “Cavalo” é o primeiro longa-metragem fomentado por um edital público realizado em Alagoas, o que representa um marco para a política cultural do estado.

Visão dos diretores:

“Desde que o filme estreou tem derrubado sucessivas barreiras, enfrentando o preconceito histórico com Alagoas. ‘Cavalo’ estreou em 17 salas de cinema de 11 cidades brasileiras. Participou de mais de 30 festivais no Brasil e em outros cinco países, projetando a cultura do estado para o mundo e afirmando o nosso cinema como uma força emergente que precisa ser notada. Disputar essa vaga para representar o país no Oscar é mais uma demonstração da potência do movimento do cinema alagoano, que tem se fortalecido nos últimos anos”, comentou o diretor e roteirista Rafhael Barbosa.

“A existência de ‘Cavalo’ é um movimento de resistência, na contramão do desmonte do audiovisual brasileiro comandado pelo governo Bolsonaro. A presença de um filme alagoano de baixo orçamento numa lista ao lado de grandes produções assinadas por empresas como Netflix e O2 mostra o potencial que nosso cinema tem para dialogar com todos os públicos. ‘Cavalo’ abre os caminhos para uma safra de longas-metragens que vai chegar cada vez mais longe”, completou o diretor e roteirista Werner Salles.

 

* Com informações da assessoria do longa-metragem “Cavalo”

Por Vanderlei Tenorio

Neste sábado (16), o Graciliano Cine Clube apresenta a 1ª edição da Mostra Cinema Alagoano

Neste sábado (16), das 18h30 às 20h40, o Graciliano Cine Clube apresenta na Associação de Moradores do Graciliano Ramos, a primeira edição da Mostra Cinema Alagoano. Em sua primeira edição, a mostra exibirá 3 documentários produzidos aqui em Maceió. Nesta edição, produções recentes estão em paralelo com títulos mais antigos. A entrada é gratuita.

Destaco que o conjunto de filmes escolhidos evidencia um desejo de olhar para Maceió e seus habitantes, propondo reflexões a partir de diferentes abordagens. Os títulos escolhidos falam não apenas do cidadão comum, mas também de segmentos e tipos sociais ignorados, formando um contexto de questões sobre o que é ser maceioense.

A palavra da vez é ‘democratização’. É muito importante que as pessoas tenham acesso ao cinema produzido localmente, para que se reconheçam na tela, para saberem que suas histórias estão sendo contadas e que elas importam. A diversidade precisa ser registrada, divulgada e vista.

Diante disto, a primeira edição da Mostra Cinema Alagoano do Graciliano Cine Clube surge com a missão de fomentar a produção audiovisual alagoana e busca a valorização do trabalho dos realizadores, cineastas e as narrativas da nossa região, criando assim um cenário propício para evidenciar as múltiplas faces da sétima arte alagoana.

Divulgação

A iniciativa e curadoria da mostra é do jovem escritor, colunista e poeta Madson Costa – autor do livro “Os Meninos da Parte Alta”, que marca sua estreia literária solo, através da editora Parresia.

De acordo com Madson Costa, a iniciativa busca fomentar este tipo de produção e oferecer novas oportunidades de inclusão social através do audiovisual, principalmente entre os jovens da região, fora que o intuito também é dar protagonismo a cena audiovisual maceioense, sobretudo, da parte alta de Maceió.

Nessa perspectiva, ao todo, a primeira edição da Mostra Cinema Alagoano do Graciliano Cine Clube, exibirá 3 documentários, são eles: “Corpo D’Água” (2018), de direção coletiva, “Visão das grotas” (2020), de direção coletiva e “Saneamento Trágico” (2018), do cineasta e jornalista Zazo. O evento também contará com a palestra inicial “Por que ocupar os espaços?”, ministrada por Madson Costa, e o fechamento do evento será uma roda de conversa com Marina Bonifácio uma das diretoras do documentário “Corpo D’Água”.

A importância de fomentar novas narrativas e a urgência de espaços destinados para cultura:

“Sendo uma moradora da parte alta, eu passei muito tempo tendo que ir pra parte baixa pra frequentar espaços que me provocassem artisticamente e que me permitissem realizar trocas com outros agentes culturais. E, mesmo assim, é nítido o enorme esforço das pessoas que fazem esses lugares acontecerem, porque precisam deles. Se expressar acaba não sendo uma escolha e a busca pela melhor forma de se expressar é cheia de obstáculos, que também são financeiros e estruturais”, pontuo Marina Bonifácio em breve bate-papo que tivemos nas redes sociais.

“E apesar de toda a luta, ainda é mágico presenciar tudo o que as pessoas conseguem compartilhar com seus corpos, vozes, olhares e sensibilidades. E, quando falamos de lugares, estamos tratando de singularidades e de como é importante valorizar esses espaços únicos. Como diz Chimamanda, nós precisamos parar de contar uma história única e começar a ouvir as diversas histórias. Fomentar narrativas locais é dar espaço pra que as pessoas se vejam, se ouçam e se experimentem em espaços onde elas sejam as protagonistas”, reiterou Marina Bonifácio.

A necessidade de democratizar o acesso à cultura em Maceió:

“Acredito que criar acesso à cultura é o mesmo que fazer com que as pessoas conheçam a sua realidade, o lugar onde estão, de forma que se integrem nele, além de promover acesso a formas de cultura mais elaboradas. Assim, criando um espaço onde as pessoas tenham opções do que consumir enquanto cultura, e não apenas o que é difundido. Criar acesso à cultura é uma forma de mostrar que somos nós que a fazemos e que não precisamos sempre do auxílio estatal para criá-la, que iniciativas como a minha são importantes. Acredito que deveria haver mais iniciativas como essa, não só para o cinema, mas para a literatura, política e filosofia também. É importante para todos conhecerem o que é produzido aqui, que cinema não é só americano’’, ressaltou Madson Costa, organizador da mostra em breve bate-papo que tivemos nas redes sociais.

“Considero fundamental a criação de espaços para exibição e debate do cinema alagoano. Possuímos uma vasta produção cinematográfica com temáticas locais, utilizando linguagens e abordagens diversas, mas nem sempre essas obras tornam-se conhecidas pela nossa população. Portanto, penso que as iniciativas que envolvem o cinema alagoano nas periferias é também um ato de resistência, é uma busca de transformação das pessoas e da sociedade por intermédio da arte”, completou o jornalista e cineasta Zazo, diretor do documentário “Saneamento Trágico”.

Confira a programação completa:

Abertura:

18h30 – 18h50: Bate-papo “Por que ocupar espaços?”, com Madson Costa – autor do livro “Os Meninos da Parte Alta”.

 

Exibição:

18h50 – 19h00: “Corpo D’Água”.

Direção: Aline Alves, Camila Moranelo, Dávison Souza, Elizabete França, Isadora Padilha, Ítalo Rodrigues, Marina Bonifácio, Marcella Farias, Maykson Douglas e Nycollas Augusto.

Roteiro: Aline Alves, Álvaro Matheus, Bruno Rafael, Camila Moranelo, Dávison Souza, Elizabete França, Fábio dos Santos, Isadora Padilha, Ítalo Rodrigues, Marina Bonifácio, Luciene Terto, Marcella Farias, Maykson Douglas e Nycollas Augusto.

 

19h00 – 19h30: “Visão das Grotas”.

Direção: Agnes Vitória, Ewelyn Lourenço, Josias Brito, Letícia Cabral, Mariana Alves, Maysa Reis, Rafaela Oliveira, Tauan Santos e Wallison Fidelis.

Roteiro: Coletivo.

 

19h30 – 20h00: “Saneamento Trágico”.

Direção: Zazo.

Roteiro:  Lutero Melo.

 

Fechamento:

20h00 – 20h40: Roda de conversa com Marina Bonifácio, uma das diretoras do documentário “Corpo D’Água”.

 

 

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Por Vanderlei Tenorio

Cao Hamburger irá dirigir cinebiografia sobre Paulo Freire

O diretor Cao Hamburger adquiriu os direitos da biografia “O Educador: Um Perfil de Paulo Freire”, escrita por Sérgio Haddad, para fazer um filme ficcional sobre o Patrono da Educação Brasileira. A obra terá consultoria do historiador e escritor Sérgio Haddad e de Madalena Freire, filha de Paulo Freire.

Hamburger ficou famoso por ter criado o clássico Castelo Rá-Tim-Bum” e a série “Pedro e Bianca”, da TV Cultura, além de ter dirigido os longas-metragens “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” (2006) e “Xingu” (2011), e por ter escrito a novela “Malhação: Viva a Diferença” – Cao ganhou dois Emmys Internacional por “Pedro & Bianca” e por “Malhação: Viva a Diferença”.

Reprodução / TV Globo

O projeto do longa terá a participação de Tom Hamburger, filho dele. A informação foi publicada pela coluna de Mônica Bergamo. A experiência de Angicos será o ponto de partida para a futura cinebiografia, os dois estão em estágio de pesquisa para o roteiro. Vale lembrar que Cao é um roteirista fantástico, com certeza vem coisa boa por aí.

“Para além da importância histórica, a experiência de Angicos é muito forte narrativamente. Foi uma chave tanto para a obra teórica que o Paulo escreveu depois quanto para outros momentos marcantes da sua vida, como o exílio e a volta após a Anistia”, comentou Hamburger em entrevista concedida à Folha de S.Paulo.

“O cinema e a TV, como entretenimento de massa, trazem a possibilidade de levar essa história a um público maior. Muita gente que hoje diz não gostar do Paulo Freire, mas sem nem saber sobre o que é a sua obra, vai poder conhecê-lo”, completou Hamburger em entrevista à Folha de S.Paulo.

Foto: PAULO DE ARAÚJO/CB. D.A.PRESS – 30/8/1996

O Tribuna Norte apurou que para pai e filho, filmar a vida de Paulo Freire é um desdobramento natural de uma família envolvida com a educação.

A família Hamburger é engajada no mundo da educação. Ana Maria, mulher de Cao, e Carolina, sua filha, são educadoras — esta última, coincidentemente, teve um projeto na Escola Municipal Nelson Mandela reconhecido ano passado com o Prêmio Paulo Freire de Qualidade do Ensino Municipal, dado pela Câmara de Vereadores paulistana.

Em breve, serão divulgados mais detalhes.

 

 

 

 

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Por Vanderlei Tenorio

Filme da Netflix estrelado por Rodrigo Santoro é aclamado pela crítica internacional

A seção brasileira da gigante Netflix, está se tornando um celeiro de grandes produções. A Netflix Brasil comprovou diversas vezes o potencial dos filmes brasileiros, inclusive com o público internacional.

O Observatório do Cinema enfatiza que a plataforma se prepara para o lançamento de um projeto que tem tudo para ser um dos melhores filmes nacionais de 2021: 7 Prisioneiros. O longa que aborda uma das maiores mazelas da sociedade brasileira estreia no streaming em novembro.

A nova produção da casa “7 Prisioneiros” contou com uma estreia extremamente elogiada no Festival de Cinema de Veneza – ganhou dois prêmios no festival.  O filme também conquistou a crítica especializada internacional, chegando ao impressionante nível de 91% de aprovação no Rotten Tomatoes. Alguns veículos do exterior chegam a colocar o longa em listas de apostas para os Melhores Filmes Estrangeiros do Oscar 2022. Meirelles que é um dos produtores está otimista após essa primeira recepção.

Reprodução / Netflix

O longa-metragem conta com a direção de Alexandre Moratto (“Sócrates”), e com a produção do aclamado Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”) e de Ramin Bahrani (“O Tigre Branco”). O Observatório do Cinema apurou que a trama surgiu a partir do interesse do diretor Alexandre Moratto pelo tema, o que o levou a escrever o roteiro com Thayná Mantesso.

“Eu, quando fiquei sabendo como isso acontece no Brasil e no mundo inteiro – e afeta 40 milhões de pessoas no mundo, eu não sabia disso. Todo mundo sabe que existe o tráfico humano, mas não tinha caído essa ficha (de como acontece), não tinha consciência disso. Espero que o filme traga essa consciência”, declarou Moratto em entrevista concedida à Bruno Tomé, do Observatório do Cinema.

Nessa perspectiva, o filme “7 Prisioneiros” conta a história de Mateus. O jovem deixa o interior para trabalhar em um ferro velho em São Paulo, comandado por Luca. Quando começa no novo emprego, o protagonista e os outros personagens que estão com ele descobrem que estão em um sistema de trabalho análogo à escravidão.

“Embaixo de tudo que o Alex falou, acho que é começar a enxergar isso, pensar nas nossas escolhas de consumo, pensar no que a gente como sociedade está perdendo com isso. Acho que enquanto a gente não enxergar o quanto perdemos, que tem gente passando fome, que está nessas condições de trabalho, enquanto a gente não pensar nisso, fica difícil fazer esse diálogo. E precisamos pensar como sociedade nessas coisas”, reforça a roteirista Thayná Mantesso em entrevista concedida à Bruno Tomé.

Segundo o Observatório do Cinema, o tema de trabalho análogo à escravidão surgiu de uma noite sem sono de Moratto. Trabalhando em Sócrates, e sem conseguir dormir, o cineasta assistiu a um especial sobre o problema na TV. Nisso, o interesse levou a uma intensa pesquisa de Moratto, que até mesmo conversou com vítimas dessa cruel realidade, a partir de uma amiga jornalista que fazia uma pesquisa com a ONU.

“Estava acordado tarde, sem conseguir dormir, e apareceu essa matéria. Tinha filmagens de pessoas em São Paulo que estavam até acorrentadas aqui (apontando para o tornozelo). Isso me chocou muito. Como que ainda existe nesse século a situação de pessoas ficarem escravizadas e isso não saía da minha cabeça”, explica o diretor de 7 Prisioneiros, ao Observatório do Cinema.

O Observatório do Cinema recorda que, assim como Moratto e Thayná repetem a parceria de “Sócrates” (2018), o diretor volta a trabalhar com Christian Malheiros, também do elogiado longa de estreia do trio. O papel de Luca é de Rodrigo Santoro (“300”, “Lost”, “Westworld”) que define o trabalho no filme como “um dos personagens mais difíceis que já interpretei”.

O elenco conta também com Lucas Oranmian, Vitor Julian, Bruno Rocha, Dirce Thomaz, Josias Duarte e Cecília Homem de Mello.

Sobre o filme:

7 Prisioneiros aborda um tema extremamente importante, que ainda afeta profundamente a sociedade brasileira: a escravidão moderna. O longa acompanha a história de Mateus, um jovem que sai do interior em busca de uma oportunidade de trabalho em São Paulo. Na jornada por um futuro melhor, o protagonista acaba se tornando vítima de um sistema de trabalho com condições análogas à escravidão.

Reprodução / Netflix

Nesse cenário bastante complicado, o protagonista passa a entender como funcionam os sistemas de exploração e o quão profundas são as feridas da desigualdade social no Brasil. Um dos personagens mais importantes de 7 Prisioneiros é Luca, o responsável pelo ferro-velho. Ele é interpretado por Rodrigo Santoro, que falou sobre o importante tema do longa durante um evento da Netflix.

“Esse filme joga luz num tema tão importante e, infelizmente, pouco discutido. Luca é um dos personagens mais difíceis que interpretei, mexeu muito comigo e ainda mexe”, comenta o astro de Hollywood.

Santoro:

Para o Observatório do Cinema, Bruno Tomé escreveu que quem assistir ao filme na Netflix deve se surpreender com as atuações de Rodrigo Santoro e Christian Malheiros. O relato é de entrega total da dupla e de transformações para os papéis de Luca e Mateus.

Reprodução / Netflix

“Ele (Rodrigo Santoro) deu 150%… Eu lembro da primeira vez que sentei com ele, ficamos numa sala três horas conversando. Ele pensou em todos detalhes. Foi uma construção em parceria. E acho que também uma colaboração com o Christian (Malheiros), porque era eu, Rodrigo e o Christian sempre juntos”, observa o diretor ao Observatório do Cinema.

Enquanto isso, Fernando Meirelles nota que Rodrigo Santoro queria “desconstruir essa coisa do cara bonito, fortão”.

“A postura dele no filme, maquiagem, o cabelo, ele queria ficar o pior possível. E aí a postura, ele trabalhou andar de um jeito diferente, tudo meio para desconstruir o Rodrigo Santoro que a gente conhece”, relata o produtor do filme da Netflix.

“Ele se transformou total. Mas, o Christian também mudou muito para o papel”, reforça o cineasta de 7 Prisioneiros, que revela que Malheiros passou uma semana no interior para se preparar para o papel.

7 Prisioneiros chega em 11 de novembro na Netflix e em cinemas selecionados. Confira o trailer.

 

* Com informações do Observatório do Cinema.

 

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Por Vanderlei Tenorio

8º Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero anuncia selecionados

A 8ª edição do Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero, anunciou os filmes selecionados para edição de 2021. O festival acontecerá entre os dias 16 e 20 de novembro, no Teatro do Parque, em Recife.

Divulgação

Segundo a organização do Recifest, em 2021, quase 300 curtas foram inscritos, de 23 dos 26 estados do Brasil e Distrito Federal. Este ano, a curadoria das mostras competitivas ficou sob olhar apurado de André AntônioAnti Ribeiro e Felipe André SIlva.  A premiação do festival será definida pelo voto do  júri oficial que concederá os troféus Rutílio de Oliveira ao melhor filme pernambucano e ao melhor filme nacional, vale salientar que o público também votará.

O evento ocorrerá de forma híbrida, e terá uma edição em Arcoverde entre os dias 24 e 26 de novembro. Vitor Búrigo, do portal CineVitor, destaca que a seleção traz produções que falam de caminhos, descobertas, arte crítica, viés territorial, crônicas de povos invisibilizados, luta dos povos indígenas e negros, revolta dos sobreviventes, entre outros.

Confira os filmes selecionados:

A raiz de um, de Pedro Henrique Lima (PE)
Acesso, de Julia Leite (SP)
Aracá, de Abiniel João Nascimento (PE)
Bianca – Olhe, ame, cuide. Trans são joias, de Marcos Castro (PE)
BoyCam, de Rodrigo SenaArlindo Bezerra e Ernani Silveira (RN)
BregaQueens, de Danillo Medeiros (PE)
Cacicus, de Bruno Cabral e Gabriela Dullius (RS)
Cômpito, de Paulete LindaCelva (SP)
Cool for the summer, de Vitória Liz (SP)
Erêkauã, de Paulo Accioly (AL)
Estilhaços, de Gabriela Nogueira (CE)
Homens Invisíveis, de Luis Carlos de Alencar (RJ)
Lamento de Força Travesti, de RENNA (PE)
Meninos Rimam, de Lucas Nunes (SP)
Morde & Assopra, de Stanley Albano (MG)
Mormaço, de Carol Lima (PE)
O Amigo do Meu Tio, de Renato Turnes (SC)
O Durião Proibido, de Txai Ferraz (PE)
O que Pode um Corpo?, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)
Para não dançar em Segredo, de André Vitor Brandão (PE)
Praia dos Crush, de Marieta Rios (CE)
Raone, de Camila Santana (SP)
Sad Faggots + Angry Dykes Club, de Viq Viç Vic (PE)
Seremos Ouvidas, de Larissa Nepomuceno (PR)
Time de Dois, de André Santos (RN)
Vander, de Barbara Carmo (BA)
Viver Distrai, de AYLA de Oliveira (PE)

 

* A partir de informações de Vitor Búrigo, do portal CineVitor.

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Por Vanderlei Tenorio

Cine Arte Pajuçara terá promoção especial na véspera do feriado

O ganhador de quatro Oscar, Clint Eastwood está de volta ao grande ecrã e tem um encontro marcado com você nas telas do cinema do Centro Cultural Arte Pajuçara. Sim, que tal passar a véspera de feriado na companhia do grande Eastwood e da inesquecível Isabelle Huppert indicada ao Oscar de Melhor Atriz, por “Elle” (2016), de Paul Verhoeven.

“Cry Macho – O Caminho para a Rendeção” (2021), de Clint Eastwood, e “A Dona do Barato” (2020), de Jean-Paul Salomé, são as principais atrações em cartaz na première exclusiva do Cine Arte Pajuçara.

“A Dona do Barato”, é centrado em Patience Potefeux uma tradutora policial franco-árabe, especializada em escutas telefônicas para a unidade antinarcóticos. Enquanto escutava traficantes procurados, ela descobre que um deles é filho da mulher que cuida de sua mãe. A partir disso, ela decide protegê-lo, nisso, acaba envolvida em uma rede de traficantes. Para completar essa enorme confusão, ela coloca as mãos em uma enorme carga de hash, como Potefeux não é boba nem nada aproveita a oportunidade e se torna uma poderosa traficante de drogas, graças à sua experiência de campo. O filme é baseado no aclamado romance de Honnelore Cayre, (Lá Darnorre) – (2017).

Em entrevista ao Estadão, em 20 de setembro, Huppert definiu o filme de Jean-Paul Salomé “como uma espécie de comédia que flerta com o polar (policial), mas é principalmente um retrato de mulher, e de uma mulher que assume todos os desafios de seu cotidiano”.

Ao assistir, você notará que o filme franco-belga é uma deliciosa comédia. Jean-Paul Salomé conseguiu trabalhar bem o argumento e o roteiro do longa, tanto que a comédia além de espirituosa, é hilariante, crítica e ao mesmo tempo muito sensível, há uma construção textual muito inteligente, tanto que o refinamento da escrita se torna um bônus pra lá de especial. Huppert dispensa apresentações, a francesa deu um show novamente de atuação, provou que nem só de drama se vive uma filmografia, ela soube desenvolver bem seu personagem e tudo fluiu tão natural. Quem vê Isabelle em cena consegue ver nitidamente que ela se entregou ao máximo ao papel, isso é lindo. Vale muito prestigiar essa produção sensacional.

Reprodução

Clint Eastwood é um dos grandes nomes da suntuosa e imortal Hollywood. O ator, produtor, diretor e ex-prefeito da pequena cidade de Carmel, impressiona não só pelo seu talento no domínio da sétima arte, mas também pelo vigor e excelência. No auge de seus 91 anos de idade, ele ainda se mostra mais do que capaz de dirigir, atuar e produzir, e foi o que ele demostrou em seu mais novo filme, “Cry Macho: O caminho para a redenção”.

No western contemporâneo com tons de melodrama country, ele interpreta Mike, um criador de cavalos fracassado que, meio perdido na vida, recebe a missão de ir buscar o filho de uma alcoólatra no México e trazê-lo de volta para seu pai, no Texas. Nessa viagem, o veterano busca a redenção ao ensinar ao rapaz o que significa ser um bom homem.

É um longa-metragem muito especial, é um daqueles que tendem a ser tornar atemporal, e já aproveitando a idade do protagonista, pode crer que é um daqueles filmes que envelhecerão tão bem como seu protagonista. Ao assistir, você perceberá que “Cry Macho” não é só um bom filme, ele carrega uma narrativa atrativa, potente e bem escrita, constituindo uma reinvenção interessante do gênero western.

Reprodução

Quanto ao regulamento da promoção Encontro Marcado:

Na compra dois ingressos para as sessões de segunda-feira (11/10) on-line e de forma antecipada você ganha desconto. Dessa forma, você pagará:

Passaporte Meia – R$ 15,00
Passaporte Inteira – R$ 30,00

Como comprar o passaporte para a promoção Encontro Marcado?

  1. Faça um Pix para a chave 19442911000105;
  2. Envie o comprovante da transação para ingressoantecipado@artepajucara.com.br com o assunto “Passaporte – Encontro Marcado”;
  3. A equipe do Cine enviará um voucher confirmando a compra;
  4. Apresente o voucher na bilheteria e troque pelos seus ingressos.

Obs.: especifique no e-mail qual o tipo do passaporte que está sendo comprado (inteira ou meia) e para quais sessões os ingressos serão destinados.

A equipe do Cine Arte frisa que é permitido usar os dois ingressos para o mesmo filme, desde que a sessão escolhida seja especificada no e-mail. Também reafirmar que é permitido comprar mais de um passaporte por pix, desde que as informações de cada passaporte (inteira ou meia e sessões escolhidas) também sejam discriminadas no corpo do e-mail.

A equipe do Cine Arte destaca que para garantir a segurança de todos, a capacidade de público foi reduzida para 75% do total de poltronas. Nisso, serão disponibilizados apenas 120 ingressos por sessão. A equipe do Cine Arte ressalta que segue funcionando conforme os decretos estaduais, a fim de garantir o máximo de segurança para todos. 

Confira os horários: 

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Por Vanderlei Tenorio

Confira detalhes sobre a 54ª edição do Festival de Brasília

A organização da 54 ª edição do Festival de Brasília anunciou as datas de realização da edição de 2021, que ocorrerá entre os dias 7 e 14 de dezembro. O site Papo de Cinema frisa que enquanto grandes festivais nacionais já cogitam sessões presenciais, ou pelo menos um formato híbrido (caso da Mostra de São Paulo e do Cine Ceará), o Festival de Brasília adotará uma postura mais precavida, irá manter as exibições de forma virtual, ato adotado na edição de 2020, edição realizada no auge da pandemia. Nisso, debates, seminários e workshops também estão confirmados de modo online.

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As inscrições para longas e curtas-metragens foram encerradas no dia 4 de outubro. Os filmes aceitos são produções finalizadas a partir de 2019, dispensando a exigência de ineditismo (embora obras inéditas sejam privilegiadas). A curadoria ficará responsável por selecionar seis longas-metragens e doze curtas-metragens para a mostra competitiva, além de quatro longas-metragens e oito curtas-metragens para a Mostra Brasília.

A organização destaca que todas as obras selecionadas serão contempladas com cachês, num total de R$ 400 mil distribuídos para as 30 produções escolhidas por comissões de seleção de notório saber.

Os valores serão distribuídos da seguinte forma: R$ 30 mil (longas da Mostra Competitiva Nacional), R$ 10 mil (curtas da Mostra Competitiva Nacional), R$ 15 mil (longas da Mostra Brasília de Cinema Candango) e R$ 5 mil (curtas para Mostra Brasília).

Este ano, a curadoria do festival será composta pelo cineasta Silvio Tendler e pela professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Tânia Montoro. Ambos estiveram presentes na edição de 2020, quando o Festival de Brasília teve público de 620 mil espectadores na Mostra Competitiva de Longa-Metragem no Canal Brasil, Silvio Tendler como diretor artístico e curador, e Tânia Montoro como jurada da Mostra de Longas.

Troféu Candango, do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Andre Borges/Agência Brasília

O crítico de cinema Bruno Carmelo, do Papo de Cinema, recorda que, em 2020, o grande vencedor da mostra competitiva foi o documentário Por Onde Anda Makunaíma?” (2020), de Rodrigo Séllos, enquanto o prêmio de melhor curta-metragem foi para República” (2020), de Grace Passô. Já os votos do público recompensaram o longa-metragem Longe do Paraíso” (2019), de Orlando Senna, e o curta-metragem Noite de Seresta” (2020), de Muniz Filho e Sávio Fernandes.

O FBCB é uma realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) em parceria com a organização da sociedade civil Amigos do Futuro.

 

 

 

 

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Por Vanderlei Tenorio

31 ª edição do Cine Ceará divulga filmes selecionados para mostras competitivas

A 31ª edição do Cine Ceará divulgou a lista dos filmes selecionados para mostras competitivas, ao todo, 18 longas e curtas estão em competição nas mostras principais, o festival acontece de 27 de novembro a 3 de dezembro. Segundo levantamento da organização do festival, o Cine Ceará recebeu por volta de 234 inscrições.

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A Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem terá exibição presencial no Cineteatro São Luiz, no Canal Brasil e no streaming do Globoplay + Canais ao Vivo. A Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem acontecerá no Cinema do Dragão.

A organização do festival ressalta que para a programação presencial nos equipamentos da Secult-CE, geridos pelo Instituto Dragão do Mar, o festival seguirá os protocolos sanitários vigentes do setor de audiovisual/cinema, estabelecidos pelo Governo do Ceará por meio de decreto. Este ano, a curadoria da competitiva de longas ficou a cargo de Margarita Hernandez, diretora de programação do evento, e a dos curtas, foi feita pelo documentarista Vicente Ferraz. O cineasta Wolney Oliveira é o diretor executivo do festival desde 1993.

De acordo com a organização, foram escolhidos seis longas inéditos no Brasil, sendo quatro com passagens por importantes festivais, além de dois brasileiros em première mundial. Ao todo se inscreveram 234 produções de 16 países. Dentre os selecionados estão dois documentários. A coprodução Uruguai-Itália “Bosco”, de Alicia Cano Menoni, exibido no IDFA: Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, no Cannes Docs – Marché du Film, no Festival de Málaga, e no Festival de Cinema de Trento, na Itália. O longa retrata uma vila florestal que está desaparecendo. Representando o Brasil, “5 casas”, de Bruno Gularte Barreto, apresenta cinco histórias de uma pequena cidade no sul do Brasil. O filme participou do IDFA, em Amsterdã, do Festival de Toulouse, do Biografilm, na Itália, e do Queer Lisboa.

Pôster de 5 Casas

Duas ficções premiadas internacionalmente também estão na mostra de longas. “Perfume de gardênias” (Porto Rico-Colômbia), de Macha Colón, sobre uma idosa que busca maneiras de seguir adiante depois de uma perda, produção que conquistou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Trinidad e Tobago, no Caribe, e foi exibido no Festival de Tribeca. E o equatoriano “Vacío”, de Paul Venegas, que acompanha dois jovens que se veem em uma encruzilhada, que venceu o prêmio de Melhor Longa-metragem no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (Bafici), além de participar do Festival Internacional de Busan, na Coreia do Sul.

Cena de “Vacío”, de Paul Venegas

Completam a lista dois longas brasileiros de ficção em première mundial no evento. “Fortaleza Hotel”, de Armando Praça. O diretor venceu o 29º Cine Ceará com “Greta” (melhor direção, filme e ator – Marco Nanini). Seu novo longa acompanha uma jovem camareira que tem seu caminho transformado por uma hóspede. E “A Praia do Fim do Mundo”, de Petrus Cariry (“O Barco”), que mostra o avanço do mar destruindo casas e desabrigando famílias.

Cena de “Fortaleza Hotel”, de Armando Praça

Em números, para a Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem foram selecionadas 13 produções de nove estados do Brasil, dentre os 879 inscritos de quase todo o Brasil. Entre os filmes estão duas ficções exibidas em festivais internacionais. “Ato”, de Bárbara Paz – que também assina a produção com Tatyana Rubim – é protagonizado por Alessandra Maestrini e Eduardo Moreira e estreou mundialmente no 78º Festival de Veneza. “Sideral”, de Carlos Segundo, do Rio Grande do Norte, acompanha a expectativa de uma família para o lançamento de um foguete espacial. O curta foi exibido no 74º Festival de Cannes, no 48º Telluride Film Festival, no 36º Festival de Internacional de Cine en Guadalajara e no 26º Hamptons Film Festival (EUA).

Também estão na lista outras cinco ficções, três representando São Paulo: “Ausências”, de Antônio Fargoni, sobre uma visita à família, “Chão de Fábrica”, de Nina Kopko, que mostra a greve de quatro mulheres em uma fábrica, e “Como respirar fora d’água”, de Júlia Fávero e Victoria Negreiros, que retrata a relação de uma filha com o pai policial militar. Além de “Encarnado”, de Otávio Almeida e Ana Clara Ribeiro, do Piauí, que transita entre passado e presente, e “Hawalari”, de Cássio Domingos, de Goiás, sobre uma jovem indígena que vive no Centro-Oeste.

Cena de “Hawalari”, de Cássio Domingos

Os documentários também estão no páreo, seis documentários concorrem na mostra de curtas. São eles: Os cearenses “Foi um tempo de poesia”, de Petrus Cariry, sobre o poeta Patativa do Assaré, e “Alegoria dos autômatos”, de Josy Macedo e Clébson Francisco, que aborda o racismo estrutural. Completam a lista “O Durião Proibido”, de Txai Ferraz, de Pernambuco, que traz uma história de amor na Tailândia, “Mar Concreto”, de Julia Naidin, do Rio de Janeiro, que relata o processo de avanço do mar sobre uma casa, “O amigo do meu tio”, de Renato Turnes, de Santa Catarina, que fala sobre um primeiro amor de infância, e “O Resto”, de Pedro Gonçalves Ribeiro, que acompanha uma senhora declarada morta por engano.

Documentário “O amigo do meu tio”, de Renato Turnes

Confira os filmes selecionados nas mostras competitivas:

Os longas da Competitiva Ibero-americana 

  • 5 casas (2020), de Bruno Gularte Barreto [Brasil]
  • A Praia do Fim do Mundo (2021), de Petrus Cariry [Brasil]
  • Bosco (2020), de Alicia Cano Menoni [Uruguai-Itália]
  • Fortaleza Hotel (2021), de Armando Praça [Brasil]
  • Perfume de Gardenias (2021), de Macha Colón [Porto Rico-Colômbia]
  • Vacío (2020), de Paul Venegas. [Equador]

 

Os curtas da Competitiva Brasileira 

  • Ato (2021), de Bárbara Paz [Minas Gerais]
  • Ausências (2021), de Antônio Fargoni [São Paulo] 
  • Chão de Fábrica (2020), de Nina Kopko [São Paulo]
  • Como respirar fora d’água (2021), de Júlia Fávero e Victoria Negreiros [São Paulo]
  • Encarnado (2021), de Otávio Almeida e Ana Clara Ribeiro [Piauí]
  • Foi um tempo de poesia (2021), de Petrus Cariry [Ceará]
  • Hawalari (2021). De Cássio Domingos [Goiás]
  • Mar Concreto (2021), de Julia Naidin [Rio de Janeiro]
  • O amigo do meu tio (2021), de Renato Turnes [Santa Catarina]
  • O Durião Proibido (2021), de Txai Ferraz [Pernambuco]
  • O Resto (2021), de Pedro Gonçalves Ribeiro [Minas Gerais]
  • Sideral (2021), de Carlos Segundo [Rio Grande do Norte]

 

 

 

* Com informações do Cine Ceará.

Por Vanderlei Tenorio

Após dois anos de atraso, enfim, ‘Marighella’, de Wagner Moura, vai estrear

Após entraves com a Agência Nacional de Cinema (Ancine) e acusação de censura, o filme “Marighella”, primeiro longa-metragem de Wagner Moura como diretor, irá estrear oficialmente nos cinemas brasileiros no próximo dia 4 de novembro, no dia em que se completa 52 anos da morte do guerrilheiro pela Ditadura Militar. A informação foi confirmada pelo jornal A Tarde.

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Segundo informações divulgadas, o filme fará seu lançamento após passar por festivais em outros países (Berlim, Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo, Cairo, entre cerca de 30 exibições em nações dos cinco continentes) e terá pré-estreias a partir do dia 1 de novembro em todo Brasil.

Reprodução / Instagram

O editorial de hoje (4), da Rede Brasil Atual, reitera que o longa de estreia de Wagner Moura como cineasta, sofreu sucessivos adiamentos, incluindo desentendimento com a Agência Nacional de Cinema (Ancine). O desentendimento estaria galgado no histórico do personagem retratado.

O personagem principal do filme é o comunista Marighella, criador da Ação Libertadora Nacional (ALN), um dos principais opositores da ditadura. O longa é baseado na biografia escrita pelo jornalista Mário Magalhães e foca nos últimos cinco anos de vida de Carlos Marighella, escritor, político e guerrilheiro, de 1964 até sua violenta morte em uma emboscada em 1969.

Na telona, o guerrilheiro foi interpretado pelo ator e cantor Seu Jorge, o elenco de apoio conta com Bruno Gagliasso, Luiz Carlos Vasconcellos, Herson Capri, Humberto Carrão, Adriana Esteves, Bella Camero, Maria Marighella, Ana Paula Bouzas, Carla Ribas, Jorge Paz, entre outros.  

Divulgação

Sinopse:

Comandando um grupo de jovens guerrilheiros, Marighella (Seu Jorge) tenta divulgar sua luta contra a ditadura para o povo brasileiro, mas a censura descredita a revolução. Seu principal opositor é Lucio (Bruno Gagliasso), policial que o rotula de inimigo público nº 1. Quando o cerco se fecha, o próprio Marighella é emboscado e morto – mas seus ideais sobrevivem nas ações dos jovens guerrilheiros, que persistem na revolução.

Breve análise política do DCO sobre o longa:

O Diário da Causa Operária (DCO) sublinha que é importante destacar que se trata de uma produção importante para o atual momento político. A obra homenageia um dirigente comunista que lutou contra a ditadura de 1964 num momento em que o Brasil vivia um golpe de Estado que levou a um  governo controlado pelos militares. O DCO ressalta que o filme resgata a figura de um dos principais revolucionários brasileiros – independentemente do limitado e confuso programa guerrilheiro – e assim dá força à ideia de que é possível e necessário se mobilizar contra os atuais golpistas brasileiros.

Reprodução / Comissão da Verdade SP

O DCO aponta que a produção exalta a abnegação e o sacrifício pessoal em prol da luta coletiva, da soberania do Brasil contra os Estados Unidos. O editorial do DCO analisa que a produção de Moura também remete a outro tema, podemos fazer uma clara comparação ao golpe de 2016 no Brasil. Nesse ensejo, o filme mostra a participação ativa do imperialismo norte-americano no golpe militar de 1964. Também, comparando o momento à situação atual do Brasil, os letreiros iniciais do filme registram que, além do apoio dos EUA, a ofensiva golpista da direita se deu por meio da propaganda “contra a corrupção” e contra a “ameaça comunista”, ao estilo da campanha que ocorreu para derrubar o governo do PT. Na visão do DCO, a produção revela a política fascista do Estado capitalista, que age como uma máquina assassina contra a população. 

“Ao fim, apesar das limitações, o filme é bastante importante no cinema nacional e é positivo ao divulgar a figura de Carlos Marighella. O momento de lançamento do filme, em pleno governo de Bolsonaro e militares, dá ainda mais importância para a produção”, conclui o DCO.

 

O imbróglio do veto do reembolso: 

Em agosto de 2019, a Diretoria Colegiada da Ancine vetou um pedido de reembolso de mais de R$ 1 milhão feito pela produtora do filme “Marighella”. Segundo a decisão da diretoria, o pedido foi negado porque os recursos pelos quais a produtora O2 pede reembolso são parte da receita já aprovada para o projeto. Eles não poderiam, então, ser ressarcidos com recurso público. Informação apurada e divulgada pelo portal G1.

O portal G1 reportou que na mesma reunião, a diretoria negou outro requerimento em relação ao filme, feito pela O2 e pela SM Distribuidora em 8 de agosto. As empresas pediam que o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) reavaliasse os prazos de investimento na comercialização do filme. Produtora e distribuidora propuseram que as obrigações fossem cumpridas antes da assinatura do contrato de investimento na produção. Segundo estabelece o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria Audiovisual, para ter este direito, é preciso já ter o contrato.

Procurada pelo G1, a O2 disse que o pedido de revisão de prazos foi motivado pela “morosidade do FSA no processo de contratação e nele a O2 apenas formulou questionamento acerca da viabilidade da obrigação de oferta ao Fundo ser cumprida antes da efetiva contratação”. Em entrevista ao G1 em abril do ano passado, Moura comentou a situação:

“Não recebemos o dinheiro do Fundo Setorial, o qual teríamos direito. Tomamos essa posição. Os produtores foram valentes em fazer isso. Então, estou muito tranquilo”, declarou o ator e diretor.

Ainda na ocasião Moura disse o seguinte:

“Me angustiou muito o começo, quando o filme não estreava por uma pressão do governo. Uma má vontade da Ancine. Um episódio claro de censura”.

 

Reprodução / Jornal da Cidade

 

* Com informações do Diário da Causa Operária, do G1, do jornal A Tarde e do Rede Brasil Atual.

Por Vanderlei Tenorio

Curta-metragem “A Barca”, de Nilton Resende, representa Alagoas na 20ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

Os finalistas da 20 ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro foram divulgados, nesta terça-feira (28), pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais.  Os longas-metragens com maior número de indicações (15) são “Boca de Ouro”, de Daniel Filho, e “Pacarrete”, de Allan Deberton, seguidos de “A Divisão – O Filme”, de Vicente Amorim (8).

A cerimônia de premiação será realizada no dia 28 de novembro, com transmissão ao vivo pela TV Cultura.  A lista de finalistas reúne mais de 900 profissionais indicados, 20 longas-metragens brasileiros e 10 longas estrangeiras, além de 18 curtas brasileiros e 16 séries. 

Nesse ensejo, Alagoas surge representada na categoria ‘Melhor Curta-Metragem Ficção’, pelo premiado e aclamado curta-metragem “A Barca” (2019), do diretor e roteirista Nilton Resende.

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Baseado no conto “O Natal na barca” (1958), de Lygia Fagundes Telles, o curta-metragem alagoano é o primeiro filme escrito e dirigido por Nilton Resende, traça o encontro de duas mulheres com perspectivas diferentes sobre a solidão. Uma delas, ao embarcar e ser perguntada pela condutora sobre qual seria a sua parada, responde: “mas essa barca vai pra onde?” Sem resposta, a viagem se inicia rumo ao desconhecido e nos damos conta de que mais importante que o destino é a forma como se perfaz o caminho.

O curta-metragem ‘‘A Barca’’ (2019), de Nilton Resende, vem recebendo importantes críticas no meio cinematográfico nacional e internacional, e já conquistou, ao todo 30 prêmios, nacionalmente e internacionalmente – é um dos curtas brasileiros com mais participações em festivais nos últimos tempos. O curta foi um dos projetos contemplados no IV Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas/Secult-AL (em parceria com os Arranjos Regionais do FSA), com produção da La ursa Cinematográfica em coprodução com a VTK.

Na categoria ‘Melhor Curta-Metragem Ficção’, Nilton Resende concorre com Fernando Sanches, por “5 Estrelas”, Naty Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira, por “Perifericu”, Issis Valenzuela, por “Receita de Caranguejo”, Grace Passô, por “República” e Yuri Costa, por “Egum”.

Os vencedores serão escolhidos numa votação entre os sócios da Academia. O público também poderá eleger seu filme favorito entre os longas brasileiros finalistas de ficção (drama e comédia) e documentário, com votação pela internet, a partir do dia 28 de outubro.

 

 

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Por Vanderlei Tenorio

ABCAA divulga primeiros detalhes sobre 20ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

Recentemente, a Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA), divulgou a lista com os finalistas da 20ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que está confirmado para o dia 28 de novembro, com cerimônia transmitida ao vivo pela TV Cultura.

Os finalistas concorrem em 31 categorias e foram escolhidos em votação pelos sócios da Academia. A Academia divulgou que “Boca de Ouro”, de Daniel Filho, e “Pacarrete”, de Allan Deberton, são os longas com maior número de indicações (15), seguidos de “A Divisão – O Filme”, de Vicente Amorim (8).

Pôster internacional de Pacarrette

Este ano, a lista de finalistas reúne mais de 900 profissionais indicados, sendo 20 longas-metragens brasileiros e 10 longas estrangeiros (5 de ficção, 5 documentários, 6 de comédia, 2 infantis, 2 de animação, 5 internacionais e 5 ibero-americanos). Ao todo, também estão na disputa 18 curtas brasileiros (6 de ficção, 7 documentários e 5 de animação); e 16 séries (3 de animação para TV paga/OTT, 5 documentários para TV paga/OTT, 5 ficção TV paga/OTT, 3 ficção TV aberta). 

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais destaca que o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro é votado por profissionais das mais diversas áreas do setor que são associados à Academia, entidade aberta a toda a classe. A instituição frisa que como acontece todos os anos, a abertura dos envelopes com os vencedores será auditada pela PwC – a mesma que faz a apuração do Oscar, e transmitida ao vivo – e o Troféu Grande Otelo será entregue diretamente na casa de cada um deles, depois da premiação.

“O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro celebra a diversidade da nossa indústria, representada por todas as gerações de realizadores do país inteiro. E tem como tema, este ano, a preservação e a memória do audiovisual”, diz Jorge Peregrino, presidente da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais.

A Academia realizou um levantamento que constatou que, em 2021, foram inscritos 45 longas de ficção (incluindo infantis e animação), 20 longas documentários, 51 curtas-metragens, 44 séries brasileiras, 35 longas-metragens internacionais, 6 longas ibero-americanos. A instituição enfatiza que os vencedores serão escolhidos no segundo turno, com votação entre os sócios da Academia. Entretanto, lembra que o público pode eleger seu filme favorito entre os longas brasileiros finalistas de ficção (drama e comédia) e documentário, a votação começa no dia 28 de outubro, pela internet.

Divulgação

O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2021 tem patrocínio da Sabesp através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, é correalizado com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e Spcine, e conta com a realização da Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo, e da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais.

 

* Com informações cedidas por Eloah Bandeira.

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Por Vanderlei Tenorio

Dente de Leite

Quando eu era criança fui alvo de inúmeras agressividades. Verbais e físicas. Ocorreu-me uma delas quando ainda tinha dentes de leite. E foi justamente por causa da minha primeira dentição, que fui acompanhado de meus pais e de minha irmã mais velha, ao consultório odontológico do Dr. Dorival Lemos, localizado num prédio antigo de primeiro andar no Centro da cidade. Ignorava completamente a existência, a finalidade e a rotina daquele ambiente. Oportuno ressaltar que naquela época não se dava a devida atenção à odontopediatria, quiçá até a desconhecessem. Especialidade que modernamente trata da saúde bucal e do estado emocional dos pupilos, auxiliando-os a superar os transtornos no tratamento dentário sem paranoias, desmistificando a ideia de que o espaço reservado a esse segmento da saúde é uma coisa assustadora, capaz de ocasionar perturbações neuróticas a exemplo do que se deu comigo.

Conservo até hoje um sentimento de desconfiança em relação aos dentistas. Duvido da competência de todos eles no que diz respeito às suas habilidades terapêuticas para aliviar as dores e amainar as aflições dos pacientes. Sinto-me, portanto, irremediavelmente impossibilitado de suplantar esse distúrbio comportamental que evidencia haver em mim, de forma latente e incontornável, um trauma que fora originado na infância.

Não havia ninguém na sala de espera quando chegamos. Para mim, tudo ali era inédito. Pairava no ambiente a essência volátil e inebriante do éter. Logo, o olfato induziu-me a elaborar inconvenientes conjecturas. Para distrair-me e afastar os maus pressentimentos, apossei-me de um número aleatório da revista “O Cruzeiro”, por mim já conhecida, pois meus pais eram leitores e assinantes do mencionado veículo. Folheava-a em busca das charges do Péricles, tão disseminadas na época, sobre o “amigo da onça”. De repente varou o silêncio gritos lancinantes, emitidos por alguém que se submetia à extração de um dente estragado. A anestesia, segundo explicações posteriores que nos foram dadas pelo cirurgião-dentista, não havia pacificado a região infeccionada, nem refreado a sensibilidade do indivíduo. No afã de se livrar daquilo que há dias o mantinha insone e num estado de fraqueza, decorrente da falta de alimentos, o paciente recusava-se a atender ao aconselhamento do especialista para postergar o procedimento. E a dolorosa extração ocorreu à moda antiga, por intermédio de uma excruciante intervenção, sem o apoio dos lenitivos. O infeliz, homem de meia idade, após o espetáculo deprimente ao qual todos nós só tivemos acesso através das percepções auditivas, cruzou a sala, pálido, a passos hesitantes, emitindo gemidos que eram abafados por um lenço que levava à boca.

Chegou a minha vez. Entramos todos. Depois da cena que acabáramos de presenciar, mesmo que indiretamente, era natural que eu estivesse apreensivo e reticente. Um sentimento incontrolável e daninho aguçava-me os sentidos. Pisava leve, a respiração suspensa como se estivesse indo de encontro de uma tragédia. Ordenaram-me sentar numa cadeira em acentuado declive, o que me deixou ainda mais intrigado e à mercê de um homem que havia comprovado ser capaz de infligir maus-tratos sem ressentimentos. A parafernália composta por instrumentos pontiagudos, perfuro-cortantes, remeteram-me à uma cena que havia presenciado dias antes no açougue da Cambona. Seu Eugênio, o proprietário, vestido num avental branco e encharcado pelo sangue, fazia uso de facas afiadíssimas com as quais desossava, com uma habilidade incrível, um quarto bovino dependurado em ganchos. Aquilo atraiu-me a vista e prendeu-me a atenção, causando-me repulsa e medo. Via-me, agora, sugestionado, sendo fatiado ora pelo marchante, ora pelo dentista, que se posicionava impávido ali na minha frente.

Apesar da luz incandescente de um holofote incidir sobre os meus olhos, impossibilitando-me enxergar com nitidez o que se passava no entorno, e intimidado pelas determinações persuasivas da autoridade paterna que se mantinha vigilante no meu flanco, não capitulei:

– Abra a boca! Disse o doutor.

Após uma breve inspeção no dente problemático, sentenciou:

– Vamos extraí-lo! E não há necessidade de anestesia. O dente está bambo.

Besuntou-me a gengiva com uma pomada balsâmica, terrivelmente amarga e repugnante, e em seguida, apossou-se de um alicate:

– Aguente firme! Homem não chora!

Cerrei os dentes, travei a mandíbula e nem as admoestações do meu genitor ralhando comigo, os beliscões, puxavantes, cocorotes e as promessas de retaliações foram suficientes para que eu transigisse. Deliberaram, então, realizar o procedimento à força. Meu pai, ocupou-se em segurar-me um dos braços; minha mãe, mesmo a contragosto, o outro. Minha irmã, por sua vez, prendeu-me a cabeça, e para neutralizar os membros inferiores contaram com a ajuda de um camelô convocado ali mesmo nas cercanias. Debalde foram os esforços no sentido de vergar o ânimo de um garoto aterrorizado, ofegante e à beira da loucura. Após a desordem que se instalou após o corpo-a-corpo, desistiram, mas mantiveram a ameaça de retomar, num futuro próximo, a investida. Felizmente, não levaram adiante tal propósito, até porque não houve tempo.

A solução encontrada por tio Cleto, irmão de meu pai, um democrata e conselheiro da família, deputado federal à época, foi chegar ao meio-termo entre dois extremos. Um ato moderado que, de acordo com aquela circunstância, exigia equilíbrio e comedimento.
Projetara seu nome no cenário político regional, onde ficara conhecido por suas características conciliatórias e pacifistas. Magnífico tribuno, quem o ouvia discursar no parlamento, nos tribunais ou nos comícios encantava-se com a lepidez do seu raciocínio sucessivo, concatenado e convincente. Desportista apaixonado e grande causídico, tinha como princípios inarredáveis respeitar as diferenças ideológicas, e a livre manifestação do pensamento.

Ao tomar conhecimento do episódio humilhante ao qual eu fora submetido, apressou-se em conclamar a família para uma reunião reservada. Desejava definir de forma consensual as ações que seriam adotas ao meu caso dali em diante. Compareceram ao encontro, além dos meus pais, tios e tias. Logo na abertura do evento, que se deu na casa de meus avós paternos, ocorreu a falação do meu pai que se mostrava desassossegado, pois excogitava ser alvo de reprovação por parte dos parentes. Daí a sua premente necessidade em defender-se das críticas que não chegavam a ser explícitas, mas subtendidas. Sustentou desarrazoadamente, a tese de que a questão deveria ser resolvida a muque, sem rodeios nem panos quentes. Recorreu às ilustrações da época em que era criança, valorizando a colheita dos frutos por um homem maduro, íntegro e excelente pai de família, graças à exatidão e eficiência do regime inflexível em que fora criado. Via-se a emoção estampada em seu rosto, a voz embargada, ao discorrer sobre fatos e experiências vivenciados em um passado longínquo que compunham o enredo da sua história.

Tio Cleto, então, intercedeu. Admitiu a pertinência do alegado por meu pai no que dizia respeito às reprimendas outrora adotadas por meus avós, mas contestou a conveniência e a oportunidade das mesmas, pois entendia estarem obsoletas, já que o momento era outro, e que os costumes, vigentes em determinada época, caducam com o passar do tempo.

Completou seu libelo apelando no sentido de que decisões daquele tipo deveriam ser revestidas de bom senso. Afinal de contas, toda criança, em qualquer etapa da existência humana, sentiu medo. E que a forma adequada dos pais lidarem com o pavor de suas crianças seria encará-lo com naturalidade, o que não significaria ignorá-lo:

– Atentemos para o contexto em que se insere o pavor do menino, por mais absurdo e imponderável que seja para a nossa cognição adulta. Só assim ajudá-lo-emos a derrotar definitivamente seus fantasmas. O medo, reiterou, é uma resposta natural de todo ser humano que se encontra ameaçado, seja ele originário de uma situação real ou fictícia. E finalizou seu arrazoado apelando para a seguinte reflexão: “A injustiça que se faz a uma criança é feita a todas as crianças, porque todas as crianças podem ser essa criança”. E a famigerada extração, que já havia virado folclore e servido de escárnio no seio da família, ocorreu dias depois.

Empreendemos, eu e tio Cleto, tratativas sadias e em pé de igualdade. E chegamos a conclusões interessantes. Celebramos um acordo no qual ambas as partes teriam de cumprir obrigações recíprocas. Para granjear a minha confiança e estima, fez-me presente um revólver de brinquedo que disparava quando municiado com espoletas. E com direito a um brinde extra, mas esse, só após da realização do que fora combinado: passaria uma manhã inteira tomando sorvete na Gut-Gut, sob suas expensas. Proposta sedutora e que logo foi aceita. Acompanhou-me ao consultório, no dia previamente agendado, meu padrinho Antonio, que sempre foi meu protetor e amigo, e que me serviu de arrimo na empreitada que ainda me fizera sonhar na noite anterior com coisas sinistras. Como se deu a extração? Ora, com o revólver que me fora presenteado senti-me confiante, destemido feito o general Aníbal que derrotou sucessivamente legiões do poderoso império romano, até então consideradas invencíveis. Resolvi pôr fim à história que haviam propagado injustamente: a de que eu era um “homem” covarde e indeciso. Matei o medo com um tiro…! Confesso, entretanto, que o seu espectro continua a atenazar-me o juízo, sobretudo quando me vem à memória que ainda possuo trinta dentes.

Por Adelmo Marques Luz

Lucia Murat será homenageada na 3ª edição do Cabíria Festival – Mulheres & Audiovisual 2021

A cineasta Lucia Murat será a homenageada na terceira edição do Cabíria Festival – Mulheres & Audiovisual, dedicado à celebração do protagonismo de mulheres e da diversidade nas telas e atrás das câmeras.

Foto: Memórias da Ditadura

Murat é uma personagem fundamental da história do cinema brasileiro, segue sendo inspiração para diferentes gerações de profissionais do audiovisual. Trinta e dois anos separam seu primeiro longa “Que bom te ver viva” (1989), do décimo terceiro trabalho “Ana.Sem título”, recém-lançado.

A curadoria do evento recorda que a diretora soma em sua filmografia de 13 longas entre ficção e documentário. Este ano, a cineasta terá quatro de seus trabalhos exibidos na Mostra Homenagem Lucia Murat. São eles: “Que bom te ver viva” (1989), “Maré a nossa história de amor” (2007), “A memória que me contam” (2012) e “Em três atos” (2015). A organização lembra que, também haverá uma sessão especial, em parceria com o Telecine Play, de “Ana.Sem título”, seu longa mais recente, e um debate com a cineasta, dia 17, às 19h, mediado pela jornalista Flávia Guerra.

Selecionadas pela comissão de curadoria, “as obras articulam as intenções de diálogo e de investigação do festival, da valorização da memória à urgente revisão de processos históricos, e sublinham a inventividade das narrativas audiovisuais como vetor de inspiração e transformação”, afirma a curadora Thamires Vieira.

A curadora Julia Katharine ressalta que “são filmes que iluminam a multifacetada autoria da cineasta, entre a ficção e o documentário, e permeiam protagonistas mulheres de diferentes gerações, territórios e desejos.”

Já para Yolanda Barroso, também curadora, “a história política do país e do cinema brasileiro se fundem na obra da cineasta, que é ao mesmo tempo autora e personagem, mesmo que não de forma explícita.”

A vida política de Murat:

Murat iniciou sua militância política na universidade e foi uma das estudantes presas no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP). Após o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), entrou na clandestinidade. Militante da Dissidência Estudantil da Guanabara, posteriormente, Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), foi presa em março de 1971, aos 22 anos, e levada ao DOI-Codi, na rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro. Segundo seu depoimento, foi intensamente torturada, com pau de arara, eletrochoques e espancamentos. Após dois dias de torturas, sem poder mexer a perna direita e muito ferida, foi levada a uma enfermaria, onde, segundo ela, foi tratada pelos mesmos médicos que a examinavam durante a tortura: Amílcar Lobo e Ricardo Fayal.

Foto: Torre das Donzelas

Em seguida, foi transferida para Salvador, onde havia vivido um ano como clandestina. Na capital baiana, passou a ser interrogada, sem torturas, e a receber tratamento para sua perna. Voltou ao DOI-Codi do Rio, onde sofreu mais torturas, inclusive sexuais. Ficou presa até 1974. Lúcia afirmou à Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro que hoje reconhece alguns de seus torturadores: “Major Demiurgo, então chefe do DOI-Codi e que mantinha contato com nossas famílias; tenente Armando Avolio Filho, de nome de guerra Apolo; e Riscala Corbage, o Nagib”.

Na década de 1980, Lúcia passou a se dedicar ao cinema e dirigiu diversos filmes. Alguns deles abordam a temática da ditadura militar, comoQue bom te ver viva” (1989), Quase dois irmãos” (2004), e A memória que me contam” (2013), este último inspirado na vida da também militante e amiga de Lúcia, Vera Silva Magalhães.

A carreira de Murat:

A diretora trabalhou como jornalista nos principais veículos do país na segunda metade dos anos 70. Foi editora-chefe do jornal da TV Manchete e diretora de programas de documentários na TVE. Seu primeiro longa-metragem, o semi-documentário “Que bom te ver viva” (1989), estreou internacionalmente no Festival de Toronto e revelou uma cineasta dedicada a temas políticos e femininos. Nele, depoimentos de mulheres torturadas durante a ditadura militar se intercalam com cenas ficcionais protagonizadas por Irene Ravache. Entre muitos prêmios, o longa foi escolhido melhor filme do Júri Oficial, do Júri Popular e da Crítica no Festival de Brasília de 1989. Voltou a trabalhar em televisão dirigindo os programas “Testemunho” e “O caso eu conto como o caso foi”.

A preocupação política retorna a sua produção audiovisual no longa “Doces poderes” (1995), desta vez sob o ponto de vista do marketing das campanhas eleitorais. O filme estreou no Festival de Sundance e, em seguida, foi exibido no Festival de Berlim. Em 2000 lançou “Brava gente brasileira”, sobre a relação entre colonizadores e indígenas no interior do Brasil.

Em 2004 lançou “Quase dois irmãos” – um drama político sobre o conflito entre a classe média e a favela – que lhe rendeu diversos prêmios, entre eles os de melhor direção e melhor filme latino-americano pela Fipresci no Festival do Rio 2004, e melhor filme no Festival de Mar Del Plata 2005. No Festival do Rio de 2005 estreou o documentário “O olhar estrangeiro” e, na edição de 2007, “Maré, nossa história de amor”, uma coprodução Brasil-França, também exibido no Festival de Berlim.

Em 2010 filmou o documentário/ensaio “Uma longa viagem”, o grande vencedor do Festival de Gramado, e em 2013, lançou “A memória que me contam”, ganhador do prêmio da crítica internacional no Festival Internacional de Moscou. Em 2015 estreou no festival É tudo verdade o documentário “A nação que não esperou por Deus” e, no mesmo ano, “Em três atos”, coprodução francesa com textos de Simone de Beauvoir no Festival do Rio. Em 2017 ganhou no Festival do Rio os prêmios de melhor direção e melhor atriz para o filme “Praça Paris”, que recebeu mais sete prêmios internacionais, inclusive o de melhor filme da crítica internacional (Fipresci). Em 2021 apresentou ao público “Ana.Sem título”, filmado em Cuba, México, Chile, Argentina e Brasil. 

Foto: Mulher no Cinema

* Com informações do Cabíria Festival e do Memórias da ditadura.

Por Vanderlei Tenorio

Cinema alagoano perde a sensibilidade de Pedro da Rocha

Alagoas perdeu neste sábado, 25, o cineasta Pedro da Rocha, que morreu em Maceió aos 64 anos em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. O sepultamento foi na tarde de hoje, às 16h, no Parque das Flores, no Tabuleiro dos Martins.

Pedro Rocha / Foto: Cortesia

‘‘O cinema de Alagoas se despede de um de seus maiores talentos. Natural da cidade de Junqueiro, Pedro da Rocha construiu uma trajetória de pioneirismo no audiovisual do estado, ousando produzir suas obras muitas vezes de forma independente, quando ainda não existia qualquer política de fomento. Pedro fez um cinema verdadeiramente popular, sempre atento ao diálogo profundo com o público’’, publicou o Centro Cultural Arte Pajuçara.

O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), usou as redes sociais para lamentar a morte do cineasta e informar que o Estado está à disposição para finalizar dois filmes que Pedro da Rocha estava dirigindo.

‘‘O cineasta Pedro da Rocha nos deixou, numa grande perda para Alagoas. Aos familiares, amigos e admiradores, meus sentimentos e minha solidariedade. Estou ciente que ele tem pelo menos dois filmes em conclusão. Um sobre o Centenário da Academia Alagoana de Letras e outro sobre o famoso conflito na ALE em 1957, e o governo do Estado se coloca à disposição para ajudar na finalização desses trabalhos, assim como para a conservação de sua obra’’, declarou o governador Renan Filho.

Entre as principais contribuições que deu para o audiovisual alagoano, Pedro atuou como presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas de Alagoas (ABD&C-AL) no biênio 2009/2010; foi um dos fundadores da Mostra Sururu de Cinema Alagoano; coordenou a Mostra Junqueiro de Cinema, além dos muitos filmes que realizou.

Na sua filmografia se destacam títulos como “A Risonha Morte de Tião das Vacas” (2005), “Desalmada e Atrevida” (2007), “O Santo Guerreiro do Povo” (2007), “Sol Encarnado” (2012) e “Memórias de uma Saga Caeté” (2012), entre outros. Ele deixa como legado mais de 20 filmes.

Segundo sua assessoria, Pedro atualmente trabalhava na finalização daquele que seria seu trabalho mais ambicioso e complexo, o telefilme documental “O Impeachment – Setembro, 1957, Sexta-feira 13”. O filme narra as tensões em torno do afastamento do governador Muniz Falcão, um dos mais emblemáticos e violentos episódios da vida parlamentar brasileira.

Pedro nasceu em 1957, filho de Noel Clemente de Oliveira e Terezinha da Rocha Oliveira. Era casado com Vera Rocha, que além de esposa e companheira foi responsável pela produção de muitos de seus projetos.



* Com informações da Assessoria de Pedro e do TNH1.

Por Vanderlei Tenorio

‘Assim Vivemos’ – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência acontece de 22 setembro a 11 de outubro

 

O Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência – o mais importante e longevo evento de cinema sobre o tema – realiza sua décima edição nos Centros Culturais do Banco do Brasil do Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. O CCBB Rio é o primeiro a receber o evento, entre os dias 22 de setembro e 11 de outubro, em formato híbrido: com sessões presenciais e virtuais. Integram a programação 29 produções de 14 países, divididos entre curtas, médias e longas-metragens, e serão realizados quatro debates online. A realização é do Centro Cultural do Banco do Brasil, com patrocínio do Banco do Brasil através da Lei de Incentivo à Cultura, e produção da Cinema Falado Produções.

Segundo informações cedidas pela produção do Assim Vivemos, esta edição traz, ao todo, sete obras do Brasil, cinco dos Estados Unidos e da Rússia, duas da Espanha, e uma de cada um dos seguintes países: Argentina, Austrália, Canadá, Cazaquistão, Costa Rica, Holanda, Irã, Israel, Itália e Reino Unido. A curadoria destaca que as produções contam histórias com personagens ricos e diversos. Pessoas que buscam a realização de seus sonhos; que exigem serem ouvidas pela comunidade; que se expressam através da arte ou compartilham trajetórias de luta por seus direitos. Temas como educação inclusiva, sexualidade e esporte também são abordados.

“É com muita alegria que chegamos a 10ª edição desse festival tão importante que acompanha as conquistas, lutas, perdas e ganhos das pessoas com deficiência nas últimas duas décadas. O Assim Vivemos é um evento transformador, que sempre ofereceu o espaço de fala para que as próprias pessoas com deficiência contem suas histórias, através dos filmes e debates. Estamos preparando uma edição linda e dessa vez com os debates e parte dos filmes também disponibilizados de forma online, ampliando assim o acesso de todos”, comenta Graciela Pozzobon, diretora do festival.

SOBRE AS SESSÕES PRESENCIAIS E VIRTUAIS

A organização estabeleceu que o público poderá participar do Assim Vivemos de duas formas: na sala de cinema do CCBB Rio ou acessando virtualmente parte da programação. Vale lembrar que o CCBB foi reaberto em setembro do ano passado e segue seguindo as normas sanitárias estabelecidas pelas autoridades, o Centro Cultural está preparado para receber a todos com segurança. Fico interessado, os ingressos devem ser retirados na bilheteria no mesmo dia de exibição ou no site (www.eventim.com.br).

De 22 de setembro a 4 de outubro o CCBB recebe as sessões presenciais. Já as sessões online serão disponibilizadas aos poucos. A cada semana estarão no site do festival filmes relacionados aos debates semanais e na última semana, uma sessão extra.

A curadoria do Festival destaca que os 29 filmes do Assim Vivemos estão divididos em 12 programas com duração entre 57 e 94 minutos. Nisso, por dia, serão oferecidas três sessões presenciais com toda a programação e no site do festival serão disponibilizadas nove produções, sendo sete relacionadas aos temas debatidos: A força da Arte, Educação para todos, Parceria colaborativa e Em busca de uma voz. Participam das discussões pessoas com deficiência e especialistas. O link para participar será disponibilizado no site do festival (www.assimvivemos.com.br) no dia do encontro.

Amplamente acessível e democrático, no festival os filmes contarão com recursos de acessibilidade como a audiodescrição e as legendas LSE (para surdos e ensurdecidos), além interpretação em LIBRAS. Além disso, os debates ao vivo terão interpretação em LIBRAS e serão disponibilizados gratuitamente através do site, assim como o catálogo digital do festival com informações, sinopses dos filmes e programação completa.

A organização lembra que serão oferecidos cinco prêmios do júri e um do público, destinado ao filme escolhido nas três cidades. Os membros do júri são pessoas com deficiência, artistas e profissionais e, em cada edição, o júri cria novas categorias de prêmios, a fim de destacar as qualidades específicas dos filmes premiados. O troféu foi criado pela artista cega Virginia Vendramini. A direção geral do Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência é de Graciela Pozzobon.

Para conferir a programação completa do Assim Vivemos, acesse: www.assimvivemos.com.br

* Com informações do Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência

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Por Vanderlei Tenorio

Cabíria Festival divulga 2ª edição da Mostra imaginários possíveis

 

O Cabíria Festival – Mulheres & Audiovisual e a Hysteria, plataforma com o objetivo de ampliar a inserção feminina no mercado e abrir espaço para narrativas que tenham as mulheres sempre no centro das histórias, renovam a parceria para a realização da II MIP – Mostra Imaginários Possíveis, uma das ações da terceira edição do festival, que ocorre em ambiente online entre 06 e 17 de outubro. Destinado à participação de mulheres e pessoas de identidade de gênero diversas, realizadorxs amadores ou profissionais, a mostra exibirá microfilmes com duração mínima de 30″ (segundos) e máxima de 3′ (minutos). Serão selecionados até 10 títulos a serem disponibilizados nos canais digitais da Hysteria e do festival.

A organização frisa que o objetivo da mostra é incentivar realizadorxs a criarem relatos audiovisuais, produzidos com smartphones ou câmeras profissionais, sobre os modos de fazer e os ofícios que materializam desejos para o presente, propostas de futuro, acolhimento e ressignificação do passado.

Para a comissão de curadoria, composta por Julia Katherine, Thamires Vieira e Yolanda Barroso, junto às diretoras do festival, Marília Nogueira e Vânia Matos, o Cabíria Festival é um espaço de debate e criação em busca inventiva da transformação de processos e da construção de espaços para a pluriversalidade.

‘‘Desejamos com essa mostra encorajar autorias baseadas na diversidade de modos de fazer e expressar imaginários possíveis, entendendo a narrativa audiovisual como uma potente ferramenta de escuta, diálogo e desconstruções, tão urgentes quanto necessárias’’, declara a curadoria do evento.

‘‘A Hysteria tem orgulho de abrir sua janela e sua plataforma para compartilhar o trabalho e o talento de realizadorxs novos e experientes na mostra Imaginários Possíveis. Junto do Cabíria e de criadorxs que embarcarão nessa jornada, podemos amplificar nossas vozes e descobrir modos de se fazer e expressar esses novos imaginários possíveis’’, diz a head da Hysteria, Isabel De Luca.

Em breve, a programação completa será divulgada.

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Por Vanderlei Tenorio

Por Redação