Por Geraldo de Majella*
Alagoas melhorou seus indicadores de renda nos últimos anos, mas os números mostram que o crescimento econômico ainda convive com uma estrutura marcada pela baixa inserção no mercado formal, rendimentos reduzidos e desigualdade de oportunidades.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento nominal mensal domiciliar per capita de Alagoas alcançou R$ 1.422 em 2025. O valor representa um avanço em relação aos anos anteriores, mas permanece abaixo da média nacional, que chegou a R$ 2.316 no mesmo período.
O aumento da renda média revela uma melhora das condições econômicas das famílias alagoanas, mas não responde sozinho à principal questão: como essa riqueza é produzida e quem consegue participar dela?
A resposta passa pelo mercado de trabalho.
A economia de Alagoas ainda apresenta uma parcela expressiva de trabalhadores fora dos vínculos formais. A informalidade reduz a estabilidade da renda, limita o acesso à proteção social e dificulta a formação de patrimônio.
O emprego formal avançou em 2025. O saldo positivo do Novo Caged mostrou a criação de novos postos de trabalho com carteira assinada no estado. Entretanto, o número de vagas criadas precisa ser analisado diante de uma população ocupada muito maior, formada também por trabalhadores sem carteira assinada, autônomos e pessoas inseridas em atividades de menor proteção trabalhista.
Essa diferença ajuda a compreender a dinâmica da desigualdade: não basta que a economia gere riqueza; é necessário que uma parcela maior da população tenha acesso a empregos de melhor qualidade, maiores salários e condições de acumular renda e patrimônio.
A renda média de Alagoas cresceu, mas o estado ainda enfrenta dificuldades estruturais. A concentração histórica da terra, as desigualdades educacionais, o acesso desigual ao crédito e as diferentes oportunidades econômicas contribuíram para formar uma sociedade em que grupos sociais possuem condições muito distintas de participar do desenvolvimento.
O desafio, portanto, não é apenas elevar a renda média dos alagoanos. É ampliar a participação da população nos setores que geram melhores rendimentos, fortalecer o emprego formal e criar condições para que mais pessoas possam transformar o trabalho em melhoria permanente de vida.
A questão central permanece:
A economia alagoana cresce, mas quem se apropria dos frutos desse crescimento e por que uma parcela significativa da população continua distante dos benefícios gerados pela riqueza produzida no estado?
*Historiador e jornalista






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