Eduardo Magalhães

Não tinha como dar certo

Escrevo essas observações ás vésperas do Natal envolvido por uma mistura de decepção e tristeza. Diante de toas as situações que vivi, sempre assumi uma atitude positiva e em geral otimista. Hoje, no entanto, poucos dias antes da posse dos novos gestores de Maceió, nuvens carregadas de dúvidas (e pandemia) parecem ameaçar os sonhos da nova gestão.

Em 1973, no auge do escândalo do Watergate, nos Estados Unidos, Don Wrather, então âncora da CBS Television, publicou um livro sensacional intitulado The camera never blinks (A câmera nunca pestaneja) no qual descreve dezenas de ocasiões em que as câmeras da TV flagraram Nixon em obvias situações em que estava mentindo. O que o Presidente dizia não coincidia com o que a expressão facial transmitia.

Recentemente, durante a transmissão do discurso de vitória de JHC, Prefeito-eleito de Maceió, enquanto aguardava a sua chegada ao hotel da celebração da vitória, Ronaldo Lessa vice-Prefeito eleito da Capital concedeu uma dificílima entrevista a uma das emissoras na qual deixava bem claro que teria imensa dificuldade em ser segundo num palco, a política, onde sempre ocupou as posições de maior destaque.

Ronaldo Lessa é uma das personalidades políticas mais respeitadas e queridas da recente História Política de Alagoas. Sua história que vai de importante trabalho como engenheiro numa das maiores obras de engenharia do Brasil, a Ponte Rio-Niterói, até sua destacada atuação como Deputado Estadual, Vereador de Maceió, Governador do Estado e Deputado Federal.

Na referida entrevista, ficou bem claro que ainda não tinha sido assimilada por Ronaldo Lessa a cruel verdade de que já não seria o responsável pela última palavra, o detentor da informação correta e sem contestação. Mesmo sem a presença de JHC no palco, no momento da entrevista, estava muito claro que Ronaldo Lessa, mesmo vestindo uma camiseta azul singela de praia (sempre andou de paletó e gravata e até de jaleco) não se sentia confortável. Quem nasceu para ser primeiro violino não se sente à vontade tocando flauta doce numa orquestra sinfônica cujo sucesso, em grande parte, deve-se a ele também.

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Por Eduardo Magalhães

A VEZ DO INTERIOR

Em maio de 1989, quando Fernando Collor de Mello era apenas mais um dos muitos pretendentes à Presidência da República, a situação do País ao fim de uma década perdida, deixava bem claro que haveria uma grande mudança de comportamento político do eleitor brasileiro ao ponto de permitir que o jovem Governador de Alagoas pudesse ser eleito Presidente da República, como antevi em artigo, “Collor Presidente”, publicado no Jornal de Alagoas em 14 de maio daquele ano, 7 meses antes da eleição.

Retorno à situação de l989 porque antecipo grandes reviravoltas no andar da política alagoana em virtude de certos acontecimentos ocorridos nas recém-concluídas eleições municipais para prefeitos e vereadores.

Como filho de município do interior (Porto Real do Colégio) sempre sonhei com a possibilidade de ver um político alagoano nascido no interior, com carreira política construída e exercida no interior disputar e ganhar o cargo de Governador de Alagoas.

Os resultados das eleições de 2020 deixam bem claro, primeiro, que a vitória de Luciano Barbosa, em Arapiraca, consolida o surgimento de uma novo e gigantesco polo político composto por mais de 30 municípios, a Grande Arapiraca, e segundo, a quase obrigatória necessidade do Governador Renan Filho manter-se no Governo até o fim do seu mandato desaparecendo assim sua candidatura ao Senado, em 2022.

A consequência óbvia é o surgimento natural da candidatura de Luciano Barbosa a Governador de Alagoas, como Candidato de Alagoas, candidato do Interior de Alagoas, com o apoio, a parceria inevitável da maioria dos prefeitos do Estado, e sem nenhuma dúvida, com o apoio de um dos grandes vencedores (ao lado de Luciano Barbosa) dessas eleições sem obter um solitário voto, o Senador Collor.

Graças a imensa rejeição, não justificada de todo, ao Governador Renan Filho e ao Senador Renan Calheiros, o pleito de 2022 poderá ser transformado num plebiscito a favor ou contra os Calheiros.
Em caso de vitória de JHC na disputa pela prefeitura de Maceió, e considerandosuas posições mais progressistas, não seria surpresa se o jovem Deputado apoiasse o projeto da interiorização do Poder, com
Luciano Barbosa.
Cientista Político
Emj1010@gmail.com

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Por Eduardo Magalhães

Mudou alguma coisa?

Confesso que tem sido difícil me convencer a voltar a escrever sobre política. Não é que esteja decepcionado com o que aconteceu no Brasil nos últimos anos. Em todos os aspectos, ultimamente, tivemos avanços consideráveis em quase todos os setores da vida brasileira. Ainda assim, quando nos posicionamos num confronto com as demais nações do mundo nos sentimos entristecidos e quase humilhados.

Temos a Justiça Eleitoral mais eficiente e fazendo uso do que há de mais avançado em questão de eleições/votações, do ponto de vista cientifico e tecnológico no mundo. E provavelmente, as eleições mais caras também.

Muito cedo, a observação de alguns detalhes das eleições me deu lições que foram muito importantes em toda minha vida como estudioso da política.

Na minha primeira eleição, em Porto Real do Colégio, por ser acadêmico de Direito e estudar na Capital, fui escolhido como Delegado de Partido, para atuar tanto na eleição, como na apuração dos votos, que se realizaria no dia seguinte após a eleição.

Devidamente paramentado de paletó de eleitor participei da eleição que transcorreu às mil maravilhas mesmo cercado por muita gente armada, tanto do “encarnado” como do “azul. ”
O ritual da apuração era mais sofisticado, até porque dali é que seriam conhecidos os resultados da eleição.

Nessa eleição ainda se usavam cédulas individuais (já podem adivinhar minha idade?). Estávamos todos, Juiz, candidatos, fiscais, delegados sentados à uma mesa retangular grande no salão principal da Prefeitura. Para mim e para os outros participantes aquilo era mesmo uma grande solenidade. O verdadeiro exercício da Democracia.

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Entregue a urna ao Juiz, este, com a ajuda de sua secretária, despejava sobre a mesa, à vista de todos, todo o conteúdo da urna, que incluía atas e anotações. Após as instruções finais do Juiz para os escrutinadores, era iniciada a contagem.

Chamou-me a atenção uma filigrana técnica. Tomando a palavra, o Juiz, olhando para todos os lados e para mim em especial, informou que anunciaria a quantidade exata de cédulas para cada candidato, contida em cada envelope. Desta forma: para Vereador, José Dantas, sete cédulas. Take a look at free spins no deposit required keep your winnings. Para Vereador, Antônio dos Santos, 11 cédulas. Como aquela maneira de compatibilizar o voto me deixou intrigado e isso deve ter chamado a atenção do Juiz, Sua Excelência informou: “Estou declarando o número de cédulas em cada envelope para o candidato a vereador, por determinação legal.”

Nunca soube se era determinação legal ou não, mas tinha certeza de que era uma forma da Justiça Eleitoral contribuir para que os candidatos e chefes partidários “marcassem” e identificassem o voto dos eleitores mais humildes. Os chefões levavam mapas para a sala de apuração onde neles anotavam como tinham votado os eleitores cujos votos tinham sido marcados. Simples assim.

 

Eduardo Magalhães é Cientista Político e Caçador da Esperança

Por Redação


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