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Tempestade perfeita: briga de rua, Banco Master e guerra familiar 

por | 24 maio, 2026

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A contenda entre o ex-deputado federal e presidente da Democracia Cristã (DC), João Caldas, e o ex-ministro Aldo Rebelo, lançado pela legenda como candidato à Presidência da República, terminou com a retirada unilateral da candidatura, sem comunicação prévia ao ex-ministro.

Caldas herdou do ex-deputado federal paulista José Maria Eymael o controle da sigla, utilizada como instrumento de negociação política no campo da direita e da extrema direita. A candidatura de Aldo Rebelo poderia servir a esse propósito, embora as pesquisas lhe atribuíssem menos de 1% das intenções de voto. Para substituí-lo, João Caldas lançou o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, comparado por ele a Neymar pela projeção nacional.

O rompimento foi acompanhado de notas públicas, ameaças de judicialização e da expulsão sumária de Aldo Rebelo, sem direito de defesa, numa demonstração, segundo a leitura predominante nos bastidores políticos, de que o comando do DC está concentrado em João Caldas. A crise evoluiu para uma briga de rua envolvendo os dois políticos sexagenários, que por pouco não entraram em vias de fato no Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília.

A disputa tornou-se, ainda, um complicador para JHC, filho de João Caldas e candidato ao governo de Alagoas. O ex-prefeito de Maceió foi lançado ao centro da crise após Aldo Rebelo afirmar que Caldas teria recorrido ao nome de Joaquim Barbosa por preocupação com o avanço das investigações da Polícia Federal sobre o caso Banco Master, em Alagoas, e pela influência do ex-ministro junto ao STF.

Tempestade Perfeita

No entorno do ex-prefeito de Maceió, poucas pessoas escondem a preocupação com as frentes abertas que têm JHC como alvo. O ex-ministro Aldo Rebelo não dá sinais de que deixará sem resposta a decisão considerada autoritária do pai de JHC. Nos bastidores políticos, avalia-se que novas denúncias ainda poderão surgir na imprensa nacional.

O senador Renan Calheiros (MDB), candidato à reeleição, ocupa uma posição estratégica na presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, uma das principais frentes de acompanhamento das investigações sobre o Banco Master. Renan defendeu acesso irrestrito da comissão aos documentos da Polícia Federal e do STF relacionados ao caso.

Na Câmara Municipal, o vereador Rui Palmeira (PSD) foi o primeiro político a denunciar as irregularidades praticadas pela diretoria do IPREV. Ele levou à Polícia Federal denúncias sobre a operação de R$ 117 milhões entre o instituto e o Banco Master, envolvendo recursos pertencentes a pensionistas, aposentados e servidores da Prefeitura de Maceió.

Entre os Caldas, pai e filho, a relação, que já não era das melhores, escalou ao abrir uma nova frente de desgaste nacional para JHC.

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