domingo 2 de outubro de 2022

49 anos de golpe no Chile: 4 documentários para entender a densa Ditadura Militar Chilena

11 de setembro de 2022 6:02 por Da Redação

O dia 11 de setembro de 1973 entrou para a memória da América do Sul e da América Latina, como um dos momentos mais densos e sombrios da história e da política. Há 49 anos, nesta data, as Forças Armadas chilenas cercaram o Palácio de La Moneda e assassinaram brutalmente o presidente eleito constitucionalmente, Dr. Salvador Allende (1908-1973).

O Chile mergulhava numa das mais sangrentas ditaduras do continente, liderada pelo general Augusto Pinochet (1915-2006), que resultou na morte de mais de 3 mil pessoas.

Para entender o processo do golpe no Chile e a ditadura que se instaurou no país, selecionamos 4 documentários que vale a pena assistir: 

 

Estádio Nacional (2002), de Carmen Luz Parot

De 11 de setembro a 9 de novembro de 1973, o Estádio Nacional do Chile foi usado como campo de concentração, tortura e morte. Mais de doze mil presos políticos foram presos lá sem acusações ou ações judiciais após o violento golpe militar contra o governo socialista de Salvador Allende. Pelo menos sete mil pessoas foram torturadas impunemente. Este documentário, realizado 30 anos depois, é a primeira investigação jornalística que fornece uma cronologia exata desses fatos.

 

A Batalha do Chile (1975, 1977 e 1979), de Patricio Guzmán

Considerado um dos melhores e mais completos documentários latino-americanos. Dividido em três partes (A insurreição da burguesia; O golpe militar e O poder popular), o filme cobre um dos períodos mais turbulentos da história do Chile, a partir dos esforços do presidente Salvador Allende em implantar um regime socialista (valendo-se da estrutura democrática) até as brutais consequências do golpe de estado que, em 1974, instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet.

 

 

Salvador Allende (2004), de Patricio Guzmán

Desde a infância passada em Valparaíso à morte durante o golpe militar do General Pinochet em 11 de setembro de 1973, um panorama da vida e das realizações do presidente chileno Salvador Allende, incluindo entrevistas e imagens de arquivo.

 

La ciudad de los fotógrafos (2006), de Carito Pere

Durante a ditadura de Pinochet, na rua, no ritmo dos protestos, um grupo de fotógrafos formou e criou uma linguagem política. Para eles, fotografar era uma prática de liberdade, uma tentativa de sobreviver, uma alternativa para continuar vivendo. Eles representam o passado inóspito do Chile e a metamorfose da sociedade chilena.

 

 

* Com informações do MST.

Lançamento de astronautas da SpaceX é adiado para 3 de outubro

28 de agosto de 2022 5:39 por Vanderlei Tenório

O próximo lançamento de astronautas da SpaceX para a NASA foi adiado para 3 de outubro. A informação é do “Space.com”.

O site estadunidense recorda que a SpaceX e a NASA tinham como data 29 de setembro para o lançamento da missão Crew-5 para a Estação Espacial Internacional (ISS). Entretanto, o voo agora decolará não antes de 3 de outubro, anunciou a NASA em uma atualização no dia 25.

“O ajuste de data permite uma separação extra com o tráfego de naves que chegam e saem da estação espacial”, disseram funcionários da agência na breve atualização, que não identificou as missões específicas que são motivo de preocupação com o engarrafamento.

Segundo o “Space.com”, se tudo correr conforme o planejado, o Crew-5 agora será lançado no topo de um foguete Falcon 9 do Centro Espacial Kennedy da NASA na Flórida em 3 de outubro às 12h45 EDT (1645 GMT). 

A tripulação da missão Crew-5 da SpaceX para a Estação Espacial Internacional. Da esquerda: Koichi Wakata da JAXA (Agência de Exploração Aeroespacial do Japão), a cosmonauta da Roscosmos Anna Kikina e os astronautas da NASA Nicole Mann e Josh Cassada. (Crédito da imagem: SpaceX)

O jornalista Mike Wall apurou que a missão enviará quatro astronautas à ISS a bordo de uma cápsula SpaceX Dragon: Nicole Mann e Josh Cassada da NASA, o astronauta japonês Koichi Wakata e a cosmonauta Anna Kikina, que se tornará a primeira russa a voar em uma espaçonave americana privada.

Por fim, o site lembra que este não é o primeiro atraso de lançamento do Crew-5. A NASA e a SpaceX anteriormente adiaram a decolagem do início de setembro para 29 de setembro para acomodar o trabalho de reparo no primeiro estágio do Falcon 9.

 

NASA convocará astronautas para nova etapa de missão

24 de agosto de 2022 2:03 por Vanderlei Tenório

Recentemente, a NASA considerou todos os astronautas da agência para as missões lunares Artemis. A iniciativa reverte um anúncio de 2020 que selecionou 18 astronautas para essas missões, que a NASA chamou de “Equipe Artemis”.

“Do jeito que eu vejo, qualquer um dos nossos 42 astronautas ativos é elegível para uma missão Artemis”, disse o astronauta da NASA Reid Wiseman, chefe do escritório de astronautas no Johnson Space Center da NASA em Houston, a repórteres durante uma transmissão ao vivo na sexta-feira. “Queremos montar a equipe certa para esta missão.”

Cabíria Festival começa nesta quarta (27)

26 de julho de 2022 4:01 por Vanderlei Tenório

Cabíria Festival Audiovisual, que este ano se configura em formato híbrido, selecionou seis longas-metragens para compor sua programação desta quarta edição, formada por 23 obras entre curtas, longas e microfilmes.

Eles serão exibidos Centro Cultural São Paulo (CCSP), entre 27 e 30 de julho, com entrada gratuita e retirada de senhas uma hora antes na bilheteria. Com exceção de “Pequena Mamãe” e “Faya Dayi“, os filmes também serão disponibilizados online na Mostra Cabíria, que vai ao ar na plataforma de streaming Cardume até 3 de agosto, também com gratuidade.

Confira a programação em https://www.cabiria.com.br/

 

Abertura

“Feminino Plural”, de Vera de Figueiredo

A sessão de abertura, no CCSP, apresenta o filme homenageado do ano: “Feminino Plural“, de Vera de Figueiredo, exibido às 20h30 do dia 27. Um filme de vanguarda, de 1976, conta a história de sete mulheres motoqueiras, amazonas modernas, que conduz, numa sequência de eventos vividos por elas e suas contradições, uma busca por um caminho revolucionário e libertário na vida em geral e no cinema em específico.

 

Programação

No dia 28, às 19h, o festival em parceria com a MUBI promove pré-estreia nacional em sessão única do longa-metragem “Faya Dayi”, da diretora mexicana-etíope Jessica Beshir. O filme foi aclamado em sua première mundial, em Sundance de 2021, e desde então passou por outros 25 festivais até chegar ao Brasil. Minutos antes, o público assiste a uma entrevista exclusiva com a diretora. A obra estreia em 10 de agosto na MUBI, distribuidora global e serviço de streaming com curadoria.

“Faya Dayi”, da diretora mexicana-etíope Jessica Beshir.

Outros três longas-metragens farão parte das sessões Curta+Longa, promovidas a cada dia de evento presencial. Ainda no dia 28, às 16h, o longa documental “Indianara“, de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa – precedido pelo curta “Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui“, de Èrica Sarmet – sobre a luta da ativista que dá nome ao filme pela sobrevivência das pessoas transgêneras no Brasil.

Já no dia 29, às 19h, após o curta “Per Capita“, é a vez do longa “A Felicidade das Coisas“, de Thais Fujinaga, que estará presente para um bate-papo após a sessão. O filme, cujo roteiro foi vencedor do Prêmio Cabíria, conta a história de Paula, que sonha em construir uma piscina para os filhos na sua modesta casa de praia.

“A Felicidade das Coisas”, de Thais Fujinaga.

No dia 30às 16h, após o curta “Curupira e a Máquina do Destino“, o filme “Pequena Mamãe” é exibido. Trabalho mais recente da cineasta Céline Sciamma, esteve no 71º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2021, e foi premiado no British Independent Film Award (Melhor Filme) e no BAFTA (Melhor Filme Estrangeiro).

Encerrando a edição presencial, ainda no dia 30, às 20h, o festival exibe o longa “Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: A Terra é Nossa“, de IsaelSueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero, precedido do curta “Quando a Noite Chegar, Pise Devagar“, de Gabriela Alcântara. Trata-se de um documentário que expõe as formas de genocídio contra os povos indígenas e a destruição massiva das florestas.

“Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: A Terra é Nossa”, de Isael e Sueli Maxakali.

 

 

*A partir de informações da Assessoria.

Cine Arte Pajuçara promove pré-estreia para arrecadar donativos às famílias atingidas pelas chuvas

13 de julho de 2022 3:41 por Vanderlei Tenório

O Centro Cultural Arte Pajuçara, via Cine Arte Pajuçara promove, nesta quarta-feira (13), às 20h20, um evento para arrecadar donativos para as famílias atingidas pelas fortes chuvas em Maceió.

Trata-se da pré-estreia do tão esperado filme de Baz Luhrmann “Elvis”, que tem gerado grande expectativa por parte da crítica e do público. A estreia mundial do longa está prevista para o dia 14 de julho.

Divulgação

 

Sobre o filme

“O filme explora a vida e a música de Elvis Presley sob o prisma da complicada relação com o seu enigmático agente, Tom Parker”, diz a sinopse. “A história mergulha na complexa dinâmica entre Presley e Parker ao longo de 20 anos, desde o início da carreira de Presley até ao seu estrelato sem precedentes, contrastando com as mudanças culturais e a perda da inocência da América. No centro desta jornada está uma das pessoas mais importantes da vida de Elvis, Priscilla Presley”, continua a sinopse (via Observatório do Cinema).

Elvis Presley (Austin Butler) leva as fãs ao delírio em “Elvis” — Foto: Divulgação

O elenco de Elvis conta com Austin Butler como Elvis Presley e Tom Hanks como o Coronel Tom Parker.

 

Ingresso

Para assistir ao filme nesta quarta, que é o Dia Mundial do Rock, basta adquirir o ingresso por R$ 10,00 e levar um donativo como alimentos, roupas, produtos de higiene e cobertores, que serão doados para famílias atingidas pelas chuvas na capital. A pré-estreia está marcada para as 20h20.

 

Palavra do Centro Cultura Arte Pajuçara

Sobre a exibição, o diretor executivo do cinema Marcos Sampaio, declarou o seguinte:

“O filme estreia nesta quarta, uma pré-estreia especial, no Dia mundial do Rock, estamos trazendo o Elvis aqui para o Cine Arte Pajuçara oferecendo ao público a possibilidade de assistir em primeira mão, essa produção que vem chamando a atenção da crítica pela qualidade, por contar a história do rei do rock”, disse Marcos.

A doação é obrigatória no dia da pré-estreia do filme, mas aqueles que forem assistir ao filme depois do lançamento também podem fazer uma doação no cinema. De terça a quinta-feira todos pagam R$ 10,00 no ingresso do cinema e de sexta a domingo e feriados o ingresso fica por R$ 20,00 a inteira e R$ 10,00 a meia.

O diretor explicou que a data mundial da estreia do filme é na quinta-feira (14) e depois do lançamento o filme não tem data definida para sair de cartaz. A permanência do longa-metragem depende da audiência do público.

“Aproveitamos a oportunidade para convocar os espectadores a também colaborarem nessa campanha para minorar o sofrimento de muitos que perderam tudo com as últimas chuvas”, disse Marcos.

A ação é realizada pelo espaço cultural em parecia com a Central Única das Favelas (CUFA) em Alagoas, que tem corrido para atender às necessidades das vítimas e dá apoio às regiões periféricas da capital e do estado. Todos os donativos serão direcionados para a CUFA-AL.

 

 

* Com informações da Assessoria 

Paramount não irá censurar filmes de época

O CEO da Paramount, Bob Bakish, manteve-se firme em sua posição de que não removerá conteúdo com diferentes sensibilidades aos padrões atuais do novo serviço de streaming da Paramount.

Como uma das empresas de produção mais antigas, a Paramount tem uma riqueza de material histórico, alguns dos quais naturalmente defendem sensibilidades datadas da época, mas Bakish disse que não removerá ou censurará tal conteúdo. 

 

“Por definição, você tem algumas coisas que foram feitas em uma época diferente e refletem diferentes sensibilidades”, disse ele sobre alguns dos materiais mais antigos oferecidos. 

 

Adicionando: “Eu não acredito em censurar a arte que foi feita historicamente, isso provavelmente é um erro. É tudo sob demanda – você não precisa assistir a nada que não queira.”

Além disso, quando questionado sobre a recente controvérsia em torno da compra e privatização do Channel 4 no Reino Unido, Bakish se recusou a especular sobre o assunto, simplesmente comentando: “Estamos bem com onde estamos no Reino Unido”.

O serviço de streaming é novo no Reino Unido e, como tal, está sendo vendido a uma taxa mais baixa de £ 6,99 e é apresentado como um reforço aos hábitos de visualização, em vez de um concorrente principal. O serviço também será gratuito para os clientes do Sky Cinema

Caso Roe x Wade: Qual o posicionamento das grandes produtoras?

26 de junho de 2022 1:10 por Vanderlei Tenório

Muitas empresas da indústria do entretenimento já se manifestaram para garantir a seus funcionários que seus direitos à saúde são importantes para eles e destacaram opções para obter os cuidados de que precisam se moram em um estado que restringe esse acesso.

Em 24 de junho, a Suprema Corte dos EUA revogou a decisão Roe v. Wade de 1973 e eliminou o direito constitucional ao aborto, emitindo uma decisão histórica que provavelmente tornará o procedimento ilegal em metade do país e polarizará ainda mais uma nação profundamente dividida.

Sendo direto, a revogação significa que a decisão volta para os estados, muitos dos quais já tinham planos em vigor para que tal ato proibisse ou limitasse severamente quem pode fazer um aborto.

Infelizmente, o impacto promete ser transformador. Afinal, nesse contexto, vinte e seis estados proibirão quase todos os abortos, de acordo com o Instituto Guttmacher, uma organização de pesquisa que apoia o direito ao aborto. Ainda sobre a questão, treze estados já possuem as chamadas leis de gatilho projetadas para proibir automaticamente o aborto quando a lei entrar em rigor.

Isto posto, a decisão provavelmente desencadeará batalhas em várias novas frentes, incluindo o status de leis de aborto há muito adormecidas, como a proibição de Michigan de 1931. Nesse ponto, os legisladores em estados antiaborto terão que decidir se abrem exceções para casos de estupro ou incesto e se impõem penalidades criminais às pessoas que fazem abortos.

Por conseguinte, milhões de pessoas em todo os Estados Unidos agora encontram uma faceta crítica de sua saúde reprodutiva no ar, mas, felizmente, muitas empresas anunciaram como protegerão a saúde para aqueles que desejam fazer um aborto. É uma questão importante para os funcionários, com um estudo do Pew Research Center descobrindo que cerca de seis em cada dez americanos apoiam o aborto na maioria ou em todos os casos. 

Em consideração a isso, muitas produtoras de Hollywood com escritórios em estados que planejam restringir o acesso ao aborto apresentaram seus planos para ajudar os funcionários que desejam procurar o procedimento médico.

 

Confira o posicionamento das gigantes:

Muitas empresas da indústria do entretenimento já se manifestaram para garantir a seus funcionários que seus direitos à saúde são importantes para eles e destacaram opções para obter os cuidados de que precisam se moram em um estado que restringe esse acesso. Isso inclui a Warner Bros. Discovery, onde um e-mail foi enviado aos funcionários afirmando:

“Dada a recente decisão da Suprema Corte de anular Roe v. Wade e a provável eliminação do acesso a abortos em alguns estados, estamos imediatamente expandindo nossas opções de benefícios de saúde para incluem despesas para funcionários e seus familiares cobertos que precisam viajar para acessar uma série de procedimentos médicos, incluindo cuidados com abortos, planejamento familiar e saúde reprodutiva” (via The Hollywood Reporter).

O CEO da Paramount, Bob Bakish, enviou um e-mail semelhante que abordou a decisão da Suprema Corte, destacando as políticas de saúde existentes da empresa, que incluem cobertura para despesas relacionadas a viagens no caso de um determinado procedimento ser proibido onde os funcionários moram.

A Netflix oferece um subsídio vitalício de US$ 10.000 para funcionários em tempo integral nos Estados Unidos para reembolso de viagens relacionadas à saúde, incluindo aborto, cuidados de afirmação de gênero e tratamento de câncer. Enquanto isso, a Disney também entrou em contato com seus funcionários para dizer como cobrirá viagens para outros locais para decisões relacionadas à gravidez. 

O repórter Wikerson Landim apurou que os executivos da Disney também se comunicaram diretamente com as suas equipes, oferecendo com cuidados de qualidade e acessíveis para todos os funcionários, não importando onde eles morem.

Wikerson Landim também reportou que a controladora da NBC Universal, Comcast, preferiu não comentar o assunto, mas o Deadline apurou que a companhia oferece um benefício de viagem para funcionário que inclui todos os serviços e procedimentos médicos que não estão disponíveis perto da casa de um funcionário.

Por fim, uma fonte da Variety confirma que os funcionários da Sony têm um reembolso de viagem para cobrir serviços de saúde protegidos, que incluem saúde reprodutiva. Durante esse período difícil, é fundamental que os trabalhadores consultem suas próprias empresas, independentemente de estarem na indústria do entretenimento ou não, para ver quais coberturas são fornecidas e forçá-los a ir mais longe, se necessário.

 

* Texto elaborado para o Cinema Sétima Arte. 

 

© 2022 Vanderlei Tenório Pereira

 

Gustavo Petro se torna o primeiro presidente de esquerda da Colômbia

20 de junho de 2022 9:33 por Vanderlei Tenório

Gustavo Petro é economista e ex-guerrilheiro de esquerda. No segundo turno, ele derrotou o milionário de direita Rodolfo Hernández.

O candidato da coalizão Pacto Histórico, Gustavo Petro, triunfa no segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia sobre Rodolfo Hernández após a pré-votação publicada pelo Registro Nacional do Serviço Civil.

De acordo com os resultados preliminares, com 99,74% das assembleias de voto, Gustavo Petro obteve 11.270.944 votos (50,49%), enquanto Rodolfo Hernández obteve 10.549.290 votos (47,26%). Ao mesmo tempo, os votos em branco atingiram 501.559 votos (2,24%) e 271.511 votos nulos (1,20%).

Recordamos que, no primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 29 de maio, o líder da esquerda, Gustavo Petro, teve 40,2% das preferências, e o independente Rodolfo Hernández 28,1%.

“Hoje é dia de festa para o povo. Que se celebre a primeira vitória popular. Que tanto sofrimento seja abafado pela alegria que hoje inunda o coração da pátria”, comentou o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.

 

A votação:

As assembleias de voto fecharam às 16 horas locais. A partir desse momento começou a chamada pré-contagem. Paralelamente, iniciou-se o apuramento geral, que decorre em audiência pública no Conselho Nacional Eleitoral e cujo resultado final será conhecido posteriormente.

A pré-contagem é informativa e não tem valor jurídico vinculativo, enquanto a contagem geral, que está a decorrer em audiência pública no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), produzirá o resultado oficial, que poderá ser conhecido nos próximos dias.

Infograma cedido à imprensa

Segundo a impressa local, o presidente cessante da Colômbia, o uribista Iván Duque, disse ter chamado o líder do Pacto Histórico para “parabenizá-lo como presidente eleito pelo povo colombiano”. Acrescentou que concordaram em se reunir “nos próximos dias para iniciar uma transição harmoniosa, institucional e transparente”.

O candidato derrotado Rodolfo Hernández também parabenizou Petro e instou-o a implementar seu programa anticorrupção. 

“Aceito o resultado, como deve ser, se queremos que nossas instituições sejam fortes. Espero sinceramente que esta decisão seja benéfica para todos e que a Colômbia caminhe rumo à mudança”, disse o candidato da Liga de Governantes contra a Corrupção. 

 

Comemoração da esquerda latina:

Mensagens de felicitações foram enviadas a Petro pelo mexicano Andrés Manuel Obrador, pelo chileno Gabriel Boric, pelo hondurenho Xiomara Castro, pelo argentino Alberto Fernández, pelo cubano Miguel Díaz-Canel, pelo equatoriano Guillermo Lasso e pelo venezuelano Nicolás Maduro.

O líder mexicano chamou a vitória do economista de “histórica” ​​e disse que “os conservadores na Colômbia sempre foram duros e duros” e se referiu ao assassinato do candidato liberal Eliécer Gaitán, cuja morte provocou uma explosão de violência que durou décadas no país.

López Obrador disse que a vitória de Petro “pode ​​ser o fim desta maldição e a aurora para este povo irmão”. 

Por sua vez, Boric, que só assumiu a presidência de seu país em março, disse em um tweet que teve uma conversa com Petro para parabenizá-lo. 

“Alegria para a América Latina! Trabalharemos juntos pela unidade do nosso continente nos desafios de um mundo em rápida mudança. Vamos continuar!”. 

Da mesma forma, Xiomara Castro expressou suas felicitações

 “ao bravo povo da Colômbia por ter escolhido a histórica mudança social que o presidente eleito representa hoje”.

Díaz-Canel definiu a ascensão de Petro à presidência como uma “vitória popular histórica” ​​e expressou sua “vontade de avançar no desenvolvimento das relações bilaterais para o bem-estar de nossos povos”.

O presidente argentino disse: “A vitória alcançada por Petro e Márquez me enche de alegria” e relatou ter conversado por telefone com o líder do Pacto Histórico.

As lideranças de esquerda da região também enviaram suas felicitações. No Twitter, os ex-presidentes do Equador, Rafael Correa, da Bolívia, Evo Morales e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, atual pré-candidato presidencial, manifestaram seu apoio à vitória do ex-prefeito de Bogotá.

“América Latina em festa: Gustavo Petro é o novo presidente da Colômbia. Viva a Colômbia! Viva a Pátria Grande! Até a vitória sempre!”, declarou o ex-presidente.

O boliviano Evo Morales parabenizou o “povo da Colômbia” e a companheira presidencial de Petro, Francia Márquez, que será “a primeira vice-presidente afrodescendente da história do país”. “É a vitória da paz, da verdade e da dignidade”. 

Da Venezuela, o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela, Diosdado Cabello, tuitou:

“Falou a Colômbia, a Colômbia profunda, aquela que dói no sentimento bolivariano, buscando sua paz e com ela a paz de toda uma região. Abraçamos a grande vitória de um povo que resistiu a mil ataques dos narcotraficantes, parabéns.”

Depois acrescentou: “Gostaria de ser breve, mas as Vitórias Populares me dão grande e imensa alegria, a Colômbia votou por uma mudança, desejamos o maior sucesso ao presidente Petro e ao vice-presidente Márquez, ao povo colombiano: um abraço bolivariano. Unidos venceremos!”. 

 

Mas, afinal, quais são as perspectivas?

Após sua terceira candidatura à presidência, Petro está prestes a inaugurar uma nova era política na Colômbia. Por muito tempo, o país sul-americano foi governado por conservadores ou moderados, enquanto a esquerda política foi evitada por causa de sua percepção de proximidade com o conflito armado das FARC.

Petro, ex-prefeito da capital Bogotá e agora ex-senador, prometeu combater a desigualdade no ensino superior gratuito, reformas previdenciárias e pesados ​​impostos sobre terras improdutivas. Petro também quer pacificar o país, desacelerar a exploração de matérias-primas, promover o turismo e tributar mais fortemente as empresas.

Nesse sentido, pouco se sabia sobre os planos de Hernández. Ele queria agir contra a corrupção, embora ele próprio esteja sendo investigado por corrupção. O ex-prefeito de 77 anos da cidade de Bucaramanga recentemente se destacou com vídeos no Tiktok e seus ataques a estrangeiros, mulheres e oponentes políticos.

Foto: Mario Caicedo /EFE

Diante disso, para começo de conversa, com a vitória de Gustavo Petro, a Colômbia terá pela primeira vez um governo progressista em sua história, quebrando a hegemonia dos setores conservadores.

Nessa perspectiva, o jornalista e analista político Romain Migus disse que Petro tem um plano ambicioso do governo para implementar uma mudança sistemática nas causas que tornaram a Colômbia “um país altamente desigual com pouco acesso a serviços públicos”. Ele lembrou também que o Pacto Histórico não tem maioria no Legislativo, então será difícil para ele lançar seu projeto de “mudança radical” no país.

Outros analistas políticos explicam que o mandato Petro terá dificuldades de governar. Apesar de ter conquistado força no Congresso, a centro-esquerda possui apenas 35% das cadeiras do congresso. Mais da metade está nas mãos da centro-direita tradicional do país.

Petro se define como um “rebelde moderado” e atrai desconfiança entre os conservadores, os pecuaristas e uma ala do empresariado e do militarismo. Além de descartar a estatização da propriedade privada, ele propõe interromper a exploração de petróleo, transitar a economia para uma energia mais limpa, ampliar a produção de alimentos e reformar as regras de promoção dentro das forças militares.

Finalmente, deve-se destacar que com a vitória de Petro, os Estados Unidos perdem seu principal aliado em um país bastante complicado que nestes anos de desestabilização e interferência constituiu o epicentro das manobras imperialistas contra a Revolução Bolivariana na Venezuela.

 

Balanço da eleição:

Pouco menos de 40 milhões de cidadãos colombianos foram chamados às urnas no domingo, 13 de março, para as eleições gerais. 2.432 candidatos estavam concorrendo ao Senado e à Câmara Baixa. Dos 296 assentos alocados, 16 assentos foram reservados para as Circunscripciones Transitorias Especiales de Paz, abrangendo 167 municípios dos 16 departamentos afetados pelo conflito armado, conforme estabelecido pelos Acordos de Paz de 2016.

 

Quem é Petro?

Petro nasceu em 19 de abril de 1960 em Ciénega de Oro, no Caribe da Colômbia. A cidade é dedicada à pecuária e ao cultivo de algodão, mas foi criada em Ziquipará, cidade a cerca de 50 quilômetros de Bogotá. Estudou Economia na Universidade Externado e foi jornalista do jornal local Carta al Pueblo, que denunciava os problemas de sua comunidade.

O novo presidente da Colômbia juntou-se aos guerrilheiros do M-19 na serra do Zicapará aos 17 anos. Intitulou-se “Aureliano”, uma homenagem a Gabriel García Márquez, autor que admira e lê desde a adolescência.

Ele é um político “progressista” de esquerda de 62 anos que lutou contra o estado ao lado do M-19, um guerrilheiro nacionalista de origem urbana. Ele foi preso por um ano e meio antes de assinar a paz em 1990.

O ex-guerrilheiro foi senador, prefeito de Bogotá e estava em sua terceira tentativa de chegar à presidência, mas desta vez venceu graças à sua capacidade de reunir forças que sempre estiveram à beira dos prédios do poder, como movimentos sociais, ambientalistas, reivindicações, antimilitarismo e minorias.

Gustavo Petro com a vice-presidente Francia Marquez (Foto: Raul Arboleda/ AFP)

Uma coalizão que ele queria chamar de “Pacto Histórico”. Sua parceira de ingresso, a próxima vice-presidente France Marquez, é uma afro-colombiana que representa outra novidade absoluta. Nunca uma mulher negra ocupou um cargo tão alto. Os dois representam a Colômbia híbrida das duas costas, pacífica e caribenha, enquanto o poder político é prerrogativa da elite branca das terras altas, entre Bogotá e Medellín há décadas.

 

* Em correspondência para o jornal português Diário do Distrito (parceiro do CNN Portugal)

Jurassic Park III | O impacto da falta de um roteiro finalizado

Com um roteiro rejeitado apenas algumas semanas antes do início das filmagens, seria de esperar que a produção de “Jurassic Park III” fosse pausada para que um roteiro adequado pudesse ser escrito.

No entanto, os blockbusters raramente seguem regras sensatas. “Jurassic Park III” começou a fotografia principal mesmo sem um roteiro finalizado para basear tudo ao redor. Toda a produção seguiu em frente, inventando coisas à medida que avançava, com o diretor Joe Johnston revelando ao About.com que nunca houve um roteiro completo enquanto as câmeras estavam rodando.

Johnston elaborou sobre esse assunto explicando que o elenco e a equipe teriam páginas de roteiro para o dia em que estivessem filmando e ocasionalmente para o dia seguinte, mas era isso.

Nunca houve um roteiro completo maior para todos trabalharem. Isso resultou no final do filme sendo criado durante as refilmagens, pois ninguém conseguia descobrir qual deveria ser a conclusão enquanto estavam filmando originalmente.

Enquanto eles foram capazes de torcer um filme completo e até mesmo lucrativo de uma produção cinematográfica tão aleatória, ainda é estranho considerar um grande sucesso de bilheteria sendo feito de uma maneira quase improvisada.

Quer relembrar os detalhes aqui citados? Se sim, você pode assistir aos filmes da franquia no Paramount+Globoplay/TelecineNow e Oi Play. Se preferir, pode comprar ou alugar na AmazonGoogle Play iTunes.

Jurassic World: Domínio último filme da franquia Jurassic Park está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.

Precisamos reavaliar “Jurassic Park III”

Quando “Jurassic Park III” chegou aos cinemas em julho de 2001, os críticos não foram gentis com o filme. O tempo de execução abreviado, os personagens irritantes e a falta de um papel proeminente para o T-Rex foram críticas comuns à recepção geral do recurso, que estava longe da resposta brilhante que “Jurassic Park” havia recebido quase uma década antes.

Mas, como a própria vida, críticas positivas de “Jurassic Park III” conseguiram encontrar um caminho.

Nos anos desde seu lançamento, reavaliações de “Jurassic Park III” forneceram uma defesa do filme. Emma Stefansky de Thrillist, por exemplo, escreveu um ensaio intitulado “Eu não entendo porque todo mundo odeia ‘Jurassic Park III'”, com seu elogio ao filme centrado em fatores como a natureza aterrorizante dos Pteranodons e o desempenho de William H. Macy.

Enquanto isso, Sean Naughton, do Collider, opinou em 2022 que “Jurassic Park III” funcionou muito bem como entretenimento emocionante se fosse tomado como um filme B. Calum Russell, da Far Out Magazine, também observou que “Jurassic Park III” se beneficiou muito ao definir sua história contra imagens impressionantes de laboratórios e prédios da InGen desmoronados, uma manifestação visual do homem.

Mesmo o protagonista Sam Neill veio em defesa de “Jurassic Park III” nos últimos anos. Embora admitindo que o clímax foi decepcionante, Neill observou que sentia que o filme ainda proporcionava emoções de aventura sólidas.

Como a reavaliação generalizada de “Jurassic Park III” indica, Neill está longe de estar sozinho nessa opinião.

Quer relembrar os detalhes aqui citados? Se sim, você pode assistir aos filmes da franquia no Paramount+Globoplay/TelecineNow e Oi Play. Se preferir, pode comprar ou alugar na AmazonGoogle Play iTunes.

Jurassic World: Domínio último filme da franquia Jurassic Park está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.

Como foi para Don Davis assumir a trilha de Jurassic Park III?

12 de junho de 2022 9:45 por Vanderlei Tenório

“Jurassic Park III” não foi apenas o primeiro filme da franquia dirigido por outra pessoa que não Steven Spielberg. Foi também o primeiro filme de “Jurassic Park” que não seria composto por John Williams.

Em vez disso, Don Davis, o compositor da “Matrix” original, estaria lidando com esses deveres. É uma grande responsabilidade para um compositor entrar em qualquer franquia de longa data com uma sensibilidade musical pré-estabelecida, muito menos uma que foi definida por John Williams.

Felizmente, Davis tinha seus próprios pensamentos sobre o que ele poderia trazer para a franquia para garantir que ele não estivesse apenas trabalhando na sombra de Williams. Conversando com a Industry Central, Davis observou que achou uma “honra” trabalhar com os temas pré-estabelecidos que Williams trouxe para as entradas anteriores da saga “Jurassic Park”.

No entanto, Davis lembrou como ele teve que ajustar alguns deles um pouco apenas para se encaixar no ritmo específico de “Jurassic Park III”. Davis também apresentou temas únicos para “Jurassic Park III”, ou seja, para o casal Kirby, para garantir que os novos rostos da franquia tivessem elementos de áudio idiossincráticos para trabalhar, em vez de apenas passear com motivos musicais pré-estabelecidos.

Encontrar o equilíbrio entre o antigo e o novo é um trabalho árduo em qualquer projeto artístico, mas foi um desafio que Davis enfrentou e depois conseguiu fazer sua trilha de “Jurassic Park III” decolar.

 

Relembre a trilha sonora clássica de Jurassic Park 1:

Universidade Federal de Alagoas firma parceria com Centro Cultural Arte Pajuçara

31 de maio de 2022 7:32 por Vanderlei Tenório

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) passa a ter mais um local para desenvolver várias atividades voltadas a servidores, alunos e à sociedade em geral.

Foto: ASCOM UFAL

É um novo equipamento que, a partir da parceria firmada com a Associação Cultural Arte Pajuçara (Acap), está disponível para ações de incentivo à cultura alagoana, seja no cinema, no teatro ou na galeria do Centro Cultural Arte Pajuçara.

Tudo isso em regime de cooperação mútua, sem envolver nenhum tipo de remuneração entre as partes envolvidas e, o principal, promover o fortalecimento do último cinema de rua de Maceió. 

O termo de cooperação foi firmado na última quarta-feira (25) e, a partir de agora, a Ufal dará apoio institucional a eventos artísticos, culturais desenvolvidos pela Acap no âmbito do Cine Arte Pajuçara. E uma das ações já implantadas pela Acap é que em julho haverá o primeiro Corujão Arte Ufal

O reitor Josealdo Tonholo destaca que é papel da Ufal a preservação dos espaços de resistência. “Se nós que fazemos a universidade não prezamos pelos espaços de resistência, quem fará isso? Resistência, resiliência aqui nessa casa, o Cine Arte Pajuçara, que sempre resistiu por tantas vezes em relação à manutenção da cultura e da arte, de forma a contribuir para o desenvolvimento do nosso estado. Nada mais justo do que a Ufal se aproximar desse Centro Cultural”, confirmou. 

Tonholo afirma que o termo de cooperação não tem relação apenas com o Cine Arte Pajuçara. Envolve todo o Centro Cultural e os espaços culturais da Universidade, a exemplo do Auditório Guedes de Miranda, que é outro espaço de resistência, e do Cine Penedo, o mais novo equipamento cultural e que está em obra de restauro.

Foto: ASCOM UFAL

 “A partir de agora a Ufal passa a ter dois cinemas com essa parceria, um aqui em Maceió e um em Penedo. Com essa cooperação, colocamos à disposição da Acap toda a infraestrutura da Universidade Federal de Alagoas. Que sejamos todos juntos ativos em prol da cultura do nosso estado. Quero agradecer ao Marcão [Marcos Sampaio], ao Rafael e a todos os envolvidos nessa parceria”, reforçou.  

Para o pró-reitor de Extensão, Cezar Nonato, essa parceria tem tudo a ver com a Universidade está envolvida. “Das instituições de ensino superior de Alagoas, a Ufal carrega a tarefa de se envolver plenamente no âmbito da cultura. Agrega os cursos, a pós-graduação e a extensão vinculados ao campo das artes. Temos essa tarefa, enquanto instituição, de apoiar todos os equipamentos que fazem e fortalecem a cultura em nosso estado. O Centro Cultural Arte Pajuçara, tem uma importância monumental para todos nós. É um ponto de resistência, de apoio ao cinema, de debate, de fazer pensar”, destacou.  

Para o diretor executivo da Acap, Marcos Sampaio, também destaca a importância dessa parceria: “É uma alegria para nós que fazemos a Associação Arte Pajuçara fazer uma parceria com a principal instituição de ensino público superior de Alagoas. Estamos conveniados no sentido de conseguirmos manter esse espaço também funcionando. Fazemos parte de uma associação que cuida do espaço desde 2013, antes administrado pelo Sesi. Desde então, nós, de uma maneira corajosa, assumimos sem ter por trás nenhuma instituição mantenedora, por isso, estamos sempre em busca de parceria”.  

E revela: “Esse convênio com a Ufal vai permitir que algumas ações nossas se consolidem aqui dentro, como eventos, e também prevê atividades formativas, de capacitação, principalmente para os que atuam na área da cultura. Esse espaço é um polo de circulação de ideias, de debates, da arte e da cultura local”.  

Sampaio define que o Cine Arte Pajuçara é casa do cinema alagoano e acolhe muitas produções locais. “Estão aqui Sérgio [Onofre] e Rafael [Barbosa, presidente da Acap] que são realizadores de cinema e é aqui que os filmes deles dois e de tantos outros são exibidos. Vamos intensificar essa parceria e eu só tenho a agradecer a sensibilidade do reitor Tonholo, ao Cezar [Nonato] e ao Sérgio que tem sido um parceiro de longa data. Com essa formalização a gente vai dar um salto de qualidade. Estamos todos unidos em prol da cultura, da arte, porque sem elas não há vida”, reforçou. 

O presidente da Acap, Rafael Barbosa, também agradeceu a parceria. “A universidade pública sempre desempenhou um papel muito importante na formação dos realizadores e admiradores de cinema. Ainda não temos a graduação em cinema aqui no estado, mas temos uma demanda e uma produção cada vez mais ativas e com visibilidade nacional. Essa parceria é uma forma de a Ufal se aproximar desse movimento e de fortalecer a formação do cinema em Alagoas”, destacou. 

 

 

* Com informações da ASCOM UFAL.

 

 

Por que a China está reprimindo os muçulmanos uigures?

25 de maio de 2022 2:59 por Vanderlei Tenório

Recentemente, um vasto cache de dados hackeados de servidores de computadores da polícia revelou a extensão da repressão de Pequim aos muçulmanos uigures na região de Xinjiang do país.

Reprodução / BBC

Imagens dos arquivos da polícia de Xinjiang vazados que foram vistos pela BBC supostamente fornecem “novos insights significativos” sobre o uso da China dos chamados “campos de reeducação” e “prisões formais” como “sistemas de detenção em massa” visando o grupo minoritário . 

Nesse sentido, os documentos também fornecem a evidência mais forte até o momento de uma política que visa quase qualquer expressão de identidade, cultura ou fé islâmica uigur, acrescentou a emissora – e de uma cadeia de comando que vai até o líder chinês, Xi Jinping.

Quem são os uigures?

Os uigures são muçulmanos que habitam predominantemente a região autônoma de Xinjiang, com cerca de 22 milhões de habitantes. Sua língua é parente do turco e os uigures se veem culturalmente e etnicamente mais ligados à Ásia Central do que ao resto da China.

Por séculos, as principais atividades econômicas da região vinham sendo a agricultura e o comércio, com cidades como Kahshgar prosperando como entrepostos da famosa Rota da Seda. No começo do século 20, eles chegaram a declarar independência. Mas, em 1949, a região passou a ser controlada pela China comunista.

Reprodução / Share America

A agricultura é a principal atividade econômica da região, que é rica em minerais e petróleo. Ela recebeu uma quantidade considerável de investimentos, e testemunhou, além de um rápido crescimento econômico, uma onda de migração de colonos chineses da etnia han. Há cerca de 10 milhões de uigures vivendo em Xinjiang, mas eles deixaram de ser maioria na região com essa migração em massa da etnia han.

Os uigures têm constantemente reclamado que a distribuição dos lucros desse crescimento é desigual. Em resposta a essas críticas, as autoridades chinesas alegam que houve melhorias nas condições de vida dos moradores da região.

Por que a China os vê como uma ameaça?

A China alegou em 2014 que militantes uigures estavam realizando uma campanha de terror por um Estado independente, planejando bombardeios, sabotagem e revoltas cívicas. Pequim insistiu que são necessárias medidas de segurança rígidas para combater o extremismo religioso e o terrorismo, apontando para o problema da Europa com os ataques terroristas islâmicos nos últimos anos.

Em 2018, quando a repressão aos uigures começou a fazer manchetes em todo o mundo, um alto funcionário disse que a China estava tentando evitar os problemas de radicalização que a Europa experimentou. Li Xiaojun, diretor de publicidade do Bureau de Assuntos de Direitos Humanos do Gabinete de Informação do Conselho de Estado, acrescentou: “Olhe para a Bélgica, olhe para Paris, olhe para alguns outros países europeus. Você falhou.”

O ministro das Relações Exteriores Wang Yi insistiu em 2019 que “os centros de educação e treinamento em Xinjiang são escolas que ajudam as pessoas a se libertarem do extremismo”.

O que acontece nos acampamentos?

Depois de negar por muito tempo a existência de campos de internamento, a China foi forçada a admitir sua existência em outubro de 2018, depois que documentos governamentais, imagens de satélite e testemunhos de detentos fugitivos vieram à tona.

Pequim disse que os campos são centros de educação vocacional e que os detidos aprendem matérias como mandarim e leis chinesas. Mas, de acordo com grupos de direitos humanos, ex-detentos alegaram que os prisioneiros são submetidos a doutrinação política e abusos. Um ex-detento disse à AFP que foi forçado a cantar o hino nacional chinês e a comer carne de porco, o que é proibido no Islã.

A China alegou repetidamente que a maioria das pessoas enviadas para os centros de detenção em massa retornou à sociedade, uma afirmação refutada por parentes de detentos do campo. 

E seis uigures que vivem fora da China disseram recentemente ao The Telegraph que pelo menos uma dúzia de seus parentes e amigos que foram libertados dos campos de internação foram re-detidos por razões arbitrárias, como solicitar passaportes.

Os documentos

Os documentos policiais vazados para a BBC contêm mais de 5.000 fotografias de uigures tiradas entre janeiro e julho de 2018. Usando outros dados de acompanhamento, pelo menos 2.884 deles podem ser detidos, disse a emissora.

Os detidos teriam idades entre 15 e 73 anos e parecem ter sido presos por sinais externos comuns de sua fé islâmica ou por visitarem países com populações majoritariamente muçulmanas.

Um conjunto de protocolos policiais internos nos documentos também descreve o uso rotineiro de policiais armados em todas as áreas dos acampamentos, o posicionamento de metralhadoras e rifles de precisão nas torres de vigia e a existência de uma política de atirar para matar aqueles que tentam escapar.

O documento inclui determinações como:

  • “Não permitir fugas nunca”;
  • “Ampliar disciplinamento e punição contra violações de comportamento”;
  • “Promover confissões”;
  • “Fazer dos estudos de mandarim a prioridade máxima”;
  • “Encorajar estudantes para transformação de fato”;
  • “Garantir completude da vigilância por vídeo de dormitórios e salas de aula a fim de evitar pontos; cegos”.

Um número de discursos de funcionários de alto escalão do Partido Comunista Chinês também estão entre os arquivos, acrescentou a BBC.

O que diz as autoridades

Um discurso de 2018 proferido pelo ministro da Segurança Pública, Zhao Kezhi, elogiou o presidente Xi por suas “instruções importantes” na “construção de novas instalações” e “um aumento no financiamento das prisões” para atingir a meta de dois milhões de detidos. 

 

 

 

*Vanderlei Tenório é jornalista, bacharelando em geografia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), membro do BrCidades e do grupo pesquisa Geografia Popular (IGDEMA/UFAL).

 

Para evitar fechamento, Cine Arte Pajuçara lança campanha virtual

17 de maio de 2022 6:12 por Vanderlei Tenório

O Centro Cultural Arte Pajuçara, que funciona há mais de 40 anos na capital alagoana, está sob risco de encerrar suas atividades.

O espaço resistiu à pandemia de Covid-19, que provocou o fechamento de várias salas importantes pelo país, graças a Lei Aldir Blanc (Lei nº 14.017 de 29 de junho de 2020). Entretanto, após um longo período de crise no setor, a instituição pode encerrar definitivamente as atividades por causa de um débito no pagamento de um valor de cerca de R$ 100 mil referente a três anos de aluguel do prédio.

Nessa perspectiva, no intuito de quitar a dívida, o cinema criou uma “vaquinha virtual.

Divulgação

O cine:

O Cine Arte Pajuçara se notabilizou por ser um cinema que exibe os filmes de fora do circuito comercial (os tidos filmes independentes), o que lhe garantiu um espaço importante no cenário cultural e na agenda cinéfila da cidade. Fora isso, o prédio do centro oferece também ao público: uma sala de teatro e uma galeria de arte. Contudo, infelizmente, desde 2015, o Centro Cultural Arte Pajuçara vem passando por problemas de inadimplência.

A dívida:

Durante o auge da pandemia de Covid-19, as despesas com a manutenção das salas foram mantidas por meio de recursos da Lei Aldir Blanc. Porém, mesmo após a reabertura das salas de cinema e da volta do público, proporcionadas pela diminuição dos casos de Covid-19, o Cine Arte não conseguiu quitar a dívida.

Apesar do bom fluxo de público no local, segundo o diretor executivo do cinema, Marcos Sampaio. “Não temos nada a reclamar, nosso público tem sido maravilhoso desde a reabertura, porém a dívida ainda continua muito grande”, diz Sampaio.

De acordo com ele, desde o início dos processos na Justiça, a direção vem buscando acordos e mecanismos para quitar a dívida, mas quase sempre sem sucesso. O valor atualmente gira em torno de R$ 100 mil. Após a última tentativa de acordo, a direção teve mais uma resposta negativa por parte da empresa dona do prédio, o que resultou em uma ordem de despejo.

A saída:

Devido a urgência em quitar as dívidas, a direção do Cine Arte resolveu propor em suas redes sociais uma “vaquinha” para a arrecadação de recursos.

“A vaquinha foi criada mais pela urgência da situação, mas estamos abertos e buscando parcerias com empresas, instituições para parcerias, ações de publicidade além do espaço estar disponível para aluguel”, finaliza Marcos Sampaio.

Os interessados em contribuir podem obter mais detalhes e acompanhar a progressão da arrecadação por meio deste link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-o-arte-pajucara.

Contribuição através de pix por meio da chave: 2848169@vakinha.com.br

A vaquinha:

A vaquinha conta com vantagens para quem contribuir e funciona da seguinte maneira:

Recompensas:

​R$ 20,00: você contribui para salvar o Arte Pajuçara e recebe a nossa gratidão eterna;

R$ 50,00: além de nossa gratidão eterna, você recebe como recompensa seu nome escrito no painel de salvadores do Arte Pajuçara;

R$ 100,00: além de nossa gratidão eterna e seu nome escrito no painel de salvadores do Arte Pajuçara, você recebe o valor equivalente à doação revertido em 10 (dez) ingressos do cinema para usar quando quiser;

R$ 500,00: além de nossa gratidão eterna e seu nome escrito no painel de salvadores do Arte Pajuçara, você recebe um Poderoso Cartão, que garante o acesso livre a todos os filmes em cartaz durante 6 meses, sem limites de uso (exceto Corujão);

R$ 1.000,00: além de nossa gratidão eterna e seu nome escrito no painel de salvadores do Arte Pajuçara, você recebe um Poderoso Cartão para acesso livre a todos os filmes em cartaz durante 1 ano; sem limites de uso (inclusive no Corujão);

R$ 2.000,00: além de nossa gratidão eterna e seu nome escrito no painel de salvadores do Arte Pajuçara, você recebe um Poderoso Cartão para acesso livre a todos os filmes em cartaz durante 1 ano COM DIREITO A ACOMPANHANTE e sem limites de uso (inclusive no Corujão);

Valores acima de R$ 2.000,00 deverão ser informados pelo e-mail ingressoarte2022@gmail.com para apresentação de possibilidades, como locação do espaço, exibição de mídia, patrocínios e outras formas de contrapartida.

Eleições Filipinas 2022: Vitória esmagadora de Ferdinand Marcos Junior, filho do falecido ditador do país

15 de maio de 2022 1:29 por Vanderlei Tenório

A vitória representa o renascimento da família que foi forçada a partir para o exílio, acusada de corrupção. O resultado levanta questões sobre o futuro da democracia no país.

No dia 9 de maio, as Filipinas, país do Sudeste Asiático com cerca de 109 milhões de habitantes (67,5 milhões de filipinos residentes foram convocados a votar, juntamente com 1,7 milhão no exterior), elegeu seu novo presidente e vice-presidente, renovou a Câmara, parte do Senado, parte das administrações locais e 81 governadores. Segundo analistas, essa foi uma das eleições mais decisivas na história do país.

O sucesso de Ferdinand Marcos Junior foi ditado pela escolha de Sara Duterte como sua candidata a vice-presidente. Este é o maior sucesso eleitoral já registrado por um candidato desde 1989, quando Corazon Aquino assumiu o cargo na esteira dos tumultos contra o pai de Marcos. 

Foto: Eloisa Lopez/Reuters

Qual é o resumo Tenório?

Bora lá pessoal, nas eleições presenciais Filipinas de 2022, o filho do ex-ditador Ferdinand Marcos, chefe do regime no país entre 1965 e 1986, teve vantagem sobre os outros nove candidatos. Durante a campanha eleitoral, Ferdinand Marcos Junior, ou Bongbong (como ridiculamente é conhecido), assustadoramente tentou reabilitar a ditadura de seu vil pai, na qual milhares de pessoas foram torturadas e mortos.

Pesquisas iniciais deram a ele o primeiro lugar. Seu principal rival era a vice-presidente Leni Robredo, uma advogada de direitos humanos que já é uma dura opositora do presidente Rodrigo Duterte, especialmente pela “guerra às drogas” desencadeada pelo presidente em que milhares de pessoas foram mortas com execuções extrajudiciais por parte dos regulares e irregulares policiais. Durante os meses de campanha, Robredo insistiu na necessidade de transparência e no combate à força.

Uma preocupação, principalmente por parte de ONGs internacionais, era justamente a vitória esmagadora de Marcos Jr. Mas, qual é a preocupação Tenório? Bom, a preocupação está no fato de que Junior governe com ainda mais margem de manobra, encurralando a oposição. Vejam só que loucura, a vice-presidente de Junior é Sara Duterte, filha do presidente Rodrigo Duterte. Ironicamente (ou não), a chapa sinalizou um eixo cada vez mais sólido entre as duas lideranças históricas do país.

Os outros candidatos incluíam o prefeito de Manila, Francisco Isko Moreno Domagoso, o ex-campeão de boxe e atual senador Manny Pacquiao e o ex-chefe de polícia Panfilo Lacson.

Segundo a imprensa local, houve alguns incidentes nas assembleias de voto no tempo da votação. No município de Buluan, na ilha de Mindanao, três seguranças foram mortos em uma assembleia de votação por um grupo armado. Enquanto isso, no município de Datu, ocorreu uma explosão em frente a uma sede eleitoral.

 

O fim da era Rodrigo Duterte

A lei filipina proíbe um presidente de concorrer a um segundo mandato. Por isso, com a votação de 9 de maio, encerrou-se a era de Rodrigo Duterte, um período de seis anos que deu ao país grande repercussão internacional, mas não em termos positivos.

Duterte, conhecido como “o Justiceiro”, foi prefeito da cidade de Davao por 22 anos, onde entre esquadrões da morte e repressão extrajudicial montou um sistema sangrento de combate ao crime e ao tráfico de drogas. 

Foto: REUTERS

Segundo dados recolhidos pela organização não-governamental Human Rights Watch, pelo menos 1.000 pessoas na cidade foram mortas sem julgamento pelas forças de segurança e o próprio Duterte disse em entrevista que atirou e matou três pessoas. Em 2016, tudo isso passou de política local para nacional, com Duterte vencendo as eleições presidenciais.

A luta do presidente contra as drogas ganhou as capas de jornais de todo o mundo, com fotos pungentes dos cadáveres de traficantes e viciados nas ruas de Manila e outros centros do país, enquanto o presidente piscava para um holocausto para os viciados. Duterte ordenou às forças policiais que atirassem em caso de qualquer tipo de resistência, uma licença para matar que depois estendeu também aos cidadãos, oferecendo o álibi da legítima defesa.

A era Duterte também foi um problema para muitas outras pessoas. 166 ativistas ambientais foram mortos nas Filipinas entre 2016 e 2020, enquanto jornalistas e políticos da oposição foram perseguidos pelo judiciário. A condição das mulheres no país também se deteriorou, com o presidente não tendo problemas em apalpar mulheres em público ou chamando alguns participantes de um evento sobre o empoderamento feminino de “prostitutas”. 

 

Mas, quem é Fernand Marcos Jr.?

Nascido em 1957, Ferdinand Marcos Jr. é o único filho do ex-ditador filipino. Exilado com sua família em Honolulu após o colapso do regime, ele retornou às Filipinas em 1991, dois anos após a morte de seu pai. Passaram-se apenas alguns meses do regresso a casa à entrada na política: o presidente Aquino tinha de facto concedido tanto o regresso às Filipinas como a possibilidade de regressar à política. 

Foto: Rodel Luminares/EPA

Ferdinand “Bongbong” Marcos Jr. foi primeiro deputado, depois governador de Ilocos Norte (feudo histórico da dinastia Marcos), e finalmente deputado e senador entre 2010 e 2016. Em Ilocos Norte, porém, alguns o lembram como um governador ausente: ele havia se matriculado em Oxford e estava frequentemente nos Estados Unidos, mas nunca terminou sua carreira acadêmica além da graduação.

Ele concorreu a vice-presidente em 2016, mas perdeu para a candidata Leni Robredo – mais tarde conhecida por sua oposição às políticas de Duterte. Portanto, não é por acaso que Marcos Jr. logo herdou o eleitorado de Duterte (apesar de algumas divergências entre os dois). 

Sua vitória foi prevista pelas pesquisas, onde superou 55% das preferências. As promessas na campanha eleitoral foram definidas pelos observadores como “vagas”, mas isso não impediu que Bongbong levasse para casa um sucesso inesperado, o mais marcante desde a época da eleição de Aquino.

 

O que esperar?

A vitória de Marcos Jr. foi prevista pelas pesquisas, que já antecipavam seu sucesso nas urnas. Uma fama que tem suas raízes em um sistema histórico monopolizado por clãs familiares, mas que conseguiu se renovar nas redes sociais e nos meios de comunicação de massas. O plano de Marco para chegar à presidência está em vigor há décadas. 

Quase 40 anos após o fim da ditadura e como se a memória coletiva tivesse sido apagada por uma borracha Mercur Prima, hoje cabe a Ferdinand Marcos Jr governar. Entre boas intenções de combate à corrupção e uma certa linha de continuidade com seu antecessor Duterte na guerra ao crime, ele construiu seu consenso no apoio dos jovens, e graças também a uma campanha eleitoral massiva nas redes sociais. 

Reprodução / Poder 360

Mas acima de tudo, promoveu uma espécie de revisionismo histórico ao som de mistificações e fake news, com os terríveis vinte anos do regime de seu pai contados como uma idade de ouro para as Filipinas e o ex-ditador retratado como um verdadeiro gênio político próprio. A desilusão com uma classe política contribui para essa visão torpe.

Não é um bom presságio para um país que vem dos seis anos de Rodrigo Duterte, durante os quais já havíamos voltado a falar de ditadura. À luz dos resultados eleitorais, no entanto, parece que o pior ainda está por vir e não é por acaso que o escritor filipino Miguel Syjuco escreveu no New York Times que Marcos Jr. “pode ​​arruinar o país para sempre”.

 

 

*Vanderlei Tenório é jornalista, bacharelando em geografia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), membro do BrCidades e do grupo pesquisa Geografia Popular (IGDEMA/UFAL).

 

 

 

Cineasta Breno Silveira morre aos 58 anos

15 de maio de 2022 3:05 por Vanderlei Tenório

Morreu neste sábado (14), aos 58 anos, o cineasta Breno Silveira. A morte, registrada no interior de Pernambuco, foi em decorrência de um infarto fulminante. Breno filmava no município de Vicência o longa “Dona Vitória”, que tem como atriz principal Fernanda Montenegro. A morte foi confirmada, via redes sociais, pela Conspiração Filmes, da qual o cineasta era sócio. 

Reprodução / O Imparcial

O diretor passou mal pela manhã, quando apresentou uma taquicardia e foi levado para o único hospital do município, onde morreu às 10h45. O corpo já foi liberado por um irmão do cineasta e seguiu para o Rio de Janeiro, onde será enterrado. Apesar de ter nascido em Brasília, nos últimos anos, Breno morava com a família na capital fluminense.

Em nota, a Conspiração Filmes cita o diretor como um dos mais brilhantes do cinema brasileiro:

“Nos seus projetos, Breno Silveira sempre imprimiu sua busca incansável pela excelência e soube, como poucos, usar a força do seu olhar para retratar o Brasil”. 

Silveira foi o diretor do filme “Dois filhos de Francisco: a História de Zezé di Camago e Luciano”, que se tornou a maior bilheteria da chamada retomada do cinema nacional brasileiro à época de seu lançamento, além de ter sido representante brasileiro ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (hoje Melhor Filme Internacional). “Gonzaga: De Pai para Filho”, outro clássico dirigido por Breno, alcançou mais de 1,5 milhão de espectadores nos cinemas e foi vencedor de três categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, incluindo a de melhor filme.

Cena de Dois filhos de Francisco

Os filmes de Silveira foram exibidos em festivais em Toronto, Havana e Monte Carlo. Também se destacou pelo seu trabalho para a TV. A sua série “1 Contra Todos” foi a brasileira que mais nomeações recebeu para o Emmy internacional.

Ele deixa a esposa, Paula Fiuza, e duas filhas, Olívia e Valentina.

 

Trajetória

Breno começou no cinema como diretor de fotografia. Sua primeira participação marcante foi no longa-metragem “Carlota Joaquina”, lançado em 1995, de Carla Camurati. Também foi diretor de fotografia de “Eu, Tu, Eles”, de Andrucha Waddington, trabalho que lhe rendeu o título de melhor fotografia no Grande Prêmio Cinema Brasil 2000.

O diretor se formou na Escola Louis Lumière de Paris e chegou a dirigir várias campanhas publicitárias para a televisão. Na direção de um longa-metragem, Breno estreou em 2005, no filme “Dois filhos de Francisco”, que conta a história de infância até o sucesso nacional da dupla Zezé di Camargo e Luciano.

Em seguida, dirigiu o filme Gonzaga: De Pai pra Filho”, que conta a história de vida de Luiz Gonzaga e do filho, Gonzaguinha. Em 2021, Silveira lançou a série “Dom”, inspirada nas invasões de prédios feitas por uma gangue do Rio de Janeiro. A trama acompanha Pedro Dom, um jovem de classe média e dependente químico que entra para o crime.

 

* Com informações da Agência Brasil.

 

ORIGINALMENTE PUBLICADO NA PÁGINA DE VANDERLEI TENÓRIO NO SITE PORTUGUÊS CINEMA SÉTIMA ARTE E EM SUA CORRESPONDÊNCIA AO JORNAL PORTUGUÊS DIÁRIO DO DISTRITO

Manolo Galván – um dos cantores mais interessantes do pop hispânico dos anos 70

11 de maio de 2022 2:34 por Vanderlei Tenório

Galván gravou mais de 40 discos e participou de várias edições do Festival de Viña del Mar. 

Ele foi um dos cantores mais interessantes do pop hispânico, vocalista de vários grupos e posteriormente solista, de quem muitos se lembrarão de sua versão de La Vida Sigue Igual”, à frente do grupo Los Gritos.

Manolo Galván, nascido em Alicante, Espanha, em 13 de março de 1947, iniciou sua carreira aos 15 anos, quando abandonou os estudos para viajar para Madri, onde tentou a sorte com a música – contra a vontade de seus pais.

Após várias tentativas com maior e menor sucesso, integrou um grupo chamado “Sonors”Mais tarde, deixou o grupo para iniciar uma carreira solo, mas quando não conseguiu, mudou-se para Málaga para fazer parte do grupo “Los Gritos”, com quem esteve por três anos. Seus sucessos desta época são: “La vida sigue igual”, “Sentado en la estación”, “Adiós verano, adiós amor”, “Lamento” (o “El lamento de tu voz”). Em seus primórdios cantou criações de autores notáveis ​​como Fernando Arbex e Juan Pardo.

Em 1970, ele conseguiu iniciar sua carreira solo. Em 1972, excursionou pela América Latina, tendo grande repercussão na Argentina com sua canção “¿Por qué te quiero tanto?” – que se tornou um clássico. Em 1973, fixou-se em Buenos Aires, fixando-se definitivamente na Argentina em 1981, ele foi seduzido pela simpatia do público argentino. Em solo argentino, fez várias apresentações com a cantora argentina Tormenta, gravando com ela alguns singles em dueto.

Galván e Tormenta

Em sua extensa discografia, o charmoso cantor espanhol tem sucessos como “Poema del alma”, “Deja de llorar”, “Te quise, te quiero y te querré”, “Hijo de Ramera”, “¿Por qué te marchas, abuelo?”, “Solo pienso en ti”, “Suspiros de amante”, além dos já citados.

Entre seus álbuns mais conhecidos estão: “Mis inquietudes”, “Te quise, te quiero y te querré”, “Mi única razón”, “Esperando el amanecer”, “El ganador”, “Una copa conmigo”, “Cada mujer un templo” e “Amame”. Seu último trabalho, foi “Clásicos inolvidables”, de 2005.

Ao longo de 40 anos, Galván participou de vinte festivais na Espanha e se apresentou em diversas ocasiões no Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, no Chile – competindo em popularidade com Julio Iglesias, Roberto Carlos e Sandro.

Em 2006, Galván se despediu dos palcos, após 40 anos de carreira. Ele morava em Bella Vista, na província de Buenos Aires. Manolo morreu em 2013 aos 66 anos devido a complicações pulmonares. 

Eleições na Irlanda: Qual é a probabilidade de uma Irlanda unida?

10 de maio de 2022 8:35 por Vanderlei Tenório

* Resumo do resultado das eleições parlamentares irlandesas de 2022.

A vice-líder do Sinn Féin, Michelle O’Neill, deve se tornar a primeira mulher primeira-ministra republicana da Irlanda do Norte

O Sinn Féin tornou-se o maior partido em Stormont pela primeira vez após as eleições para a Assembleia da Irlanda do Norte. Um partido nacionalista nunca foi o maior grupo na legislatura da Irlanda do Norte em seus 101 anos de história. Mas o Sinn Féin “superou” o Partido Unionista Democrático (DUP), que se tornou o segundo maior partido, enquanto o partido liberal centrista Aliança também obteve um resultado “histórico”, tornando-se o terceiro maior partido, disse a BBC.

Reprodução / Sky News

Os resultados são um ponto de virada na política da Irlanda do Norte. Desde o Acordo de Sexta-feira Santa de 1998, um político sindicalista sempre foi primeiro-ministro. Então, o que os resultados significam para o futuro da Irlanda do Norte?

O que esperar Tenório?

Do jeito que as coisas estão, o Acordo da Sexta-feira Santa significa que uma votação na fronteira pode ser realizada a qualquer momento e pode ser convocada pelo secretário de Estado da Irlanda do Norte se “parecer provável” que a maioria dos votantes “expresse um desejo” de Irlanda do Norte para fazer parte de uma Irlanda unida. A república irlandesa também teria que realizar um referendo.

O Sinn Féin fez uma campanha eleitoral que fez muito pouca menção a uma pesquisa de fronteira e, em vez disso, concentrou-se em questões básicas, como a crise do custo de vida. Antes das pesquisas da semana passada, a vice-líder das pesquisas, Michelle O’Neill, disse que as pessoas na Irlanda do Norte não estavam “acordando” pensando na unidade irlandesa, mas sim “na pressão que sentem agora” sobre os custos crescentes, publicou o Irish Times.

Mas isso não quer dizer que a unidade irlandesa não seja uma prioridade para o partido. O’Neill disse que enquanto seu partido estava focado na crise do custo de vida, “não será nenhum segredo que eu quero ver a unidade no país”. O manifesto do partido destaca seu compromisso com um referendo sobre a unidade irlandesa e pede aos governos britânico e irlandês que estabeleçam uma data para uma votação na fronteira. Na sexta-feira, a líder do Sinn Féin, Mary Lou McDonald, disse que o planejamento para um referendo de unidade ocorreria dentro de um “quadro de cinco anos”.

Cadê a maioria?

Bom, embora o Sinn Féin tenha claramente alcançado um “resultado histórico” dentro de um sistema político “originalmente projetado para garantir uma maioria sindicalista”, o resultado da eleição “não reflete qualquer aumento de apoio ao Sinn Féin”, argumentou Peter John McLoughlin, professor de política na Queen’s University Belfast, ao The Conversation.

Em vez disso, o partido garantiu apenas um aumento “marginal” de apoio desde a última eleição de Stormont em 2017, e o progresso do partido se tornou “mais espetacular” pelo colapso do DUP, bem como “divisões mais amplas dentro do nacionalismo”

O DUP “testou a paciência de muitos nacionalistas”, disse McLoughlin, “resistindo à legislação que apoiaria os falantes de língua irlandesa, apoiando o Brexit e depois rejeitando o acordo que foi negociado”. No geral, o foco do Sinn Féin em “preocupações mais práticas” tem “servido melhor do que a contínua obsessão do DUP com os acordos do Brexit”. 

E embora seja certamente do interesse do Sinn Féin “criar a impressão de que um referendo sobre a unidade irlandesa é iminente”, a “matemática” da legislatura sugere o contrário, disse David Blevins, correspondente sênior da Sky News na Irlanda. Embora o Sinn Féin seja pela primeira vez o maior partido em Stormont, “os sindicalistas ainda superam ligeiramente os nacionalistas na assembleia”. 

Ora, ora temos um impasse em Stormont:

O Sinn Féin “pode enfrentar uma luta árdua para cumprir seu sonho republicano”, disse Jude Webber ao Financial Times. Republicanos e partidários têm “poder compartilhado para manter a paz política” e os papéis de primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro são, na verdade, “idênticos”.

No entanto, o DUP se recusou a reentrar no executivo até que os acordos comerciais pós-Brexit entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte sejam descartados e “sem a participação do partido, o governo da Irlanda do Norte não pode funcionar de maneira significativa”, disse Webber.

Apesar da história de devolução em Stormont, que é “dominado pelos dois blocos de nacionalismo e sindicalismo”, o surgimento do Partido da Aliança como o terceiro maior agrupamento na legislatura também sugere uma nova “terceira força unificada” na política da Irlanda do Norte, disse o Belfast Live

O “enorme aumento” de votos para o Partido da Aliança significa que a legislatura agora tem “não duas, mas três grandes tribos – nacionalismo, sindicalismo e outros”. E sugere que, para muitos, “as questões do pão com manteiga importam mais do que o sindicalismo ou o nacionalismo”, concluiu o The Atlantic.

Para Reuters, a vitória do Sinn Féin encerra um século de dominação de partidos pró-britânicos, apoiados principalmente pela população protestante da região.

 

*Vanderlei Tenório é jornalista, bacharelando em geografia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), membro do BrCidades e do grupo pesquisa Geografia Popular (IGDEMA/UFAL).

Na TIME, Lula critica Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin

4 de maio de 2022 9:41 por Vanderlei Tenório

O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva criticou o presidente ucraniano Volodymir Zelensky pelo “espetáculo” do qual é protagonista, acusando-o de não ter negociado o suficiente. Mas ele também aponta o dedo para os Estados Unidos e a União Europeia, que acusa de fomentar o conflito.

Reprodução

A Time colocou na capa uma foto do ex-sindicalista e ex-metalúrgico, vestido com paletó escuro e uma gravata nas cores do Brasil, acompanhada da manchete “Segundo Ato de Lula”, apresentando o líder de esquerda, o favorito para vencer as eleições presidenciais brasileiras deste ano, como o mais popular do Brasil.

Na entrevista, Lula respondeu perguntas sobre como seria sua gestão da política externa e sua relação com outros países após 2023 em caso de vitória nas eleições de outubro, em um mundo fragmentado.

“Não conheço pessoalmente o presidente da Ucrânia. Mas seu comportamento é um pouco estranho. Parece fazer parte do show. Está na televisão de manhã, ao meio-dia e à noiteEle está no parlamento do Reino Unido, no parlamento alemão, no parlamento francês, no parlamento italiano, como se estivesse engajado em uma campanha política. Ele deveria estar na mesa de negociações”, repreendeu Lula em entrevista ao ‘Time’.

Lula criticou particularmente Zelensky, a quem acusou de querer a guerra, porque senão, disse ele, “teria negociado um pouco mais”O ex-presidente brasileiro lembrou que “foram poucas conversas” e que “se você quer paz tem que ter paciência”.

Eles podiam ficar dez, quinze, vinte dias, um mês inteiro sentados à mesa de negociações, tentando encontrar uma solução. Acredito que o diálogo só funciona quando é levado a sério”, ressaltou Lula. Nesse sentido, Lula denuncia que “ninguém” está ajudando a acabar com o conflito.

Desde o início do conflito, Lula se opôs à decisão de Putin de atacar sua vizinha Ucrânia. O ex-presidente, que governou o Brasil entre 2003 e 2010, atribuiu a inflação global às sanções que os EUA e a UE impuseram à Rússia pela invasão e criticou a falta de clareza sobre a expansão da OTAN, aliança militar liderada por Washington, para fronteiras russas.

“Os Estados Unidos e a UE deveriam ter assegurado a Putin que a Ucrânia não entraria na Otan”, disse Lula, que segundo a Time comparou a situação à crise dos mísseis soviéticos em Cuba em 1962, após a qual os Estados Unidos e a ex-União Soviética decidiram eliminar a implantação de mísseis em países terceiros.

As sanções ocidentais à Rússia impactaram injustamente as economias de outras regiões, acrescentou.

“A guerra não é uma solução. E agora vamos ter que pagar a conta da guerra na Ucrânia. Argentina, Bolívia também terão que pagar. Você não está punindo Putin, você está punindo muitos países diferentes, você está punindo a humanidade.”

Zelensky “é tão responsável” quanto o presidente russo Vladimir Putin“Não há um único culpado na guerra”, disse ele. “Saddam Hussein era tão culpado quanto Bush porque Saddam Hussein poderia ter dito: ‘Você pode vir aqui e verificar e eu vou provar que você não tem armas de destruição em massa’, mas ele mentiu para seu povo. disseram: “Vamos, vamos parar de falar sobre essa questão da OTAN, da adesão à UE por um tempo. Vamos conversar um pouco mais primeiro’”.

O fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), que neste sábado (7) lançará sua candidatura às eleições presidenciais de 2 de outubro com um ato em São Paulo, criticou a atitude do presidente norte-americano, Joe Biden, de não negociar com Putin .

“Os Estados Unidos têm muita influência política. E Biden poderia ter evitado [a guerra], não incitado. Ele poderia ter se envolvido mais. Biden poderia ter tomado um avião para Moscou para conversar com Putin. Essa é a atitude que se espera de um líder”, garantiu Lula.

Em outro despacho, a Time publicou que Lula se recusou a condenar o governo venezuelano do presidente Nicolás Maduro e expressou estar “muito preocupado” quando os EUA e seus aliados reconheceram o deputado Juan Guaidó como presidente e líder da oposição.

Em chave regional, Lula se opôs à política energética do candidato favorito para vencer as eleições presidenciais deste mês na Colômbia, o líder de esquerda Gustavo Petro, que prometeu abandonar a exploração de petróleo.

“O Petro tem o direito de propor o que quiser. Mas no caso do Brasil, isso não é real. No caso do mundo, não é real. Poderia parar a exploração de novas jazidas de petróleo enquanto extrai o petróleo que o Brasil já descobriu? Não, enquanto você não tiver energia alternativa, você vai continuar usando a energia que tem”, disse.

 

 

 

 

 
 

Assange – do asilo à ordem de extradição

3 de maio de 2022 7:09 por Vanderlei Tenório

* Breve resgate cronológico do caso Assange. 

Em 2012, o fundador do Wikileaks se refugiou na embaixada equatoriana em Londres para escapar do pedido de extradição da Suécia. Após 7 anos, em 11 de abril de 2019, ele foi preso pelos serviços britânicos. Em 4 de janeiro de 2021, um juiz britânico rejeitou o pedido de extradição dos EUA, mas em 10 de dezembro de 2021 o Tribunal Superior de Londres revogou a sentença de primeira instância e em 20 de abril de 2022 o Tribunal de Magistrados de Westminster emitiu a ordem formal de extradição.

Por sete anos, sua casa foi uma pequena embaixada no coração de Londres, onde ele encontrou abrigo após um pedido de extradição da Suécia para responder a uma polêmica denúncia de abuso sexual que foi apresentada mais tarde. Julian Assange permaneceu refugiado na sede diplomática do Equador de 19 de junho de 2012 a 11 de abril de 2019, quando o país sul-americano decidiu retirar sua cidadania e o expulsou, permitindo que os serviços secretos britânicos o prendessem.

Para quem está por fora, Assange é acusado nos EUA de violar a Lei de Espionagem (disputado pela primeira vez em um caso de publicação de documentos confidenciais na mídia) por ajudar a descobrir documentos secretos do Pentágono relacionados a crimes de guerra no Afeganistão e no Iraque desde 2010. Ele enfrenta uma sentença de 175 anos de prisão, mas enquanto isso, em 4 de janeiro de 2021, um juiz britânico rejeitou o pedido de extradição para os Estados Unidos.

Uma sentença que foi anulada em 10 de dezembro de 2021 pelo Supremo Tribunal de Londres, que acolheu o recurso da equipe jurídica americana, e em 20 de abril de 2022 o Tribunal de Magistrados de Westminster em Londres emitiu a ordem formal de extradição no Uso. Aqui está a história dos últimos anos de vida do ativista australiano, desde a concessão de asilo político ao envolvimento no escândalo de Russiagate.

A acusação de estupro e o refúgio equatoriano:

Em agosto de 2010, uma mulher acusou Assange de aproveitar o sono para estuprá-la, sem camisinha. Os dois estavam em Estocolmo para uma conferência. Ela afirma que sempre lhe recusou relações sexuais desprotegidas. Em dezembro, o australiano foi preso na Grã-Bretanha e depois libertado sob fiança. Em fevereiro de 2011, Londres aprovou o pedido de extradição apresentado pela Suécia e convidou Assange a comparecer perante um tribunal para 29 de junho de 2012. Em 19 de junho, Assange decidiu não comparecer e, em vez disso, pediu asilo ao Equador, que o aceitou. 

Caso Russiagate:

Em 2017, o caso Russiagate explode nos Estados Unidos, uma investigação judicial nascida após suspeita de interferência da Rússia na campanha eleitoral para as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América em 2016. De acordo com a inteligência americana, a organização liderada por Julian Assange colaborou com o Kremlin para influenciar as eleições. 

Em 13 de novembro de 2017, Donald Trump Jr. publica a troca de mensagens com o WikiLeaks durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Dois meses antes, as notícias haviam filtrado que o congressista republicano Dana Rohrabacher havia proposto a Donald Trump oferecer imunidade a Assange em troca de sua disposição de excluir que a Rússia havia fornecido ao Wikileaks os e-mails hackeados aos democratas durante a campanha eleitoral.

Dos jornais ao cárcere: 

A Suécia encerrou as alegações em 19 de maio de 2017. Reabriria o caso apenas se Assange retornasse ao país até agosto de 2020, caso contrário, o prazo de prescrição seria aplicado. Restava, para Londres, a acusação de ter violado as obrigações ligadas à fiança.

Em 11 de janeiro de 2018, o Equador afirma ter concedido a cidadania a Assange, pedindo também a Londres que o reconheça como diplomata para evitar sua prisão e provável extradição para os Estados Unidos, onde deve responder pela publicação de documentos militares e diplomáticos secretos em 2010, Londres rejeitou o pedido. O presidente do Equador, Lenin Moreno, pede “uma solução positiva no curto prazo”. Em 6 de fevereiro de 2018, um juiz britânico confirmou o mandado de prisão. Em 11 de abril de 2019, o Equador revogou o asilo concedido a Assange e a embaixada equatoriana em Londres o expulsou. As autoridades britânicas o aguardam e o prendem.

Acusações nos EUA e o pedido de extradição negado:

Em maio de 2019, Assange é indiciado nos Estados UnidosEle estava sendo acusado de 17 acusações sob a Lei de Espionagem por conspirar para obter informações confidenciais e depois disseminá-las online. Os documentos foram fornecidos pelo ex-militar Chelsea Manning, sentenciado nos EUA e depois perdoado por Barack Obama. Se for considerado culpado, Assange corre o risco de 10 anos por cada acusação feita contra ele. O processo de extradição para os EUA começou em fevereiro de 2020, mas em 4 de janeiro de 2021, a juíza distrital de Londres Vanessa Baraitser rejeitou o pedido americano com um veredicto de primeiro grauA juíza Baraitser motivou sua decisão citando as condições de saúde mental de Assange, consideradas muito precárias por vários médicos e seus advogados. 

Anulação do veredicto e o sim à extradição:

Onze meses depois, o caso judicial de Assange é enriquecido com um novo capítulo, com o Supremo Tribunal de Londres que, anulando a sentença de primeira instância, diz sim à extradição do fundador do Wikileaks. Os juízes britânicos deram provimento ao recurso da equipe jurídica americana que se opôs ao não à entrega da ex-prímula vermelha com base em um suposto perigo de suicídio ligado – segundo um parecer de especialista – ao previsível tratamento judicial e prisional. Agora, espera-se que o caso seja devolvido ao tribunal de primeira instância para ser ouvido novamente. “Um grave erro judicial”. Foi assim que Stella Moris, sócia de Julian Assange e membro de sua equipe jurídica, definiu o novo veredicto sobre o caso em um post publicado no Twitter pelo Wikileaks. Moris anunciou que vai apelar às autoridades judiciais do Reino Unido “o mais rápido possível”.

A esperada ordem formal de extradição:

Em 20 de abril de 2022, o Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres, emitiu a ordem formal de extradição de Assange para os EUA. Com exceção de um recurso de última hora ao Supremo Tribunal Federal, cabe agora à Ministra do Interior, Priti Patel, dar o seu aval final (considerado óbvio) à transferência da ativista australiana para os Estados Unidos , onde corre o risco de uma pena muito pesada. 

A aprovação do ministro estava prevista para o prazo máximo de 28 dias. A ordem de extradição foi emitida durante uma breve audiência, com duração de apenas sete minutos, pelo juiz Paul Goldspring, que disse: “Simplificando, tenho o dever de enviar o caso ao ministro para uma decisão”.

Assange não estava presente no tribunal, mas conectado por videoconferência da prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, onde está detido há três anos. A decisão final sobre a aprovação da transferência para os EUA cabe a Patel, o que parece óbvio se pensarmos nas estreitas relações de Londres com seu aliado americano. 

De fato, é improvável que ele seja capaz de negá-lo, por exemplo, em uma questão de direitos humanos. A possibilidade permanece para os advogados de Assange de apelar para o Supremo Tribunal de Londres, mas as chances de sucesso são reduzidas ao mínimo após o longo processo legal do judiciário britânico e especialmente depois que o Supremo Tribunal se recusou a rever o caso no mês passado. Do lado de fora do tribunal de Westminster, alguns ativistas do Wikileaks protestaram pedindo para não extraditar o ativista para os EUA.

 

* Com informações do italiano Sky tg24.


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