Estudantes da Base do Sapiens Lab e da Iniciação Científica da Escola SESI Centro participaram de uma visita técnica à ONG Vale do Sol, no Benedito Bentes, em Maceió. A atividade proporcionou aos alunos uma experiência prática sobre agroecologia, agricultura familiar, desenvolvimento sustentável e inovação no campo.
A programação contou com profissionais convidados de outro município e aproximou os estudantes de práticas desenvolvidas diretamente no campo. Um dos destaques foi a validação do projeto “Ergoenxada: Tecnologia Assistiva Mecanizada para Redução do Esforço Físico na Agricultura Familiar”.
Desenvolvido pelas alunas Júlia Mariana Alves da Silva, do 3º ano, e Shayonara Barros Lima dos Santos, do 2º ano A, sob orientação da professora Andrea Silva Souza, o projeto busca utilizar a tecnologia para tornar o trabalho agrícola menos desgastante e mais acessível. “A Ergoenxada nasceu de uma pergunta muito simples: como podemos utilizar a tecnologia para tornar o trabalho na agricultura familiar menos desgastante e mais acessível? A partir disso, desenvolvemos uma ferramenta mecanizada para reduzir o esforço físico e tornar o trabalho mais ergonômico”, explica Júlia.
Durante a visita, as alunas conversaram com um agroflorestor, conheceram suas práticas e identificaram possibilidades de aplicação da ferramenta em sistemas de multicultura e agroflorestais. Outro aprendizado foi compreender a importância de considerar o meio ambiente no desenvolvimento de tecnologias para o campo.
“Percebemos que o solo é um sistema vivo, cheio de relações e processos que sustentam a vida. Por isso, uma tecnologia voltada para a agricultura precisa respeitar o ambiente onde será utilizada”, afirma Shayonara.
Teste com agricultores
A etapa de validação contou com agricultores familiares com comorbidades, mobilizados pela ONG. Eles testaram o protótipo e contribuíram com avaliações e sugestões para o aprimoramento da pesquisa. “Conseguimos observar o comportamento da ferramenta em uma situação real de trabalho, avaliar seu potencial e identificar pontos que ainda precisam ser aprimorados. Esse contato direto com o usuário transforma o protótipo em uma tecnologia com propósito”, destaca Júlia.
A experiência também permitiu conhecer a realidade de um assentamento urbano legalizado e ouvir histórias de pessoas que trabalham para preservar a terra e produzir de forma sustentável. O projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente às ODS 2, de Fome Zero e Agricultura Sustentável; ODS 3, de Saúde e Bem-Estar; e ODS 10, de Redução das Desigualdades.
Para as estudantes, a visita mostrou que a pesquisa científica pode ultrapassar os limites da escola e responder a necessidades reais. “A ciência pode sair da sala de aula, chegar ao campo e nascer do diálogo com quem realmente vive o problema. A Ergoenxada é uma tentativa de aproximar tecnologia, sustentabilidade e conhecimento popular para criar uma solução com impacto na vida dos trabalhadores da agricultura familiar”, conclui Shayonara.
Por Assessoria








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