Celebrado como um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, Gylmar dos Santos volta ao centro de uma polêmica décadas após sua morte. Segundo relato do geólogo e ex-preso político Adriano Diogo, o ex-jogador teria atuado como despachante ligado ao DOI-CODI durante os anos mais duros da ditadura militar no Brasil.
A denúncia foi revelada em entrevista ao portal Lance!, a partir de declarações de Diogo, que esteve preso em 1973 e afirma ter visto Gylmar diversas vezes nos corredores de instalações usadas para interrogatórios, torturas e assassinatos de opositores do regime.
“Ele circulava pelos andares da delegacia onde aconteciam as sessões de tortura. Eu o reconheci imediatamente”, relatou o ex-preso político, que permaneceu detido por cerca de três meses durante o período militar.

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De acordo com o depoimento, o ex-goleiro também estaria envolvido em negociações de veículos apreendidos pelo aparato repressivo, vendidos a delegados e militares com benefícios concedidos pelo governo da época, incluindo isenções fiscais.
As acusações associam Gylmar à estrutura da OBAN (Operação Bandeirante), organização que antecedeu o DOI-CODI e ficou marcada pela perseguição violenta a adversários políticos do regime instaurado após o golpe de 1964.
A revelação contrasta fortemente com a imagem construída pelo ex-atleta dentro de campo. Bicampeão mundial com a Seleção Brasileira nas Copas de 1958 e 1962, Gylmar teve passagens históricas por Corinthians e Santos, acumulando títulos nacionais e internacionais e consolidando seu nome entre os maiores goleiros do futebol mundial.
Gylmar dos Santos morreu em 2013, vítima de um AVC. As declarações reacendem o debate sobre a relação entre personalidades públicas e os bastidores da repressão durante a ditadura militar brasileira.





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